Tadeu Narrando Já passava das dez da noite quando meu celular tocou. Olhei para o visor e lá estava o nome dela: Cibely. Uma figura quase patética, mas ainda assim útil para os meus planos. Eu atendi, e sua voz veio do outro lado, meio apressada, como sempre. —Tadeu, você não vai acreditar... O Dagon deu a sorveteria de presente pra Helena! — Que sorveteria? — perguntei, embora já pressentisse onde isso ia parar. E ela completou com um tom que me fez querer esmagar o telefone. — Um lugar especial pra eles, sabe? Uma coisa romântica, simbólica... Eles costumavam ir lá quando eram pequenos. Meu sangue ferveu. Especial? Romântico? Simbólico? Aquelas palavras rodopiavam na minha cabeça como uma tempestade. Que afronta! Que ousadia! Minha esposa, minha Helena, sendo mimada por aquele...

