Os dias passaram lentamente para Isadora.
Cada amanhecer parecia aproximá-la de uma execução.
Enquanto as costureiras tiravam medidas para os vestidos de noiva, ela permanecia imóvel.
Sem entusiasmo.
Sem alegria.
Sem sonhos.
Apenas medo.
As criadas tentavam animá-la.
— Dizem que o castelo dele é magnífico.
— Dizem que os jardins são os mais bonitos dos reinos.
— Dizem que ele é muito rico.
Isadora apenas as encarava.
— Também dizem que cinco esposas dele morreram.
E o quarto mergulhava em silêncio.
Ninguém sabia o que responder.
Na semana seguinte, a comitiva real de Valdoria chegou ao reino.
Cavaleiros vestindo as cores de Magnus.
Carruagens luxuosas.
Presentes.
Joias.
Tecidos raros.
Livros.
Instrumentos musicais.
Tudo enviado para a futura rainha.
Quando as caixas foram abertas diante dela, Isadora observou sem emoção.
Até que algo chamou sua atenção.
Um pequeno estojo de madeira.
Dentro dele havia um delicado colar de prata.
E uma carta.
Ela hesitou antes de abrir.
A letra era firme e elegante.
"Princesa Isadora,
Imagino que esta união não tenha sido sua escolha.
Talvez também não tenha sido a forma como sonhou viver seu futuro.
Mas espero que, ao chegar ao meu reino, encontre respeito.
O colar pertenceu à minha mãe.
Ela acreditava que lírios representavam recomeços.
Disseram-me que são suas flores favoritas.
Magnus."
Isadora leu a carta duas vezes.
Depois uma terceira.
Aquilo não parecia uma ameaça.
Não parecia a mensagem de um homem c***l.
Mas ela rapidamente afastou o pensamento.
Um assassino podia escrever palavras bonitas.
Guardou a carta e fechou o estojo.
Tentando ignorar a estranha sensação que surgira dentro dela.
Enquanto isso, em Valdoria, Magnus recebia relatórios.
— A princesa recebeu os presentes.
— E?
O mensageiro hesitou.
— Não sorriu.
Magnus soltou um suspiro.
— Era esperado.
Naquela noite, ele caminhou sozinho pelos corredores do castelo.
Passando por retratos antigos.
Entre eles estavam os retratos de suas cinco esposas.
Ele parou diante deles.
Durante alguns segundos ficou apenas observando.
Cada rosto trazia uma lembrança.
Uma história interrompida.
Uma perda.
— Em breve haverá uma sexta rainha neste castelo.
Sua voz ecoou no corredor vazio.
— E todos acreditam que ela terá o mesmo destino.
O peso dessas palavras permaneceu em seu peito.
Porque, apesar de toda a sua força, havia algo que nem um rei conseguia controlar.
O medo dos outros.
Dias depois, finalmente chegou a manhã da partida.
No pátio do castelo de Isadora, a enorme carruagem real aguardava.
Os cavalos estavam prontos.
Os soldados alinhados.
As bandeiras tremulavam ao vento.
Isadora apareceu usando um vestido azul-escuro.
Pálida.
Os olhos vermelhos de tanto chorar durante a noite.
Sua mãe correu para abraçá-la.
As duas choraram.
O rei também parecia devastado.
Mas manteve a postura diante dos súditos.
— Você será uma grande rainha.
Isadora quase riu.
Não havia orgulho em seu olhar.
Apenas tristeza.
— Adeus, pai.
Quando entrou na carruagem, sentiu o coração apertar.
Era a primeira vez que deixava seu reino.
Talvez a última.
A viagem duraria vários dias.
E ao final dela estaria esperando o homem cuja sombra parecia cobrir metade do continente.
O rei Magnus.
Sem saber que, naquele mesmo instante, ele estava parado diante dos portões de Valdoria, observando a estrada principal.
Esperando notícias.
Esperando a chegada dela.
E, pela primeira vez em muitos anos, inquieto como um jovem prestes a encontrar alguém que poderia mudar completamente sua vida.
A viagem durou oito dias.
Oito dias em que Isadora m*l conseguiu dormir.
Toda vez que fechava os olhos, sonhava com histórias que ouvira desde criança.
O rei c***l.
O carrasco.
O homem que enterrara cinco esposas.
Quando a carruagem finalmente atravessou as fronteiras de Valdoria, seu estômago se revirou.
As montanhas cercavam o reino.
Os campos eram vastos.
As cidades pareciam prósperas.
As estradas estavam em perfeito estado.
Nada combinava com a imagem sombria que ela havia criado na própria mente.
Ao cair da tarde, o castelo surgiu no horizonte.
Gigantesco.
Majestoso.
As torres pareciam tocar as nuvens.
As muralhas eram impressionantes.
E centenas de pessoas aguardavam sua chegada.
Isadora sentiu as mãos gelarem.
— Alteza... chegamos — murmurou uma criada.
Ela não respondeu.
Seu coração batia tão forte que chegava a doer.
Do lado de fora, os portões principais foram abertos.
A carruagem avançou lentamente.
Soldados alinhados dos dois lados prestavam continência.
Servos observavam em silêncio.
E então ela o viu.
Magnus.
Parado no topo da escadaria principal.
Vestido de preto.
Alto.
Imponente.
Muito mais jovem do que ela imaginava.
E assustadoramente bonito.
Mas isso não diminuiu seu medo.
Pelo contrário.
Seu coração disparou ainda mais.
A carruagem parou.
A porta foi aberta.
Isadora permaneceu imóvel por alguns segundos.
Ela não queria sair.
Não queria dar aquele passo.
Mas não tinha escolha.
Respirou fundo.
E desceu.
O silêncio tomou conta do pátio.
Todos observavam.
Magnus também.
Os olhos dele se fixaram nela.
Por um instante, o rei ficou sem palavras.
A princesa era ainda mais bonita do que os retratos mostravam.
Mas o que mais chamou sua atenção não foi sua beleza.
Foi o medo.
Ela estava aterrorizada.
Era visível.
As mãos tremiam.
Os ombros estavam tensos.
O rosto estava pálido.
Como alguém caminhando para a própria condenação.
Aquilo atingiu Magnus de forma inesperada.
Porque ele percebeu que ela realmente acreditava que morreria ali.
Ele desceu alguns degraus.
Isadora deu um passo involuntário para trás.
O movimento foi pequeno.
Mas ele percebeu.
E aquilo doeu mais do que gostaria de admitir.
Magnus parou imediatamente.
Mantendo distância.
— Princesa Isadora.
A voz dele era grave.
Calma.
Ela fez uma reverência rápida.
— Majestade.
O silêncio voltou.
Ninguém ousava falar.
Até que Magnus surpreendeu a todos.
Ele fez uma leve inclinação de cabeça.
Um gesto de respeito.
— Seja bem-vinda a Valdoria.
Isadora ergueu os olhos, confusa.
Aquilo não era o comportamento que esperava.
Ele deveria ser arrogante.
Cruel.
Ameaçador.
Mas não parecia nada disso.
Magnus olhou para uma criada próxima.
— A viagem foi longa. Levem a princesa para descansar.
Os conselheiros trocaram olhares.
A cerimônia oficial estava preparada.
Os discursos também.
Mas o rei simplesmente ignorou tudo.
— Majestade... a recepção...
— Amanhã.
Sua resposta encerrou qualquer discussão.
Então voltou a olhar para Isadora.
— Você deve estar exausta.
Ela não soube o que responder.
Porque aquela era provavelmente a primeira vez que alguém demonstrava preocupação com ela desde que o casamento fora anunciado.
Magnus deu um passo para o lado.
Abrindo passagem.
— Ninguém a incomodará esta noite.
A princesa ficou imóvel.
Confusa.
Desconfiada.
Ele percebeu.
Claro que percebeu.
Ela analisava cada palavra como se procurasse uma armadilha.
Mas Magnus apenas se afastou.
Sem tentar tocá-la.
Sem sequer se aproximar.
Enquanto Isadora era conduzida para dentro do castelo, sentiu os olhos dele acompanhando seus passos.
Não de forma possessiva.
Nem ameaçadora.
Parecia mais... cautelosa.
Como alguém tentando não assustar um animal ferido.
Mais tarde, já instalada no enorme quarto preparado para ela, Isadora caminhou até a varanda.
A vista era linda.
Os jardins estavam iluminados por centenas de lanternas.
Ela respirou o ar frio da noite.
Tentando organizar os pensamentos.
Ouviu então uma conversa abaixo.
Duas criadas.
— Ela parece muito assustada.
— Você a culpa?
— Não.
A outra suspirou.
— É uma pena.
— O quê?
— Que ela tenha chegado acreditando nas histórias.
— E são mentiras?
A criada ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu trabalho neste castelo há quinze anos.
Nunca vi o rei levantar a mão para uma mulher.
Isadora congelou.
As palavras ecoaram em sua mente.
Ela permaneceu escondida na varanda, ouvindo.
— Então as rainhas...
— Morreram, sim.
Mas não pelas mãos dele.
O rei quase enlouqueceu de dor quando a última rainha morreu.
As vozes foram ficando distantes conforme se afastavam.
E Isadora permaneceu imóvel.
Confusa.
Porque pela primeira vez desde que tudo começara, uma pequena dúvida surgiu em seu coração.
E se o monstro que ela temia não fosse exatamente quem todos diziam que era?