Capítulo 19

1174 Words
Lila Anderson Saímos do carro e subi com Asher até a entrada da casa, onde fomos recebidos por uma senhora simpática a mesma de quando estive aqui a primeira vez. O meu coração batia forte, com um misto de alegria e nervosismo — alegria por finalmente ver Emily em paz, nervosismo por todo o teatro que iríamos interpretar amanhã. A porta foi aberta pela mesma senhora do outro dia, ela informou a Asher que Logan saiu, mas já voltava, ele agradeceu a ela, e entramos, notei a elegância simples do hall, os quadros na parede, o cheiro suave e acolhedor que me fez sentir por um momento que eu realmente podia relaxar. Eu não tinha reparado em nada disso quando estive aqui pela primeira vez. Emily veio ao nosso encontro, com aquele sorriso acolhedor que ela sempre tinha. Mesmo depois de tudo, ela continuava radiante, forte. - Que bom que veio. – ela murmurou contra o meu ombro. - Nem tivemos tempo de conversar direito. – respondo, rindo baixinho. Quando me soltou, ela se virou para Asher cumprimentando-o com um aceno de cabeça. Ele retribuiu e olhou ao redor. Asher disse que esperaria Logan no escritório dando privacidade para nós duas poder conversar. Ele se retirou, deixando nós duas sozinhas. Nos sentamos no sofá e, sem perder tempo, fui direta com ela direta: - Como você está de verdade? m*l conseguimos conversar aquele dia. Ela sorriu, tentando dissipar qualquer preocupação que eu pudesse ter. - Estou bem. Estreitei os olhos, analisando ela como se eu pudesse enxergar além das palavras. - Ele te trata bem, Emily? O sorriso dela se manteve, mas seu rosto ruborizou de repente. - Sim. – respondeu, e pude ver a sinceridade em seu olhar. – Logan é diferente, sabe? Ele me respeita, sempre pergunta se estou bem, se algo me incomoda... Ele é atencioso. A voz dela diminuiu um pouco no final, e é claro que percebi. Assenti, compreendendo a hesitação dela. - Diferente... do Ivan. – completei por ela. Emily Assentiu levemente. Eu nem podia descrever o que ela passou nas mãos daquele monstro. As cicatrizes que ela carregava… - Fico feliz por você. – disse, com sinceridade. – Você merece isso, Emily. Vi os seus olhos marejaram, e os meus também, pois, eu fiquei feliz em ver Emily e o seu bebê bem, depois de tudo que ela passou ela merecia isso. - Você já sabe quando eu vou precisar depor a seu favor? – perguntei, pois, Asher ainda não tinha me falado nada. Ela suspirou, e balançando a cabeça. - Logan disse que o juiz pode te chamar por esses dias. O divórcio está correndo, assinei uma procuração para o advogado tomar conta de tudo. Eu... eu não quero e não consigo encarar o Ivan. Tenho medo do que ele possa fazer comigo. Eu segurei as suas mãos com firmeza e apertei levemente. - E você não vai precisar. – afirmei. – Aquele homem é um monstro e tenho certeza que Logan vai cuidar disso. Asher me contou um pouco sobre ele, e eu tenho certeza de que você está em boas mãos agora. Ela assentiu. Me inclinei um pouco para chegar mais perto estudando a sua expressão. - Vocês estão juntos? A boca dela se abriu, mas nenhuma palavra saiu. Vi o seu rosto novamente ficar vermelho. - Eu... nós estamos nos conhecendo. – admitiu, desviando o olhar por um instante. – Indo devagar. Depois de tudo o que passei com Ivan, ainda tenho alguns bloqueios. Sorri compreendendo ela. - É super normal, amiga. Ivan fez barbaridades com você. Mas Logan entende, não entende? - Sim. – respondeu rápido. – Ele tem paciência, me entende e nunca força nada. - Então aproveita. – disse, apertando a sua mão. – Porque você e esse bebê merecem tudo de bom na vida de vocês. Os seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as conteve, sorrindo para mim. Eu apoiaria Emily em tudo, ela merecia tudo de bom nessa vida. - Obrigada por estar aqui. - Sempre. – eu disse, piscando. Houve um breve silêncio antes dela perguntar: - Mas e você? Por que não ficou aqui, preferiu ir para casa do Asher? Mordi o canto da boca, estava meio desconfortável, pela situação. Suspirei antes de responder: - Eu... estou ajudando o Asher com uma coisa. Emily franziu a testa. - Que coisa? Desviei o olhar e murmurei: - Vou fingir ser a noiva dele para ele não ir sozinho ao casamento do primo... Emily arregalou os olhos em surpresa. - O quê? Por que você aceitou isso, Lila? Hesitei por um momento antes de finalmente confessar: - Porque eu preciso do dinheiro que ele me ofereceu. Vi o momento em que a sua expressão mudou. - Minha mãe está doente em outra cidade. – continuei, a voz mais baixa. – Eu vim trabalhar na casa de Ivan por indicação, mas depois que saí de lá, fiquei sem renda e sem como mandar dinheiro para minha tia cuidar dela. Asher fez essa proposta, e eu aceitei porque preciso do dinheiro para pagar o tratamento dela. Ela engoliu em seco, e pude ver a culpa nos seus olhos. Ma ela não tem culpa. - Lila, por que nunca me contou? Eu jamais teria pedido para você vir… Eu balancei a cabeça, interrompendo-a. - Não, Emily. Eu também não conseguiria ficar naquela casa com aquele monstro. Eu te ajudaria novamente sem pensar duas vezes. E o dinheiro que Asher me ofereceu é o suficiente para pagar todo o tratamento da minha mãe e ainda comprar uma casinha para trazer ela para perto de mim. Ela respirou fundo, e falou. - Eu entendo. – murmurou. – Mas, por favor, tenha cuidado. Qualquer coisa, me fala. Eu jamais te deixaria desamparada, você fez tanto por mim que faria o mesmo por você. Eu sorri e abracei, e naquele momento, soube que a nossa amizade era inabalável. Pouco depois, a porta foi aberta e Logan passou por ela. Ele me cumprimentou com um aceno e perguntou a Emily se eu estava bem, respondeu que sim. - Asher está no seu escritório te esperando. – ela disse. Logo a senhora que abriu a porta, que descobrir se chamar Cecília, apareceu com um suco, e Emily agradeceu ela. - Quer ajuda na cozinha? – perguntou. Ela negou com um sorriso. - Fique e aproveite a companhia da sua amiga. E foi exatamente o que fizemos. Depois de um tempo, Asher apareceu com Logan logo atrás dele: - Lila? Pronta? - Sim, já vou. Me levantei e vi Emily fazer o mesmo. Ela me deu um abraço rápido e sussurrou: - Boa sorte, tá? Qualquer coisa estou aqui. - Obrigada – murmurei, e saí com Asher. Enquanto caminhávamos, senti a postura dele mudar um pouco — mais relaxado talvez — e ele me perguntou: - Tudo bem? - Sim – fingir naturalidade. – Tudo bem. No carro a caminho de casa, o silêncio veio novamente. Eu olhava para fora, tentando decifrar o que se seguia.
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