Capítulo quatorze

1696 Words
As verdadeiras amizades. — Um dia quando eu crescer, quero contar todas as aventuras malucas e arriscadas que me envolvi e quero que meus filhos saibam com clareza quem foi a Anne Shirley-Cuthbert — digo enquanto estou lavando as xícaras usadas em um café da tarde da igreja que fora na lanchonete. — É bom saber que se orgulha de você mesma Anne — diz Margot preparando os últimos pães de queijo — eu queria ter histórias para contar aos meus filhos, mas minha vida é tão sem graça. — Você terá — lhe aperto o punho carinhosamente — está comigo me ajudando com a ideia maluca de falsa identidade. Ela da uma risada sem graça. — E hoje, hoje tem uma festa bombástica que vai acontecer na mansão de Roy Gardner, todos vão. Você deveria ir também. — Eu não sei, você sabe que eu não gosto de me envolver com aquele povo peçonhento. — Se te conforta, todos vão. Inclusive Cole. Sabia o quanto ela adorava a presença de Cole, certamente ele alegrava qualquer ambiente. — Mas é quarta feira — ela hesita — e amanhã é quinta, temos aula e trabalho. — Você mesma disse que está disposta a viver algumas coisas para poder contar aos seus filhos. — Está literalmente mudando tudo o que eu disse — ela repuxa os lábios em um sorriso — mas está certo. Prometa-me que Cole ficará ao meu lado. — Diana e Jerry vão, Jane Andrews também, tirando as garotas populares, Ruby Gillis tem uma inocência encantadora, apesar de fazer parte do círculo das oxigenadas ela é uma ótima companhia. — Ela não parece ser uma garota má. — E ela não é. — Mas e Gilbert Blythe... ele estará lá? — ela diz sugestiva enquanto erguia as sobrancelhas maliciosamente — não há nada confirmado mas parece que realmente ele e Winifred Rose terminaram. — Isso me dá náuseas — respondo — não eles terminarem, o medo de que ele sinta algo por mim. — Não são náuseas, são borboletas no estômago — ela diz contente — significa que definitivamente você está apaixonada por ele. Apaixonada por ele. No mesmo instante uma xícara escorrega de minha mão e espatifa no chão, milhões de fragmentos para todos os lados. E um grito estridente do Sr. Flyn cruzando a porta da cozinha com aquele olhar furioso capaz de cortar-me ao meio. — Anne Shirley-Cuthbert — ele grita — é a segunda vez que você quebra uma xícara essa semana. — Ontem foi um prato Sr. — respondo — me desculpe eu estava prestando atenção no... — Em que? — No rato Sr. Flynn — Margot o encara séria — tem um rato na cozinha que há dias estamos tentando m***r. — Sim, um rato — falo com concordando — ele é grande, bem grande. — Acreditamos que está procurando um ninho — ela mente tão bem — para... — A procriação — respondo — você tem que nos ajudar a matá-lo Sr. Flynn, isso acabaria com o nosso sucesso. A expressão dele de séria passa a preocupada. — Deveriam ter me avisado antes! — ele diz com espanto — fecharemos o final de semana para fazer uma detetização — ele pensa — e anunciaremos como uma reforma. — Ótima ideia Sr. Flynn — sorrio para ele que sai satisfeito da cozinha. — Ah Margot eu realmente não sei o que seria de mim sem você, agora mais do que nunca, você vai aquela festa. . . . Eram oito da noite quando fechamos a lanchonete e Diana chegou com Cole e peças de roupas lindíssimas. — Eu sou tão boa amiga que não pude deixar de pegar roupas bonitas para vocês — Diana tagarelou — você Margot ficará linda com esse vestido preto cheio de brilho, e você Anne, com essa calça de couro preta e essa regata de seda azul, melhor impossível. — Realmente você tem jeito para moda, admito — digo encarando seu rosto corado com o elogio — mas está frio, o que é uma surpresa, o final de semana estava tão delicioso com aquele sol intenso. — Bom, trouxemos duas jaquetas — Cole vibra com sua atitude — acham mesmo que deixaríamos nossas melhores amigas tremendo de frio a festa toda? — Absolutamente não — Diana puxa as jaquetas de sua mochila — graças a Deus Cole tem um carro, pois seria h******l chegar na festa de Roy Gardner com os fios de cabelos úmidos devido a neblina. — Ótimo dia para dar uma festa — Margot solta com pessimismo. — Não pense por esse lado, pense nas aventuras que essa noite tende a lhe proporcionar Margot — seguro em sua mão — você vai aproveitar essa noite independente de qualquer outra coisa. Prometa-me. — Eu prometo — os olhos dela se acendem como chamas de esperança. — Prontas para pegar geral? — Diana grita. — NÃO! — respondemos em uníssono. . . . A casa de Roy Gardner era deslumbrante, se localizava em uma das travessas da avenida principal e eu não tinha imaginado um lugar mais lindo do que aquela mansão, ao lado direito passava um riacho. A princesa Cordelia certamente não se sentiria melhor em nenhum outro lugar, era simplesmente perfeito. Queria ter estado aqui antes, quando minha imaginação era o meu único porto seguro. — Definitivamente essa casa saiu das páginas de livros encantados — digo com um sorriso tão radiante quanto a lua, apesar da névoa gelada que se mantinha firme, a luz da lua se sobressaltava nas nuvens escuras do crepúsculo — eu poderia ser de tudo aqui nesse belo lugar, desde uma camponesa até uma rainha, ou ninfa. — Ah Anne, quando você diz coisas poéticas o mundo se torna um lugar tão cheio de pureza. — O mundo é aquilo que vemos — encaro Diana que mantém os olhos brilhantes e suas bochechas vermelhas devido ao choque do frio em contato com sua delicada pele. — Certo, vamos entrar girls — Cole se certifica de que o carro está fechado. — Os pais de Roy viajam durante a semana — Diana diz contente — bem que os meus poderiam fazer isso também. — Entrem — a voz receptiva do garoto interrompe nossos olhares admirados para sua sala de entrada — podem deixar os casacos ali — ele aponta para uma porta. — aqui dentro está quente e garanto que não será preciso tanta roupa. O olhar dele desliza de maneira ousada sobre mim. Sinto minhas bochechas quentes, eu não estava acostumada com tanta ousadia, ainda mais sendo Roy o dono de um olhar tão feroz. — Acho que teremos uma leve disputa entre melhores amigos para atrair a atenção de uma suposta ruiva — Cole diz assim que o outro se retira — que escândalo. — Bom, para sua informação, não tenho nenhum tipo de interesse por Roy — declaro em minha defesa — jamais lhe daria qualquer tipo de liberdade, ele não faz meu tipo. — Olá Anne. Gilbert Blythe. Falou por detrás de mim, espero que de fato ele não tenha escutado nada. — Oi Gilbert — o encaro. No mesmo instante sinto uma pontada no tornozelo, eu conseguia andar melhor, mas sempre que fazia algo brusco, eu sentia a dor novamente. — Quer beber alguma coisa? — ele segura o meu indicador e eu sou literalmente empurrada por meus três amigos que estão atrás de mim. — Vá logo — disseram sem pausas. Acompanho o garoto que mantém uma postura vencedora. Óbvio que ele estava se vangloriando por não precisar se esforçar pra me atrair. Egocêntrico. Sinto-me obrigada a dizer umas verdades mas sou incapaz de fazer isso. Estragar aquele momento não seria uma boa história a contar para os meus filhos, e eu também não estragaria de jeito nenhum a noite da Margot, que se jogava na pista de dança ao lado de Cole. O sorriso dela estava tão radiante, que não me contive em sorrir ao vê-la tão cheia de ânimo. — O jeito que você cuida dos seus amigos é lindo — Gilbert me entrega um copo — eu admiro muito essa amizade indestrutível de vocês. — A vida toda eu desejei ter pessoas que me amassem — confesso, enquanto sinto os seus olhos fixos em mim — seria desprezível não amá-las na mesma intensidade. Sou completamente devota a nossa amizade. Devolvo aquele olhar que ele lança para mim. Por um momento sinto o coração aquecido, obviamente Gilbert não era um garoto egocêntrico, muito menos m*****o ou qualquer outra coisa semelhante. Apesar de ser difícil confessar, ele fazia com que eu estivesse caminhando sobre as nuvens, e aquela sensação borboletas no estômago era constante, quando ele estava próximo a mim. Conversamos por um longo tempo, era r**m não poder dançar. Mas o bom era que ninguém desconfiaria da mulher gato, eu não me conteria em dançar como ela. — Vi Winifred e Gilbert lá no fundo se beijando — Margot interrompe meus pensamentos com a voz ofegante — eu não queria te contar mas eu seria uma péssima amiga. — Sinto muito Anne — Diana aperta meu braço — acho que todos viram. — Eu sabia que ele não passava de um i****a — falo, mesmo mentindo. Eu estava arrasada — isso não significou nada para mim. Margot está com uma expressão séria. Seus olhos estavam fervorosos como se estivesse a um passo de fazer uma besteira. Sou impulsionada em um salto quando a vejo caminhando até Winifred, que está ao lado da piscina. — Você é uma tremenda VACA — Margot grita. Agora a atenção está toda nela. Começo a empurrar as pessoas que se aglomeram para tirá-la de lá. Gilbert está próximo e ela o encara. — E você um mentiroso desgraçado — ela aponta para ele. Winifred claramente está perdendo o controle. Tanto que em um impulso, joga bebida em Margot e lhe empurra na piscina. Droga. Ela não sabe nadar. As risadas altas ecoam, enquanto tudo que vejo, são as batidas de Margot na água. Não penso, não olho para ninguém. Simplesmente pulo, mas o pior de tudo isso era que eu também não sabia nadar.
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