Entre o Fogo e o Gelo... O gabinete do Capitão estava mergulhado em penumbra. As persianas semicerradas deixavam entrar apenas faixas de luz pálida, como cicatrizes no chão. O relógio marcava 18h47. A base começava a desacelerar. Mas Melissa... não. Ela entrou sem bater. Carlos estava de pé, ao lado da mesa, com a camisa do uniforme aberta no colarinho e os olhos fixos em um relatório que claramente não lia. Quando a porta se fechou atrás dela, ele ergueu o olhar. — Sampaio — disse, com a voz baixa, mas firme. — Não. Hoje não sou só sua recruta. — Respondeu ela, se aproximando. — Hoje sou a mulher que você teve no carro. E que você continua tentando apagar. Carlos cerrou o maxilar. — Você não devia estar aqui. — E você devia parar de fingir que não sente. — Ela disparou, os olhos

