Capítulo doze.

1440 Words
Refreshing cherry O dia estava lindo. Sinto meu corpo quente ainda antes de me levantar da cama, o que significava que era um belíssimo domingo de sol e eu adorava sentir os raios solares em contato com a minha pele, apesar da maioria das vezes eu ficar vermelha feito um pimentão. Caminho até o espelho, encaro meu reflexo, nada m*l. Um sono de beleza realizado com sucesso. O vídeo. Eu postei o vídeo ontem a noite, e ainda não tive um pingo de coragem de ver a proporção que ele havia tomado. Sei que não era pouca, pois apesar de eu não ter visto com os meus olhos eu conseguia ouvir a pequena vibração do celular que significava notificação nova. Coragem Anne. Puxo o aparelho que estava virado com a tela para baixo no criado mudo. Penso por alguns segundos, certo, vamos Anne é só um vídeo. Dígito a senha, e lá está o i********: de @cordeliafornow com uma chuva de comentários. Mostre seu rosto. O que garante que você não está fingindo? Fale sem uma voz computadorizada. Simplesmente estou adorando todo esse suspense. Me sinto em um filme. Mulher gato você tem uma mente brilhante. Gostaria que parasse de fazer hora e revelasse logo seu rosto. Esses olhos azuis não me deixam dúvida de que realmente é você. - Gil Blythe. Como ele conseguia dizer com tanta certeza que os olhos eram azuis? Estava escuro, eu não fiquei encarando ninguém fixamente, tinha luzes piscantes para todos os lados. @naoseievc. Não tenho dúvidas de que você realmente é a mulher gato. Você não é o Gilbert Blythe, é? O que me faria criar um i********: fake e comentar no vídeo com o i********: original? Não sei, conte-me quem é você. Qual a importância? Ainda não sei quem é você. E não saberá se não me disser quem é você. Está realmente acreditando que Gilbert Blythe sou eu, não é? Não sei. Mas eu não sou. . . . Não sei se criar expectativas era o recomendável, esse i********: anônimo estava me deixando um pouco duvidosa, e realmente porque Gilbert Blythe se esconderia por trás de um i********: anônimo e comentaria no seu normal? Eu precisava descobrir quem era @naoseievc, na verdade, eu precisava descobrir se pertencia a ele. . . . Segundas são sempre o pior dia da semana, não queria nem pensa que depois do ensaio eu teria que ir para a lanchonete, um dia sem ir por causa da folga pode ser considerado o melhor dia da minha vida, sem dúvidas. — Bom dia princesa Cordelia — Diana cruza o corredor com aquele sorriso perfeito e cheio de brilho. — Não, não não — repreendo — ninguém pode saber que o nome Cordelia pertence de alguma forma a mim. — Me esqueci disso — ela desmancha o sorriso e percorre os olhos no corredor, estávamos sozinhas. — Preste atenção, preciso descobrir quem é o dono desse i********: anônimo, ele está me deixando maluca m*l consegui dormir pensando nisso. — Estava pensando nisso ou torcendo indiretamente para que o dono fosse Gilbert Blythe? Olha, talvez só seja alguém tirando um sarro da sua cara. — Ontem na lanchonete Gilbert e Roy estavam criando teorias sobre quem era a possível mulher gato — Margot se junta a nós — e Gilbert disse a Roy que ainda acreditava que era você. Olhos inconfundíveis - foi a expressão que ele usou. Fico encarando-a perplexa. — Então Roy deu uma bela zoada nele e disse isso é o que você quer que seja — completou. — Ele estava no celular? — Não tirou os olhos até que a Queen Bee chegou com a simples teoria de que, a mulher gato é um garoto. — O que? Ela caí na gargalhada. Suas bochechas ficam vermelhas e ela solta: — Então Gilbert e Roy responderam no mesmo instante - não dava para ver nada entre as pernas dela. — Eles deveriam reconhecer um homem e suas... Marcas. — A roupa estava grudada, era impossível ser de um homem. E Winnie só tem inveja porque todos sabem que não é ela. Está perdendo de fato o reinado que custou para ter. O sinal toca. — Vamos para a aula, hoje tenho ensaio às dez. . . . Assim que cruzo o batente da sala dou de cara com Roy que me encara com aquele seu sorriso atípico. Ele me acompanha com o olhar até que eu chegue em minha mesa e despeje todo o meu material em cima. Me sento, e ele para na minha frente inibindo-me com aquele olhar frenético. — O que foi? — digo impaciente. — Eu não sei o que deu na cabeça de Blythe para ter tanta certeza que você é a suposta mulher gato. No vídeo era nítido ver que ela não tinha tantas sardas espalhadas naquele rosto. — Eu vi o vídeo também — minto — e realmente, ela não se parece nem um pouco comigo, a não ser por esses olhos. Mas quantas pessoas tem olhos azuis no mundo? Talvez ela nem seja de Avonlea, nem de Charlotettown ou de Carmody. Ele assente. — Mas ele diz com tanta convicção que quase me faz acreditar nessa ideia maluca. — As pessoas vêem aquilo que desejam ver Roy — seguro o seu indicador — pode ser qualquer garota aqui, até a própria Winifred Rose. — Não — ele gargalha — ela cogitou que fosse um garoto. — Impossível — responde de imediato e ele suga os lábios como resposta — digo, não dava para ver nada entre as pernas. Ele ergue os ombros em concordância. — Realmente, é impossível ser um garoto. O professor entra na sala e finalmente sou liberta daquele olhar inibidor de Roy Gardner. . . . Eram dez horas. O esquadrão das oxigenadas já estavam na quadra poliesportiva por um milagre, não era sempre que chegavam na hora. — Gilbert deu uma dura em Winifred por ela fazê-la ficar aqui enquanto demoramos propositalmente para vir — Ruby cochicha sem ninguém ver. — Propositalmente? Ela movimenta a cabeça em um sim. Enquanto acredito que torce para não ser descoberta. Ruby você simplesmente é a garota perfeita. Mesmo sem saber disso. — Vamos começar abelhas — Winifred grita — vamos mostrar a Anne como fazemos o levantamento. Paro no meio da quadra para observar. — Anne vá para o meio das garotas, elas vão te levantar. — O que? Mas eu nunca tinha feito isso e eu nem sei como... — Vamos, está com medo? Cruzo os braços, encaro-a. Certo, não deve ser tão difícil. Ela solta a música. Josie mostra onde eu devo colocar os pés. Eu não tenho medo de altura, mas não saber exatamente o que fazer é um tanto desesperador. Me sinto vitoriosa, estou em cima, enxergando todas as festas brilhantes e sorrisos das garotas, mas sou surpreendida quando a Queen Bee grita: — Salto no ar. As meninas me impulsionam para cima, e me deixam para dar aquele formoso salto que dá uma parada perfeita em cima do carpete. O problema disso tudo era, eu não sabia a forma certa de pousar, apesar de ter dado o salto inteiro, na hora que cai senti uma dor aguda em meu tornozelo. — Ops — ela solta com um sorriso de canto. Ela pensa que eu não vi. — Anne — a voz de Gilbert invade a quadra. Sinto uma lágrima percorrendo meu rosto. Apenas uma lágrima. Ele se abaixa e seca a lágrima que já estava na curva acentuada de meu queixo. Seus dedos palpam meu tornozelo. — Você só torceu. Ele me dá a mão para que eu me levante, mas quando forço o tornozelo para conseguir me apoiar sobre os dois pés, sinto novamente uma dor, porém dessa vez pulsante. Sem hesitar, ele me puxa para cima, novamente em seu colo, carregada como uma noiva. — Gilbert — Winnie diz com a voz indignada. — Depois vamos conversar Winifred. Claramente ele viu que ela havia feito de propósito. A questão é, o que ele estava fazendo vagando nos corredores do colégio? — Eu sei que ela não é uma garota fácil, e eu estou ficando farto disso. Não digo nada, só admiro de perto a perfeição de seu masseter emoldurando suas expressões. Ele me encara. Olhos... Olhos... Olhos... Cruzamos a porta da enfermaria e ficamos segundos nos encarando. Seu rosto se inclina devagar mas não consigo tirar meus olhos daqueles perfeitos lábios. Hálito de cereja refrescante. Estamos próximos demais para um beijo, até que somos interrompidos pela voz da moça da enfermaria: — Oh céus o que aconteceu com você Anne?
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