Lila Anderson
O carro parou em frente a um restaurante de beira de estrada, simples, mas aconchegante. Eu estava tão nervosa que m*l registrei o letreiro iluminado ou as mesas de madeira do lado de fora. Os meus dedos estavam grudados no tecido da camiseta como se eu pudesse segurar a coragem entre eles.
Asher desligou o motor e saiu primeiro, contornando o carro para abrir a porta para mim. Aquele gesto tão educado só deixava tudo mais confuso. Como alguém capaz de beijar uma mulher sem aviso, depois pedir desculpas como se fosse o maior erro do mundo, conseguia ser também cavalheiro ao ponto de abrir a porta?
Respirei fundo e desci, tentando controlar a ansiedade. Quando entrei no restaurante, senti o cheiro de café fresco e pão recém-assado. O ambiente era iluminado por luzes amareladas e suaves, o que tornava o lugar ainda mais íntimo do que eu gostaria naquele momento.
Sentamos em uma mesa no canto. Eu não conseguia parar de mexer no guardanapo de papel, dobrando-o e desdobrando-o como se fosse salvar a minha vida. Asher parecia relaxado demais para alguém que acabara de propor uma insanidade como aquela.
Fizemos os nossos pedidos. O silêncio entre nós só aumentava, até que finalmente criei coragem.
- Então… sobre a sua proposta. – a minha voz soou mais firme do que eu esperava.
Ele ergueu os olhos para mim, e o peso daquele olhar quase me fez recuar. Mas eu continuei:
- Eu aceito, Asher. Mas com algumas condições.
A sobrancelha dele se arqueou, como se estivesse curioso.
- Condições? – repetiu, cruzando os braços, claramente interessado.
Engoli em seco e tentei soar o mais séria possível.
- Sim. Primeira coisa: eu não sou sua noiva de verdade. Isso é apenas um acordo. – apertei o guardanapo entre os dedos. – Então, não vai haver nada físico entre nós. Nenhum tipo de toque, a menos que seja absolutamente necessário para convencer os outros.
Ele inclinou a cabeça para o lado, e vi a sombra de um sorriso se formar no canto dos lábios dele.
- Você está me dizendo que só posso encostar em você quando tivermos com outras pessoas perto. – disse, com uma calma provocativa.
- Exatamente. – confirmei, firme, mesmo com o calor subindo pelas minhas bochechas.
Asher riu, um som baixo, como se estivesse se divertindo mais do que deveria.
- Qual é a graça? – perguntei, estreitando os olhos.
Ele balançou a cabeça, ainda com aquele maldito ar divertido.
- Nenhuma. – respondeu, a voz carregada de falsa inocência. – Só achei curioso você já estabelecer regras antes mesmo de começarmos.
Cruzei os braços, tentando esconder o meu constrangimento.
- Não estou brincando, Asher. Não quero que você pense que, por eu precisar de dinheiro, isso te dá algum tipo de… liberdade.
Os olhos dele suavizaram um pouco, e pela primeira vez desde o beijo eu vi sinceridade no rosto dele.
- Eu não faria isso. – disse, sério agora. – O acordo é para ser exatamente isso: um acordo. Se você topar, eu respeito as suas condições.
Suspirei, tentando acalmar o coração que insistia em bater rápido demais.
- Ótimo. – falei, voltando a mexer no guardanapo. – Então estamos combinados. Só poderá haver toques, quando estivermos na presença de outras pessoas. Nada, além disso.
O garçom chegou com os pedidos, e eu agradeci rapidamente, só para desviar a atenção da intensidade daquele momento. Mas, quando ergui os olhos de novo, Asher ainda estava me observando, com aquele mesmo ar entre divertido e intrigado.
A irritação queimou dentro de mim.
- Você ainda está achando graça do que?
Ele deu um meio sorriso, e o meu estômago se revirou.
- Talvez eu só esteja impressionado. – disse, com a voz mais baixa, quase como uma confissão. – Você fala como se já tivesse feito esse tipo de acordo antes.
Senti as minhas bochechas pegarem fogo de novo.
- Claro que não! — respondi rápido demais, o que só fez o sorriso dele aumentar. – Mas assisto muitos filmes onde esse tipo de acordo acontece. – eu deixei escapar e me arrependi imediatamente de ter falado isso.
Peguei o copo d’água e bebi um gole apressado, torcendo para que ele não percebesse o quanto eu estava nervosa. Mas era impossível esconder. Desde que nos conhecemos, Asher parecia ter a capacidade irritante de enxergar além das minhas defesas.
E agora, ali, naquela mesa de restaurante, com a vida da minha mãe em jogo e a minha sanidade sendo testada, eu sabia que não tinha mais volta.
Eu havia aceitado. Agora era ver onde isso iria dar.