D A N D A R A
Duas semanas se passaram, entrei finalmente no segundo mês de gestação.
Sophia conversou comigo sobre como iria começar e já tive várias propostas para modelar. Começo amanhã mesmo, pois hoje já tenho que fazer ultrassonografia.
Terminei de pentear meus cabelos e vesti a calça jeans e uma blusa mais confortável, no pé apenas calcei uma rasteirinha mesmo e sai do quarto.
Desci as escadas e ao chegar na sala me assustei, estava minha mãe de frente para Gabriel e seus vapores.
— Eu não quero nada não, tia. Só vim mesmo conversar com a sua filha! — Ele falou enquanto minha mãe falava com ele.
— Você é surdo, menino? Ela não quer nem saber de você não, até porque nada vai faltar pra essa criança! E pode expulsando esses marginais daqui, você é importante lá fora, aqui você é pai do meu neto, bora!!! — Ela falou pra ele que escutava tudo atento.
— Está fazendo o que aqui? — Perguntei fazendo ele me encarar.
— Pô mina, vim te ver né! Posso conversar com você a sós? — Ele perguntou olhando para minha mãe.
— Pode sim! — Falei.
— Se precisar de ajuda você grita viu, Dandara?! — Minha mãe falou.
Subimos as escadas em direção ao meu quarto, abri a porta e deixei que ele entrasse. Percebi que ele observou cada canto do meu quarto, voltando a me olhar logo em seguida.
— Você veio aqui pra falar comigo, gostaria que fosse rápido pois tenho consulta. — Falei cruzando os braços.
— Você saiu de casa aquele dia toda brava pô, parecia até que eu tinha cometido um crime. Eu só quero ter certeza de que esse filho é meu mesmo, Dandara. Isso é errado? — Ele perguntou me deixando nervosa.
— É quando você sabe que eu não sou de ficar com ninguém, você mesmo sabe que só fiquei com você porque realmente me interessei. Caso contrário, nem estaríamos tendo essa conversa! — Falei séria.
O problema do Dante é achar que todas mulheres são iguais. Não é porque me interessei por ele bêbada e quis ir pra cama de primeira que eu seja igual as outras.
— Pô Dandara, facilita cara! Você é muito difícil de lidar, pensa comigo... — Ele respirou fundo. — Não estou dizendo que você é ou deixa de ser assim ou daquele jeito não, você é mulher e sabe o melhor pra você. Estou dizendo que não vou assumir um filho que não seja meu, só isso! — Ele falou.
— Eu não vou fazer teste de dna nenhum, até porque vai ser bem melhor essa criança ficar sem pai do que ter alguém ignorante assumindo a paternidade. — Falei calma.
Dante e Gabriel é a mesma pessoa, mas personalidades diferentes. E eu estou odiando conhecer a personalidade do Dante, o criminoso que não tem escrúpulos, que não tem caráter e que acha que todo mundo é igual.
De repente a porta do meu quarto foi aberta com total brutalidade, fazendo Dante pegar sua arma rápido enquanto Diego aparecia no quarto.
— Quem é esse maluco, Dandara? — Gabriel gritou.
— Cala a boca, seu merda! Você tá na minha casa gritando, você não tá no seu mundinho sujo não! — Diego respondeu.
— Eu achei que não tinha motivos pra desconfiar sobre seu caráter, sobre essa criança. Mas tô vendo que é só mais um tiquinho no mundo, né? Tiquinho de um e tiquinho de outro! — Gabriel falou e Diego acertou ele com um soco.
Me desesperei, não posso tentar separar essa briga deles não. Minha mãe entrou no meu quarto gritando Diego enquanto atrás dela entrava os valores do Dante.
Eles separaram a briga e pude perceber que tanto Diego quanto Gabriel estavam com os rostos sangrando.
— Isso não vai ficar assim não, filho da p**a! — Dante gritou apontando o dedo para Diego.
— Vai se fuder! Você vem na minha casa, fala o que bem quer pra Dandara e acha que vai ficar assim mesmo? Eu quero você bem longe da minha irmã, tá me entendendo!? — Diego gritou.
— Para! — Gritei fazendo todos olharem pra mim. — Com Diego eu resolvo depois, mas você? — Apontei para o Dante. — Eu quero você fora da minha casa, fora da minha vida! Sai da minha casa, bora! — Sai empurrando Dante pra fora do meu quarto, e continuando a empurrar ele pelas escadas abaixo.
— Eu vou Dandara, vou sim! Mas saiba que eu não quero saber mais nada dessa criança e muito menos de você! Quero que tu e essa criança se fod*, vai pra put* que pariu! — Ele falou com raiva.
Naquele momento senti um aperto no meu peito tão grande! Vi minha mãe descendo as escadas séria e já sabia que ela diria uns desaforos pra ele.
— Olha aqui, seu marginal! Eu não vou ofender sua mãe não porque ao contrário de você, ela deve ter caráter, deve ser uma pessoa maravilhosa! Coisa que você não é! Você está dentro da minha casa e eu exijo respeito, sai daqui antes que eu chame a polícia pra você! — Minha mãe falou com raiva.
— E vai dizer o quê? Que a sua filha se deitou com o marginal aqui? — Ele perguntou debochado.
Naquele momento minha mãe deu um tapa no rosto de Dante e eu até achei que ele fosse revidar, fiquei com muito medo disso. Mas não, ele não fez.
— Lave a sua boca pra poder falar da minha filha, é de Dandara Albuquerque que você está falando! Ela se deitou com você sim e de bom, só tem essa criança. Mas quanto a você? Bom, você é alguém horroroso, sem respeito algum. E eu não vou perder palavras com você mais não, sai! — Ela falou abrindo a porta.
Dante saiu levando os seus vapores juntos, deixando apenas eu e minha mãe na sala.
— Eu não vou te julgar, mas eu quero que você saiba da pessoa que você se envolveu. Vê se aprende seu valor e valorize a si mesma, você e seu bebê! — Ela falou subindo as escadas.
Me sentei no sofá pensando sobre tudo o que havia acontecido. Estava pensando muito em aceitar a proposta que tive paga atuar como modelo, mas agora já estou decidida!
Irei seguir a minha vida, eu e meu bebê!
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