Heitor Lins
Quando deu oito horas me levantei, na verdade eu quase nem dormi. Depois que saí da casa da Cecília era bem tarde e eu vim direto pra casa, mas quem disse que eu conseguia dormir? Consegui nada pô, a Cecília não saia da minha cabeça.
Um negócio doido, fiquei a noite toda lembrando dos beijos dela, p***a é de quebrar qualquer um sabe. Eu não queria passar do beijos com ela pô. Quer dizer, eu queria e muito, mas eu queria que se ela soubesse quem eu era primeiro.
Queria que ela soubesse que eu era o Heitor que ela conhecia, que era eu quem estava com ela. Suspiro entrando no carro e dando partida para a sala 06, já tinha falado com o morte, MT e a Érica, eles já estavam na salinha também.
Tinha até esquecido desse negócio sério, p***a, e só de lembrar como a
Cecília ficou ontem me dava uma raiva do c*****o e me deixava m*l. Ver ela daquela forma era muito r**m.
Sem neurose nenhuma.
[...]
Bato no portão azul no meio do beco e logo escuto o barulho do trinco e ele se abre e eu entro. E o negócio ali era grande, era cheio de coisas de tortura, era um lugar que ninguém queria estar, as paredes eram pichadas, havia um monte de ferramentas e mais um monte de coisas penduradas na parede.
E parecia que o José gostava de torturar as pessoas. Passo os meus olhos pela sala e percebo duas meninas sentadas em uma cadeira de aço que era fundida no chão.
E as duas estavam com os cabelos raspados, com hematomas pelo corpo e tal, e parece que a Érica fez um ótimo trabalho.
— Essa aí é a Ester, foi a que tirou as fotos, e essa aí é dona da página que postou, Lívia — Érica aponta para as meninas que me olharam na mesma hora com lágrimas nos olhos enquanto eu cruzava os braços
E ambas estavam com fitas na boca, faço um sinal para a Érica tirar a fita e ela faz. Quando é uma mulher que está na sala de tortura nenhum dos homens relam nelas, a Érica que fazia isso já que ela sempre estava por dentro dos negócios e também por ela ser mulher.
Mas agora quando era homem o negócio era completamente diferente.
— Já vou mandar o papo reto por que eu tenho coisas mais importantes para fazer, se eu escutar o nome da Cecília sair da boca de vocês, ou se eu descobrir que vocês estão falando dela, vocês imploram para Deus para eu não encontrar vocês, por que vai ser direto para a vala, se encontrarem ela na rua atravessa para o outro lado de cabeça baixa, se alguém falar alguma coisa dela para vocês saiam de perto, por que eu juro que dá próxima vez vocês não vão ter a mesma sorte que tiveram hoje, entenderam? — falo sério e frio, e até o MT e o morte abaixaram a cabeça
— S.sim — elas falam chorando e se tremendo toda de cabeça baixa
E olha eu era uma pessoa boa pra c*****o, ajudava todo mundo sem querer nada em troca, mas p***a quando pisava no meu calo, eu levo a pessoa para conhecer o inferno pessoalmente. E o meu ponto fraco é a Cecília e quando simplesmente atingem ela, me atingem também, então porra... ninguém mexe com ela ou faz ela sofrer e vai sair impune disso.
— O que a gente faz com elas Zeus ? — morte pergunta me olhando
Olho para as mina na minha frente por alguns minutos.
— Leva elas para o postinho para tomarem alguns remédios e fazerem um curativo nesses machucados, e avisa a família que elas estão vivas. — dou um sorriso no final ainda de braços cruzados e eles assente, pego o rádio e aperto o botão começando a falar
Rádio on
— Eu quero um carro aqui no beco da sala 06, para levar a Ester e Lívia para o postinho, agora
— Tá certo patrão, já estamos indo.
Rádio off
— Mais alguma coisa Zeus? — MT pergunta me olhando
— Manda todo mundo esquecer esse negócio, ou se não cabeças irão rolar se eu escutar alguém falando dessa p***a, principalmente se mexerem com a Cecília — falo sério vendo o MT e o morte assentirem já começando a passar o radinho para os vapores avisarem todo mundo
Saio da salinha e vejo a Érica me seguir reprimindo um sorriso, e já vejo o carro no começo do beco e um vapor descer dele.
— p***a, você é apaixonado mesmo por ela né — Érica dá risada, e eu dou uma risada baixa negando com a cabeça enquanto a gente andava para fora do beco
O vapor passa pela gente e nos cumprimenta com a cabeça e vai até a porta.
— Apaixonado é pouco pô, bem pouco — Falo a última parte baixo vendo ela sorrir pra mim
Eu considerava a Érica pra c*****o sabe, como a minha tia mesmo, ou até mesmo uma irmã, bem mais velha que eu mas ainda sim uma irmã pra mim.
— Ela é bastante legal, conversou comigo no churrasco do seu pai, eu gostei bastante dela
E como não gostar da Cecília, essa seria a pergunta.
— Ela queria te agradecer por você ter tirado a publicação do ar, ficou toda feliz — Eu abro a porta do passageiro vendo ela ir até a moto dela e colocar o capacete
— Eu vou lá qualquer dia desses, mas agora eu tenho que voltar para a maré, tô tentando ativar mais algumas escutas do batalhão
— Manda um rádio se você conseguir, ou vem aqui — ela assente ligando a moto e eu entro no carro vendo ela já sair de lá
Suspiro me lembrando da Cecília e esperando que essa p***a tenha acabado.