Transformação

1600 Words
Acordei sentindo uma dor aguda na perna. Abri os olhos e vi que estava em um quarto estranho, diferente do quarto que o Dylan me deixou. Olho ao redor tentando identificar alguma coisa, mas tudo era novo pra mim. Forço a visão ao ver uma silhueta na escuridão. Um abajur é ligado e sua luz faz meus olhos doerem. Quando finalmente consigo focar a minha visão, vejo uma mulher sentada em uma poltrona em frente a cama. Seu cabelo castanho claro era raspado na lateral e estava jogado sobre seu ombro esquerdo, apesar da pouca iluminação no quarto, pude notar seus traços delicados e uma cicatriz em sua bochecha. Ela arqueou uma sobrancelha quando percebe que estava a observando por muito tempo. — Finalmente acordou, humana. Essa voz… eu me lembro dela. Essa é a mesma voz que disse que queria me devorar. Arregalo os olhos e tento me sentar na cama, mas a dor em minha perna me faz soltar um gemido alto de dor. Maldição! Estava presa em um quarto desconhecido com essa maníaca. — Gosta de encarar as pessoas? Que foi? Eu não mordo.– Sua voz sai sarcástica, a mulher sorri de forma assustadora e um arrepio percorre por minha coluna. Sinto minha boca ficar seca e meu coração acelerar, o medo me dominava. A atmosfera do quarto era pesada, conseguia sentir o clima de tensão no ar. — Ao menos se me pedir, garotinha. – Seu rosto passa de uma expressão amedrontadora para maliciosa. — Não morde mas quer devorar as pessoas feridas. Me repreendi mentalmente por falar sem pensar. minha respiração fica ofegante devido ao nervosismo. A mulher eleva sua sobrancelha e ri dando de ombros. — Então você ouviu?– A surpresa em seu rosto some rapidamente e ela ri dando de ombros.– Que seja. Observava seus movimentos com total atenção, temia uma reação rude que botasse minha vida em risco. — Então é verdade. A Alissa não mentiu, você realmente consegue entender nossa língua. – sua expressão de administração logo muda para uma de desprezo.– Ao menos agora não vou precisar ficar falando nesse idioma patético que os humanos usam. Sua voz sai mais grossa e percebo que ela fala em outra língua, a mesma que falavam enquanto eu estava na cama. Ainda tentava identificar qual idioma era e porque eu o entendia perfeitamente. A mulher se levanta da poltrona e caminha em minha direção, seu olhar penetrante me observando atentamente. — Não precisa se preocupar, não vou devorá-la agora. – Ela diz, sarcástica. – Quero saber seu nome. Respiro fundo, tentando me acalmar e responder sua pergunta. — Meu nome é Violet. – Respondo, com a voz um pouco rouca. – O que aconteceu comigo? Ela parece considerar a informação por um momento antes de se apresentar. — Meu nome é Ayla. – Explica Ayla, com um tom de voz mais amigável. Ela me analisou por alguns segundos – você foi atacada por um daqueles sugadores de sangue nojentos. Eles são a verdadeira praga desse mundo e se não fosse pela aquela maldita bruxa já teríamos nos livrado deles! Sua reação irritada me assusta. Espere, ela disse bruxa? Essas pessoas eram doidas? Me chamam de humana como se eles não se julgassem humanos, falam de uma tal criatura sugadora de sangue e agora falam de bruxas? Eles acham que estamos em um jogo de RPG ou algo do tipo? Não consigo disfarçar minha incredulidade com toda a situação, Ayla me olha irritada. — Acha isso engraçado? – Sua pergunta sai como um rosnado de uma fera – Pode tirar esse sorriso i****a do rosto. Essa criatura foi o motivo de você quebrar sua perna, se eu não tivesse assustado esse verme, você estaria morta agora! Sua voz ecoa o quarto, me assusto com seu rosnado, a saliva pingava de sua boca e seus olhos estavam mais escuros. Ayla estava ofegante e todo seu corpo tremia. Como algo tão simples causou tal reação? — Ayla, me desculpa… eu agradeço que tenha me salvado. – Minha voz sai calma, apesar de me sentir o posto disso. – mas por favor, peço que se acalme. Essa sua reação é muito desproporcional. Parece que ela não estava me dando ouvidos. Ayla se apoia na parede e um grito gutural escapa de seus lábios. Me assusto quando a porta é aberta e vejo dois homens entrarem apressados. Os gritos de Ayla faziam meu corpo tremer, eram sons medonhos que jamais vi outro ser humano emitir. Ayla me olha e eu solto um grito de horror ao perceber que seu rosto estava mudando para uma forma demoníaca. — Merda, ela está se transformando. – Um dos homens fala segurando o braço de Ayla que se contorce como se estivesse tendo uma convulsão – ela não pode fazer isso agora, ela ainda está ferida e não vai aguentar! O outro homem se mantinha calmo, ele pega de seu bolso uma seringa e a injeta sem muito cuidado no pescoço de Ayla que desmaia alguns segundos depois. Estava apavorada, nunca havia sentido tanto medo na vida. Os homens saem do quarto me deixando sozinha. Me assusto quando a porta é aberta novamente, dessa vez um homem e uma mulher entram no quarto. — Quem são vocês? Onde estou? Por que me sequestraram?–Minhas perguntas saíram desesperadas e descontroladas, enquanto tentava entender o que estava acontecendo. Olhei para o homem e a mulher em busca de respostas, mas seus rostos permaneceram imóveis.– Me respondam! O homem suspirou, parecendo resignado, e se aproximou de mim. Me encolho devido ao medo e logo me arrependo de minha atitude pois minha perna dói ao ponto de quase me fazer desmaiar. O homem percebeu meu medo, ele se sentou na beira da cama e colocou a mão sobre meu ombro, tentando me acalmar. — Calma, nós não vamos te machucar. –Sua voz era calma e reconfortante, o que me fez relaxar um pouco. Entretanto, a incerteza do meu futuro ainda me deixava angustiada.–Queremos apenas que você fique bem. De fato, eles não eram humanos comuns, algo deveria estar acontecendo. Nenhuma pessoa comum iria ter a reação que a Ayla teve, nenhum ser humano comum iria emitir aqueles sons e deformar sua face daquela forma. — Por favor, me digam o que está acontecendo. – minha voz sai embargada – Eu não entendo nada. Vocês não podem ser humanos. O homem pareceu hesitar antes de falar, olhando para a mulher que permanecia em silêncio. — Eu sou Alaric e ela se chama Ivy. Somos uma alcatéia. Você está em nosso acampamento. Alcatéia? Acampamento? O que ele estava dizendo? Minha mente estava em um turbilhão, sem conseguir processar as informações. — Lobos? Acampamento? O que isso quer dizer? Alaric deu um suspiro profundo antes de falar, como se fosse difícil para ele explicar tudo. — Nós somos diferentes das pessoas que você conhece. Temos habilidades que os humanos não têm. Podemos nos transformar em lobos gigantes e viver em harmonia com a natureza. Não queremos te machucar, mas precisamos te manter aqui até sabermos o que fazer com você. Eu estava confusa e aterrorizada. Será que eu estava em um filme de terror? Como isso era possível? Eu só conseguia balançar a cabeça em descrença, sem saber o que dizer. Ivy se aproximou de mim com uma expressão preocupada. — Você está com fome? – sua voz é calma e doce me deixando mais confortável – Nós preparamos algo para você comer. Ela me ofereceu uma tigela com uma sopa quente e pão fresco. Eu estava com fome, mas não tinha certeza se deveria aceitar a oferta deles. — Por que estão sendo tão gentis comigo? – meu tom é autoritário. Ivy faz uma expressão confusa e recua alguns passos – Vocês não deveriam me matar e comer, como ouvi a Ayla falando? Ivy e Alaric pareceram surpresos e ao mesmo tempo ofendidos com a minha pergunta. — Droga, a Alissa contou sobre a atitude da Ayla. – Ivy fala nervosa – Não pensei que ela tivesse ouvido. Alaric suspira e passa sua mão em seu cabelo castanho escuro. — Aquilo foi um erro. Minha irmã se exaltou. Nós não matamos humanos. E você não é uma simples humana. — Não sou uma simples humana? Vocês são loucos. – Dou uma risada nervosa e passo a mão em meu rosto – Okay, vamos supor que por um segundo sequer eu tenha cogitado acreditar nessa ideia maluca que vocês são lobos e que essas lendas sobrenaturais são verdadeiras. Me diga, Alaric, que droga te faz pensar que não sou uma humana comum? Alaric não se abalou com minha resposta. Por um segundo até pude ver o entusiasmo em seus olhos cor de mel. — Você entende a nossa língua, o que é um sinal de que pode ter habilidades como as nossas. – Ele toca minha mão com gentileza e meu corpo se arrepia pois sua pele estava mais quente que a minha – Precisamos descobrir mais sobre você antes de tomarmos qualquer decisão. Seus olhos observam meu rosto em busca de qualquer resquício dos meus pensamentos. Estava confusa, me sentia uma criança que ainda aprendia coisas sobre o mundo. Eu me sentia perdida, assustada e vulnerável, mas também curiosa em relação às palavras de Alaric, embora não acreditasse nelas. Meu estômago ronca e Alaric me entrega o prato, resolvo aceitar devido a minha forte fome. Comia devagar saboreando a sopa quente e o pão macio. Ainda tinha muitas perguntas sem resposta, mas por enquanto, decidi apenas matar minha fome.
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