A cada segundo que passava, os gritos e os sons de rosnados lá fora aumentavam, criando uma atmosfera ainda mais tensa. Eu estava sozinha no quarto, minha mente trabalhando em uma velocidade frenética enquanto tentava compreender a situação em que me encontrava.
Os minutos pareciam se arrastar, e a incerteza do que estava acontecendo me deixava inquieta. Minha perna doía, e eu desejava poder me mover livremente para entender melhor a situação. Ficar presa em um quarto desconhecido enquanto o caos se desenrolava lá fora não era uma sensação agradável.
Finalmente, depois de um período que pareceu uma eternidade, Ivy retornou ao quarto. Seu rosto estava preocupado, e suas mãos tremiam ligeiramente. Ela fechou a porta atrás de si e suspirou profundamente antes de falar.
— Sinto muito por ter te deixado sozinha. As coisas lá fora estavam fora de controle por um tempo. – Seu peito subia e descia com a respiração desregulada.
Eu a olhei, buscando por respostas. A preocupação em seu rosto me dizia que as coisas não estavam indo bem. Eu precisava saber o que estava acontecendo.
— O que está acontecendo? – Minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.
Ivy se sentou na beirada da cama e olhou para suas mãos por um momento antes de responder.
— A maldição tem se intensificado. Muitos estão adoecendo por causa dela. E quando Ayla, irmã do Alfa, ficou doente, as coisas mudaram. – Seu olhar encontra o meu e ela suspira. – Ayla adoeceu muito mais rápido que os outros, com ela era tudo diferente.
Um som de grito e rosnado próximo a faz se calar. Quando vou perguntar do que se trata, Ivy se joga sobre meu corpo e cobre minha boca. Pude ver o desespero em seus olhos, seu corpo estava tenso, e suas pupilas dilatadas.
— Se afaste dessa porta! – uma voz masculina grita com autoridade.
Rosnados e sons de coisas quebrando me fazem tremer. Fecho os olhos sentindo meu coração acelerar, sentia como se fossem invadir o quarto a qualquer momento.
Um som na porta é socada com força, e meu corpo salta com o estrondo. Lágrimas rolavam pelo meu rosto, molhando a mão de Ivy, meu corpo tremia devido ao medo e nervosismo.
— Precisamos sair daqui. – Ivy sussurra em meu ouvido. – Existe uma saída no final do banheiro, acha que consegue chegar até lá?
Balanço a cabeça em negativo, estava com a perna muito machucada, m*l conseguia me mexer na cama, quem diria fugir às pressas.
— Droga... preciso te tirar daqui. – sua voz é pensativa.
Um estrondo ecoa pelo quarto, e meu corpo se arrepia quando escuto rosnados próximos. Ivy grita quando seu corpo é arremessado contra a parede. Me sento na cama assustada e consigo ver um homem ruivo a encarar ofegante, seu corpo estava com diversos respingos de sangue e arranhados, suas roupas estavam sujas de terra e rasgadas, como se ele tivesse lutado em um lugar remoto.
— Fuja! – Ivy grita quando o homem pula em cima de seu corpo. – Fuja, Violet!
Atordoada, demoro alguns segundos até perceber o que estava acontecendo. Desesperada, olho ao redor e encontro o abajur.
— Vai logo, Violet! – ela grita enquanto segura o rosto do homem com as duas mãos; ele rosnava feito uma fera enquanto tentava morder Ivy.
A adrenalina corre pelas minhas veias, juntamente com a endorfina, noradrenalina e cortisol. Sentia meus instintos à flor da pele, como se pudesse correr uma maratona e ainda escalar uma montanha. Quando dei por mim, estava de pé ao lado do corpo de Ivy segurando o abajur. O misterioso homem ruivo estava desmaiado com sua cabeça sangrando.
— Você está bem? – pergunto me aproximando de seu corpo. Minhas mãos tateiam seu corpo em busca de ferimentos, estava completamente nervosa.
— Violet, sua perna! – sua voz sai espantada.
Olho para baixo e vejo meu ferimento esguichar sangue, meu corpo se arrepia ao ver a cena. Sinto um frio na barriga ao ver o homem se mexer.
— Precisamos sair daqui! – digo puxando sua mão. – Não temos tempo pra isso.
Ivy me olha com incerteza, não precisa ler mentes para saber sua preocupação.
— Você está perdendo muito sangue! – ela fala nervosa olhando para o chão. – Olha isso!
Olho para o chão, e um embrulho se forma em meu estômago ao ver uma poça de sangue ao redor de meus pés. Havia sujado as botas de Ivy e meus pés descalços. Era como se não fosse meu, como se isso não estivesse acontecendo comigo. Sentia o sangue quente escorrer pela minha perna e meu corpo tremer. O homem geme de dor no chão sinalizando que ele estava acordando. Ivy contorna minha cintura com seu braço e me ajuda a ir em direção ao banheiro.
Um rastro de sangue e pegadas sangrentas se forma no trajeto. Chegamos ao banheiro, e imediatamente eu tranco a porta. Ivy começa a arrastar com dificuldade um armário, ela o coloca atrás da porta que levava ao quarto.
Escuto passos vindo em direção ao banheiro, e meu coração acelera.
— Droga, ele já acordou? – minha voz sai baixa porém aflita. Olho para Ivy com ansiedade; ela era a única pessoa que poderia nos tirar dessa situação.
— Vem, precisamos sair pela janela. – ela me puxa pela mão me tirando dos meus pensamentos ansiosos.
Ivy abre a janela, e meu coração
acelera ao ver a altura. A encaro assustada e em seguida olho para a porta, agora com um armário encostado nela.
— Eu não vou conseguir! – minha voz sai trêmula. – Isso é muito alto, eu estou muito machucada!
Ivy suspira nervosa, suas mãos passam pelo seu rosto e ela solta um grunhido frustrado.
— Não posso te deixar aqui, esse armário não vai segurar essa porta pra sempre. – suas mãos seguram meus ombros. – Irei primeiro, então irei te pegar, okay?
Estava hiperventilando, sentia como se fosse entrar em pânico. Ivy segura minhas mãos e seu olhar se torna doce novamente, sinto minha respiração se normalizar.
— Okay... – Sussurrei sentindo meu coração acelerar. – Eu irei pular.