Capítulo 9

1234 Words
Lila Anderson Era loucura. Não tinha outra palavra para descrever o que Asher tinha acabado de me propor. Fingir ser sua noiva… sério? Ele m*l me conhecia. Como alguém com aquele porte, aquele jeito confiante, precisava de uma estranha para interpretar esse papel? Pior, como ele podia ter tanta certeza de que eu não era uma completa lunática, que não iria me agarrar àquela farsa como se fosse real e depois persegui-lo? Ok, talvez eu estivesse exagerando. Provavelmente era só o nervosismo me corroendo por dentro. Depois da conversa, preferi me refugiar no quarto. Asher tinha dito que sairíamos antes do almoço, e eu precisava de um tempo sozinha para organizar a minha mente. O silêncio me abraçava, mas dentro de mim, tudo era barulho: a doença da minha mãe, as contas do hospital, a voz da minha tia no telefone pedindo mais dinheiro. E agora, essa proposta maluca. Depois de um tempo, senti a boca seca. Levantei-me e fui até a cozinha em busca de água. Segurei o copo e, enquanto bebia, a minha cabeça girava em círculos. Cada vez que lembrava da frase dele — “Você precisa de dinheiro e eu preciso de uma noiva falsa” — um arrepio subia pela minha espinha. Eu ainda não conseguia entender como um homem como Asher precisava disso. Era bonito, confiante, rico e provavelmente bem relacionado com as mulheres… não deveriam faltar mulheres dispostas a ir a esse noivado ao lado dele. Balancei a cabeça, tentando afastar a enxurrada de perguntas. Virei de repente e, no susto, esbarrei em algo sólido. O copo voou da minha mão e a água se espalhou — não pelo chão, mas pelo peito nu de Asher. - Ai, meu Deus! – arregalei os olhos, sentindo o meu rosto pegar fogo. – Desculpa, desculpa, eu não vi… E antes que a minha consciência percebesse o que eu fazia, a minha mão já deslizava sobre o peitoral dele, tentando secar a água. A pele quente, firme, os músculos duros como pedra. Foi então que a realidade me atingiu. Eu estava passando a mão no peito de Asher. Sem camisa. Ele segurou meus pulsos de repente, impedindo meus movimentos. O meu coração disparou. Ergui o olhar e o encontrei fitando-me intensamente. Os olhos dele eram escuros, profundos, e naquele momento parecia que me prendiam no lugar. Senti as minhas bochechas queimarem. - Não continua com isso… – ele murmurou, a voz rouca, quase como um aviso, mas soando mais como tentação. Engoli em seco. As minhas mãos ainda presas pelas dele, a minha respiração cada vez mais descompassada. Por que raios ele estava sem camisa? E por que aquilo me deixava sem ar? Passei a língua pelos lábios, tentando umedecê-los, mas o gesto só piorou. Os olhos de Asher desceram até a minha boca e, quando percebi, ele estava mais perto. Muito mais perto. A nossa respiração se misturava, o calor dele queimando a minha pele. Eu queria me afastar, mas minhas pernas não obedeciam. Era como se estivesse hipnotizada. E então aconteceu. Os lábios dele tocaram os meus. No início, fiquei imóvel. Não sabia como reagir. Nunca tinha sido beijada antes — não havia referência, nenhuma experiência anterior para comparar. Mas se existisse algo melhor do que aquilo, eu não queria saber. Era suave e, ao mesmo tempo, intenso. Os lábios dele se moviam contra os meus de forma tão natural, tão segura, que por um momento me deixei levar. Até que a realidade me atingiu como um choque. Eu estava beijando Asher. O cara que estava me ajudando a chegar até Emily, praticamente um estranho. Afastei-o com as mãos no peito, ofegante. - Isso não deveria ter acontecido… – murmurei, evitando seus olhos. Ele recuou imediatamente, como se também tivesse acordado de um transe. O arrependimento estampado no rosto dele me atingiu em cheio. - Me desculpa, Lila. – a voz dele soava sincera, carregada de culpa. – Isso não vai mais acontecer. Assenti rápido, quase fugindo. Voltei para o quarto, fechei a porta e encostei as costas nela. O meu coração ainda batia como louco. Caramba, o que foi isso? Por que ele me beijou? m*l nos conhecemos. E, pior, por que eu tinha gostado tanto? Pressionei as mãos contra o rosto quente. Aquilo não podia se repetir. Não devia. Mas uma parte de mim ainda sentia os lábios dele nos meus. O problema era que… aquele tinha sido meu primeiro beijo. Nunca contei isso para ninguém, mas eu sonhava que seria especial, com alguém que eu amasse. Agora tinha sido com Asher, em um momento impulsivo. Será que ele percebeu? Será que notou a inexperiência nos meus movimentos? Aposto que sim. Deve ter achado estranho, até rüim. Suspirei e fui ao banheiro, jogando água no rosto. Olhei o meu reflexo e murmurei para mim mesma: - Você enlouqueceu, Lila. Completamente enlouquecida por deixar aquilo acontecer. Voltei para o quarto tentando não pensar mais no assunto. Mas o celular vibrou e, quando vi, era uma mensagem da minha tia: “Precisamos de mais dinheiro para os novos exames da sua mãe.” O meu estômago afundou. Eu tinha enviado uma quantia boa, acreditando que seria suficiente por um tempo. Agora… mais uma despesa inesperada. O desespero começou a apertar o meu peito, roubando o ar. A proposta de Asher ecoou na minha mente. Aquela loucura. Fingir ser noiva dele. Eu sabia que era arriscado, que parecia absurdo. Mas que saída eu tinha? Minha mãe precisava. E se era só fingimento, talvez não fosse tão terrível assim. Um tempo depois, ouvi batidas na porta. - Lila? Está pronta? – a voz dele soou contida, distante. Abri a porta e assenti. Antes que eu saísse, ele parou e disse: - Lila, quero me desculpar de novo pelo que aconteceu mais cedo. O meu rosto corou imediatamente. Forcei um sorriso pequeno. - Tudo bem, Asher. Não precisamos falar sobre isso. Por dentro, doía. Parte de mim queria acreditar que ele não se arrependia, mas ver aquele olhar sério, quase frio, só reforçava a ideia de que ele tinha achado um erro. Talvez até tenha comparado com os beijos das outras mulheres que certamente já teve… e concluiu que o meu foi terrível. Mas por que isso me importava tanto? Já no carro, ele quebrou o silêncio: - Vamos parar em algum lugar para comer. Assenti, incapaz de sustentar a voz. O clima estava pesado, ainda mais depois daquele beijo. Eu m*l conseguia encará-lo. O celular vibrou de novo: outra mensagem da minha tia pedindo dinheiro. A angústia me consumiu. Não dava mais para fugir da realidade. Eu precisava tomar uma decisão. Respirei fundo, criando coragem. - Eu… eu topo. – a minha voz saiu firme, mesmo que as minhas mãos tremessem. Ele desviou o olhar da estrada por um segundo, surpreso. - O quê? - A sua proposta. – repeti, olhando para frente, tentando parecer confiante. – Ainda está de pé? Porque eu topo. O silêncio que se seguiu foi quase insuportável. Então, finalmente, ele falou: - Vamos conversar melhor sobre isso. – sua voz estava mais baixa, quase pensativa. – Quando pararmos para comer, vamos discutir os detalhes. Assenti, mordendo o lábio. Eu devia estar realmente desesperada para aceitar uma loucura dessas. Mas, no fundo, sabia que era a única saída. E, de algum jeito que eu não entendia, algo me dizia que a verdadeira loucura estava só começando.
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