— Minha nossa quanto tempo! — JonHee ficou de pé, aproximando-se rapidamente de Hajoon e abraçando-o fortemente.
— JonHee, que saudade. — Hajoon retribuiu o abraço forte e carinhoso.
— Eu perdi seu contato. — JonHee largou-o.
— Eu tive que trocar... ocorreram algumas... hm, inconveniências.
JonHee entendia bem o que aquilo significava.
— Então depois me passe seu novo número, precisamos marcar uma bebida.
— Claro.
— Mas enfim, o que te trouxe aqui? — JonHee desviou a atenção para os outros dois ali, e estapeou a própria testa. — Minha nossa, onde estão meus modos? Sou o médico veterinário, Lee JonHee. — ele apresentou-se e ergueu a mão primeiramente para o mais velho.
— Sou Lee Sunjin, esse é WooBin, o namorado do Hajoon. — as bochechas de WooBin ficaram rubras e seus olhos saltaram.
— Não é isso. — WooBin negou, mas estalou a língua e arrumou melhor Delly até livrar a mão e cumprimentar o homem. — Sou Park WooBin.
— É um prazer. — JonHee sorriu ao cumprimentar o mais baixo e desviou os olhos para a cadelinha. — E essa, é...?
— Essa é a Delly. — Sunjin falou com o peito estufado, olhando-a quando WooBin entregou a cadelinha ao médico.
— E o que a Delly tem? — O veterinário acariciou a cadelinha, colocando-a sobre a maca e observou o jeitinho que ela deitou totalmente encolhida ali. — Ela é sempre assim quietinha?
— Não. — Hajoon e Sunjin falaram em uníssono.
— Ela costumava ser bem ativa, doutor. — Sunjin falou parando ao lado da maca. — ela amava brincar e correr pelo terraço. Eu quase nunca os levava para a rua, o terraço é bem espaçoso, mas agora ela não quer brincar mais.
— Ela teve filhotes recentemente? — JonHee falou, olhando as m***s da c****a. Ele apalpou devagar ali, Delly nem sequer reagiu.
— Sim, a duas semanas mais ou menos.
— O senhor tem outros cachorros além dela e os filhotes?
— Eu tinha... — Sunjin suspirou. — mas Dylan morreu a pouco mais de seis semanas.
— Dylan é o pai dos filhotes? — JonHee perguntou, voltando os carinhos as orelhas de Delly, olhando o jeitinho triste que ela mantinha-se ali.
— sim. — foi Hajoon quem respondeu. — Nós descobrimos que a Delly estava grávida duas semanas depois dele morrer.
— Eles eram muito unidos? Perceberam alguma mudança depois da morte dele?
— Ela ficou mais quieta. — Sunjin falou.
— É verdade, eu ainda não tinha reparado, mas Delly nem brinca mais depois disso.
— Ela está se alimentando direito?
— Está, mas eu tenho que ficar com ela conversando, sabe? Ela sempre come quando estou com ela. — Sunjin sorriu para o médico e acaricio a cadelinha também.
— Eu pedirei alguns exames, mas o que pode estar acontecendo é que Delly está com depressão. Geralmente cães desenvolvem a doença quando algum evento r**m acontece, geralmente a perda do tutor, ou até mesmo de outros animais. Maus tratos, isolamento... tudo pode resultar nisso.
— Mas então, como tratamos? — WooBin perguntou, aproximando-se da maca também. — Há meios de tratarmos isso, não é?
— Sim, existem remédios como homeopáticos, antidepressivos e medicamentos alopáticos que ajudam no tratamento, mas nem sempre é necessário o uso deles. Eu geralmente gosto de avaliar, ver todos os exames, passar algumas atividades e então com o resultado de tudo, decidir se será necessário o uso dos remédios, sim ou não, certo?
— Certo. — WooBin e Hajoon responderam juntos.
— O senhor pode pedir todos os exames, nós faremos. — WooBin garantiu.
— Mas... será muito caro? — Sunjin perguntou sem jeito.
— Não se preocupe com isso, senhor Lee.
— É, não se preocupe. Eu e Hajoon pagaremos por tudo.
Sunjin sorriu agradecido, o que os jovens faziam por si ali era muito, ele não teria condições de pagar por tratamento alguns para a c****a, mas também não se imaginava perdendo-a. Havia sofrido muito com a morte de Dylan, e se não fosse Junsik e Hajoon para ajudá-lo, com certeza ele teria ficado doente ou pior, teria morrido.
WooBin ficou com Delly que ainda estava na maca. Ele e Sunjin ainda acariciavam as orelhinhas dela, então Hajoon foi até a mesa do veterinário, esperar por todos os pedidos de exames que seriam necessários.
— É mesmo seu namorado? — JonHee perguntou baixo a Hajoon, nem sequer desviava os olhos do computador.
— Não. — Hajoon riu e sentou-se na cadeira em frente ao médico. — você sabe muito bem que eu não namoro.
— Tem seus motivos, sei bem. — JonHee sorriu. — mesmo não tendo me aceitado como namorado aquele tempo.
— JonHee... — Hajoon riu. — você estava de casamento marcado, não dava.
— É, é... eu sei. Mas eu te ajudava bem, você quem não quis continuar.
— Eu conheci o Kim, você sabe, eu fui t**o e me apaixonei. Quase me fodi no fim, foi trágico.
— fiquei sabendo disso. — JonHee recolheu todas as guias com exames e organizou-as. — e fiquei surpreso em saber que você não denunciou aquilo.
— Você acha mesmo que alguém iria dar ouvidos a mim? Ele era conhecido, já tinha a fama dele. Eu era só eu, não daria em nada.
— Daria um grande escândalo. Ele poderia perder tudo o que tem, até mesmo a licença médica.
— Ninguém iria me ouvir, acredite nisso. O único que me ajudou foi Taeil, sem ele eu teria com certeza morrido aquele dia.
— Você não deve se esquecer de mim, por favor, me procure sempre que precisar. Tudo bem que tudo o que tivemos a cinco anos atrás foi só bobagem, mas ainda sou seu amigo, eu te ajudo no que precisar.
— Obrigado. — Hajoon sorriu e buscou os papéis que JonHee entregou-lhe.
WooBin atentou-se ao médico quando ele se pôs de pé e se aproximou da maca, sorrindo para si quando tocou outra vez as orelhinhas de Delly.
— Todos os exames que quero, estão aí. — apontou para os papéis que estavam nas mãos de Hajoon. — Por favor, não deixem de fazer. E sobre as atividades que comentei, o senhor disse que não costuma sair muito com ela, mas Seul tem lindos parques que tenho certeza que ela amará correr um pouco ou apenas passear tranquilamente. Tente fazer isso, ao menos uma vez no dia. Se ela apresentar mudanças com os novos hábitos, não precisaremos de remédios.
— Tentarei levá-la todos os dias a pracinha, mas eu não posso caminhar muito, meus joelhos doem...
— Não se preocupe, eu levo ela. — Hajoon disse.
— Mas filho, e o seu emprego no escritório? Vai te complicar muito...
JonHee ergueu os olhos para Hajoon, assim como WooBin, mas o garoto negou sorridente para o mais velho.
— Não vai não, garanto.
— Eu também posso. — disse WooBin. — Eu tenho uma cadelinha, a Fluffy. Ela fará dois aninhos ainda, ama correr no parque, Talvez ela se dê bem com a Delly.
— É uma ótima ideia. — O veterinário falou. — Delly precisa entender que o mundo não parou quando Dylan morreu. É triste para ela, tenho certeza disso, cães tendem a sentir mais do que nós humanos, mas outros pets, caminhadas, brinquedos... tudo isso conta para que ela tenha uma boa melhora.
— Então a partir de amanhã mesmo eu e Fluffy buscaremos Delly para um passeio.
— Eu falo com você e a gente marca, tudo bem? — Hajoon perguntou a WooBin e ele assentiu. — Então, certo. Muito obrigado por nos atender, JonHee.
Hajoon abraçou o médico, despedindo-se.
— Não se esqueça de mim, entendeu? E me ligue, a gente pode realmente sair para beber algo.
Hajoon assentiu. Sunjin abriu a porta do consultório, despedindo-se com WooBin do médico também.
Caminharam pelo corredor do hospital outra vez, indo em direção a saída, mas pararam quando Hajoon informou que já tentaria deixar os exames marcados.
— Ela ficará bem. — WooBin disse parado com Sunjin da entrada. Ainda fazia carinho na cadelinha, mas olhava Hajoon ao longe, ele falava com a recepcionista e mostrava os exames para marcar.
— Você e o Hajoon realmente não namoram? — Sunjin perguntou vendo o modo em como os olhos de WooBin não desviava do outro.
— Não. — WooBin riu abaixando o olhar.
— Mas vocês ficariam bem bonitinhos juntos, sabia? Eu sei que provavelmente o Hajoon não tenha muito tempo, às vezes ele tem que viajar por causa do trabalho no escritório, mas ele ganha muito bem, poderia te levar para jantar e passear direto. E ele é uma boa pessoa, você vê? Você também parece ser um bom rapaz. Fiquem juntos então.
WooBin riu, vendo Hajoon voltar a se aproximar, e os olhos dele encaravam os seus, o que fez ambos desviarem no momento em que notaram o que faziam.
— Do que estão rindo? — Hajoon perguntou ajudando o homem a sair, enquanto WooBin já caminhava à frente, em direção ao estacionamento.
— Eu 'tava fazendo propaganda sua para o WooBin, se der certo, talvez vocês casem.
— Vovô! — Hajoon riu. WooBin ouvia tudo, mas fingia não ouvir. Se olhasse para trás, com certeza ficaria de bochechas rubras. — e não é permitido casamento homoafetivo aqui ainda, lembra?
— Que se dane a permissão. — Sunjin falou realmente revoltado. Hajoon destravou o carro rindo e ajudou o outro a entrar no banco traseiro. — Quando eu me casei com a Hana, os nossos pais não queriam porque ela era japonesa e eu coreano. Mas o que fizemos? Nós casamos mesmo assim. Passamos anos morando juntos e sem ter nossos nomes misturados numa certidão. Nem sempre casamento precisa ser em um cartório ou em uma igreja. Casar significa se unir a outra pessoa com o intuito de viver uma vida inteira com ela. Então eu repito, que se dane a permissão, vocês podem casar sim, basta quererem. E se forem casar, por favor, me avisem, eu preciso comprar um terno bem bonito e convidar a senhora Jung também, ela será meu par.
Hajoon colocou o cinto de segurança no homem e riu alto. Adentrou o carro, sentando-se no banco do motorista e olhou WooBin, que tentava prender o cinto de segurança com apenas uma mão, já que ainda segurava Delly.
— Eu te ajudo. — Hajoon falou aproximando-se. Inclinou-se para buscar o cinto de segurança e ajeitou para que não machucasse WooBin quando puxasse. Nem sequer notou que estava perto demais do outro, Sunjin por outro lado notou e cobria o sorriso com a mão. Park estava congelado, talvez ele nem respirasse enquanto Hajoon estava inclinado sobre si e até mesmo conseguia sentir o cheiro do perfume dele.
Hajoon enfim notou como estava ali, olhou para WooBin e percebeu como os rostos estavam perto demais. Demorou para se afastar, também sentia o cheiro doce do perfume de WooBin e gostou daquilo, os olhos assustados do outro o fez enfim cair em si e afastar, prendendo o cinto e ajustando o seu, dando partida no carro e saindo do estacionamento em um silêncio absoluto.
Logo chegaram no prédio de Sunjin e ajudaram-no a subir. Junsik ainda estava no terraço, mas vestia uma camisa agora. Estava praticando um passo de dança, mas tinha os olhos nos filhotinhos e assustou-se quando a porta do terraço abriu-se e todos passaram por ali.
Delly caminhou cabisbaixa, mas foi para os filhotes, deixando lambidas sobre cada um e ajeitando-se para que todos mamassem.
— E então? — Junsik perguntou aproximando-se do avô.
— O médico passou um montão de exames, mas disse que ela pode estar com depressão.
— Depressão?
— Por causa da morte do Dylan. — Hajoon o explicou. — Mas ele passou alguns exames e atividades para fazer com ela.
— Ela precisa passear todos os dias, uma volta no parque. Talvez isso ajude ela a ficar mais alegre. — WooBin explicou. — Tentarei vir amanhã mesmo para brincar com ela, eu tenho uma cadelinha também, talvez elas se deem bem e brinquem juntas.
— Você vem aqui amanhã? — Junsik sorriu para WooBin que assentiu.
— Mas que pena que você 'ta fazendo estágio, não é? — Hajoon alfinetou o outro, vendo seu claro interesse no Park. — Eu também venho, mané.
Junsik revirou os olhos para Hajoon, mas ouviu a voz de WooBin chamar-lhe, o que lhe fez sorrir inconscientemente.
— Você conseguiu um estágio? — WooBin perguntou aproximando-se do outro, sorrindo tão grande quanto.
— Sim, fazem duas semanas.
— E você não me contou? — WooBin deixou um tapinha sobre o ombro de Junsik. — Nós bebemos um suco juntos e você não falou nada.
— Eu não sabia se você iria se importar com isso...
— Está brincando? É muito legal. Onde você está estagiando?
— Ah, é uma escolinha de dança... Vou três vezes por semana.
— Poxa, eu ainda não consegui nada... Nem eu, nem Hwan, talvez nossos pais tenham dedo nisso, mas nós ainda estamos a procura, não dá para desistir.
— Não mesmo, mas eu posso ver se lá tem alguma vaga. Eles não pagam muito bem, mas são horas para contar no curso... Eu também não sei se o seu amigo vai querer estagiar no mesmo lugar que eu, ele implica demais...
— E quem não implica? — Hajoon falou alto, rindo quando Junsik revirou os olhos outra vez.
— Ele irá querer sim. Além do mais, eu quero no futuro pôr a minha própria escolinha, e se eu contrato vocês dois? Vocês vão implicar ainda?
— Possivelmente. — Junsik riu. — Mas eu não sabia disso, você quer mesmo ter a sua própria escolinha?
— Sim, e eu já tenho um dinheiro guardado. Se tudo der certo, assim que o curso encerrar ano que vem, eu já terei ela prontinha.
— Que legal WooBin!
— Não querendo interromper a conversa de ambos, porém querendo fazer o coisinha revirar mais uma vez os olhos, podemos ir, WooBin?
WooBin riu da fala de Hajoon, mas assentiu. Ele sorriu para Junsik e acenou em despedida. Despediu-se também do mais velho e garantiu que voltaria no dia seguinte para animar Delly e ouviu Hajoon garantir que também voltaria.
WooBin outra vez adentrou o carro de Hajoon, mas pediu-o para deixá-lo na universidade, ainda precisava buscar seu carro que havia abandonado lá.
Já estavam quase lá, mas ainda estavam em silêncio, desde que havia entrado naquele carro, palavra alguma havia sido dita, e isso estava deixando Hajoon um pouco desconfortável. Ele não entendia, mas gostava de falar com o outro ou apenas ouvir a voz dele.
— Então... — ele falou, chamando a atenção do Park. — Você quer ensinar dança?
— é um sonho meu. — WooBin riu pequeno olhando-o.
— Mas você dança de tudo? — WooBin assentiu. — Tipo, tudo mesmo?
— Acho que sim. Mas o balé contemporâneo sempre foi o que mais me excitou. Eu gosto de praticá-lo.
— Eu adoraria te ver dançando algum dia desses... — Hajoon soltou, atentando-se ao trânsito.
WooBin riu soprado. — Acho que não.
— Falo sério, eu gosto de dança, mesmo não sendo bom em nenhuma. E você deve ser muito bom, eu não perderia meu tempo caso você me mostrasse sua dança.
— Eu realmente sou bom. — WooBin disse rindo e fazendo Jeon rir. — mas eu não sei se você iria gostar.
— E não saberá até que me mostre. Que tal você me mostrar numa próxima vez em que... hm, não sei, estivermos sozinhos?
WooBin olhou-o de canto de olho e mordeu o lábio inferior.
— Pode ser...
— Ok, então. Ficarei no aguardo. — Hajoon sorriu uma última vez e estacionou na universidade. Tentou parar bem perto de onde o carro de WooBin estava, então viu-o descer já com a chave nas mãos e viu-o destravar o carro e abrir a porta do veículo para entrar. Jeon permaneceu olhando-o, e até mesmo quando Park já estava dentro, prendendo o cinto de segurança em si, ele continuou. WooBin enfim deu partida no carro, mas não saiu de imediato. Ligou o ar-condicionado dali, mas olhou Jeon antes de fechar os vidros. — Te vejo à noite? Quer dizer, aqui na universidade, sabe?
— Possivelmente. Ao que parece, nossos melhores amigos estão tendo algo, então é possível que nos vejamos a noite.
Hajoon sorriu e assentiu, demorando a erguer seus vidros também.
— Então, até lá. — WooBin disse por fim, erguendo os vidros e guiando seu carro para fora do estacionamento.
Hajoon ergueu os vidros e suspirou. Ele realmente não podia cair na armadilha que sua mente já estava criando, mas estava impossível. Parecia que o cheiro doce de Park ainda estava ali, presente no ar. E a mente de Hajoon fazia-o lembrar apenas da aproximação que ambos tiveram mais cedo.
Os rostos perto, tão perto que poderiam as bocas se tocar. Mas além do gosto do beijo que ainda permanecia na mente dele, os olhos, o sorriso, a voz... Tudo parecia mexer consigo.
Hajoon negou, tentando afastar aquilo de sua mente e saiu do estacionamento também. Não podia mesmo continuar com aqueles pensamentos, era algo muito, muito perigoso para si.