D A N T E
Fiquei estranho em saber que Dandara havia ido embora daqui, quem me contou foi a Clara que obviamente, já havia contado para a minha mãe. Que, inclusive, ficou do lado da Dandara em absolutamente tudo.
Passou um tempo e eu tentava esquecer isso, mesmo que toda vez que eu colocasse a cabeça no travesseiro pensasse nela.
Ela não demorou para começar a me bloquear das redes sociais e privar tudo dela, não deixando eu ver absolutamente nada.
Clara já não fala mais comigo por conta disso e sempre que a vejo, ela está na ligação com ela. Esses dias ela postou no status do w******p um monte de coração azul, provavelmente é sobre o neném de Dandara que me excluiu da vida sem mais e nem menos! Mas é aquilo, minha vida não pode parar por conta de mulher não, ainda mais por conta dessa mentira ridícula que ela inventou. Comecei a me acertar com a Karol, ela é ex amiga da Clara e da Dandara e claramente ficou do meu lado ao saber sobre a mentira de Dandara. E olha que elas eram amigas, hein!
Minha vida continua sendo a mesma, a comunidade está cada dia mais tranquila e lá em casa segue na paz. Principalmente agora com Clara sem falar comigo e ficar me pedindo as coisas.
Entrei em casa no horário de almoço, estava cheio de fome e cansado abessa. Havia acordado cedo pra caramba pra fazer a ronda e ficar ligado na troca de plantão dos meninos.
— Cadê minha mãe? — Perguntei para Clara que estava sentada no sofá, ela me olhou e não me respondeu.
Caminhei até a cozinha e encontrei a minha mãe terminando de fritar as batatas fritas.
— Clara continua nessa palhaçada de não me responder. — Falei me sentando na cadeira, apoiando os braços na mesa.
— E com razão, você fez o que fez com a amiga dela né. — Ela respondeu curta e grossa.
— Não quero saber daquela ali não! — Falei já me levantando, pronto para sair da cozinha.
— Uma pena, pois ela me disse que está esperando um menino lindo que irá se chamar Nicolas. Ficamos até tarde conversando e eu decidi que quero você fora de casa. — Ela falou me fazendo parar de andar.
— Bom pra ela! — Respondi e me liguei no que ela havia acabado de falar. — Porquê? — Perguntei sem entender.
— Porque quando ela voltar com meu neto no colo, quero que venha me visitar, passar uns dias aqui e eu não quero que estresse ela. Então, aproveita que você já está com aquela cobra e vá morar mais ela! — Ela falou terminando tudo e colocando a comida na mesa.
Fiquei sem pique para almoçar então sai de casa, parei no bar e comecei a beber. Já sabia que dona Cátia estava decidida a não me deixar voltar, então, não iria insistir.
Confesso que mexeu comigo saber que ela está esperando um menino, e pior ainda, que se chamará Nicolas. Eu assumiria a criança numa boa, contanto que ela me provasse que a criança era minha mesmo.
Fiquei ali no bar bebendo maior tempo, até sss chegar junto com alguns dos seus vapores. Ele é gerente daqui também, o mano é a admiração nessa comunidade aqui. Principalmente pela mulher dele, que é fechamento nosso aqui. Qualquer problema é ela que a gente recorre.
Aqui ela é conhecida como a advogada do crime, aqui é outros quinhentos.
— Vim falar contigo, meu chefe. — sss falou assim que me viu.
— Pode falar, patrão! — Falei acenando para o menino que trabalha aqui, pedindo uma cerveja.
— Fiquei sabendo de umas paradas aí, e vim falar contigo primeiro antes de levar isso pra frente. — Ele falou já me assustando. Entre nós, sss é bem mais forte do que eu. — Que história é essa de agora tu fazer filho e não querer assumir? — Ele perguntou.
Aqui sss tem grande respeito e eu nem sei como esse assunto parou no ouvido dele, confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Até porque, o que é pessoal a gente deixa no pessoal.
— Pô sss, máximo respeito tá ligado? Mas isso é um assunto que eu devo resolver. — Falei sério.
— Deve resolver sim, mas não resolveu até agora. Pelo contrário, tu deixou a mãe do seu filho meter o pé pra Portugal. Dante, eu tenho seis filhos, cada um deles é grandemente especial pra mim, tanto pra mim quanto pra doutora. E eu fui o único que esteve mais presente nas gestações da minha mulher e nos partos também. São anos e mais anos juntos, e não me arrependo de absolutamente nada. Já pensou se nesse período, eu tivesse deixado a desconfiança falar mais alto? — Ele perguntou sério, me fazendo pensar no assunto.
— Você não teve motivos, Dandara chegou na minha vida do nada, sss. Eu nem conheço ela direito, ficávamos uma vez ou outra e a mina me aparece grávida. — Expliquei a situação.
— Quando eu voltei da cadeia também tive minhas desconfianças, eu e a doutora tivemos muitas desavenças durante muito tempo, e nem por isso eu deixei ela sair da minha vida com filho meu na barriga! — Ele falou.
— Eu vou tentar conversar com ela sobre tudo isso depois. — Falei por fim.
— Depois não, Dante. O seu depois talvez seja tarde demais, e seria muito r**m pra você ver ela conhecendo alguém que assuma o papel de pai na vida da criança. Eu não quis vim aqui, vim a pedido da Bruna. Ela e Dandara são amigas, além de patroa também! — Ele falou se levantando.
Fb apertou minha mão e saiu dali, me deixando pensativo. Ele é dono de uma das maiores comunidades, mas além disso, ele também é um grande parceiro. Todo mundo conhece a família dele, os filhos, as filhas e principalmente a esposa.
E realmente, não gostaria de pensar em outro homem assumindo um filho meu não, mas também tenho um pé atrás de essa criança ser minha mesmo.
Vou conversar com a Clara, quero ajuda dela para me reaproximar da Dandara para tentarmos ao menos criar essa criança juntos.
Meu menino, pô.
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