Luma
Tenho medo, com certeza, mas nunca vou abaixar a cabeça para ninguém, principalmente sabendo que estou certa. Ele sabe que foi a namoradinha dele que começou a briga e vem cheio de marra na minha casa botar bronca em cima de mim. Não aceito! Ele vai ter que me dar R$ 250 se eu perder aquele trabalho, sim, e eu só vou pagar metade da dívida toda vez que estiver junto lá. Não quero saber, comigo também é pouco papo. Ele ficou me olhando com cara de b***a e eu fiquei com a porta aberta esperando ele sair. Ele cruzou os braços me olhando e confesso que me deu um pouco de medo porque ele tem 2 m de altura e eu, com os meus 1,65 m, metendo maior marra para cima dele. Com certeza, isso ia dar confusão.
Dogão: Fecha a p***a dessa porta porque eu ainda não terminei de falar com você! Você tá pensando que eu sou quem, c*****o? Tá pensando que eu sou seus amiguinhos? Tá pensando que eu ando contigo para você ficar cheia de marra para cima de mim? Se liga na tua responsa nessa p***a!
Ele falou se aproximando de mim e eu fui me afastando porque eu não sou nenhuma maluca surtada. Sim, mais maluca, não.
Luma: É claro que você não entende as coisas, né? Eu perdi um trabalho e, para mim, isso vai fazer diferença no final do mês. Para sua namoradinha, tanto faz, porque ela é só marmita e você banca ela. Mas sou eu que coloco comida na mesa aqui de casa desde que meus pais morreram. É difícil para mim! Eu não posso ficar perdendo o trabalho porque as suas mulheres querem arrumar confusão comigo. Eu nem estava olhando para você, eu só estava servindo a sua amiga e agora eu perdi o pouco dinheiro que eu já não tenho. Você sabe a diferença que esses R$ 250 chegariam na semana e como isso vai fazer diferença na minha vida?
Ele respirou fundo, passou a mão no rosto e foi andando até o sofá.
- Ei, eu mandei você sair da minha casa, não se sentar no meu sofá!
Dogão: Tu tá doida para ficar sem a língua, né?
Luma: Eu tô cansada.
Dogão: E eu tô com fome! O que tem pra comer de bom nessa casa? - ele falou olhando para o meu corpo e eu fiquei sem graça. Eu com certeza estou vermelha.
Luma: Nada, eu ia comer no bar depois que o trabalho terminasse.
Ele pegou o celular e começou a mandar mensagens. Eu fiquei encarando ele, encostada na parede, e ele ficou me olhando.
Dogão: Até que a tua casa é bonitinha.
Luma: Tem que ser a escrava aqui, se mata.
Ele ficou me encarando com um sorriso de lado e, depois de alguns segundos, minha campainha tocou.
Dogão: Deixa que eu abro.
Ele foi andando até a porta e, quando voltou, trouxe uma pizza, um refrigerante e um açaí.
Luma: O que é isso?
Dogão: Comida.
Luma: Jura? Nem notei.
Dogão: Você falou que ia comer no bar, então eu achei que tinha que pagar um lanche para você, já que eu fiz você perder o seu emprego. Isso daí é bagulho que tu tá falando.
Luma: Eu não falei que foi você, falei que foi a sua namoradinha, aquela babaca do c*****o! Eu vou descer o braço nela se ela ficar me perturbando. Pelo morro, não adianta falar que vai raspar minha cabeça. Cabelo cresce, mas as porradas que eu vou dar nela vão ficar na carinha dela, aquela frouxa.
Dogão: Hahaha! Aí, na moral, das vezes que eu te vi na pista, tu parecia ser suavona, mas de perto tu é boladona, né?
Luma: Eu só não gosto que as pessoas fiquem mexendo comigo. Eu sou trabalhadora demais para ficar aceitando seu saco de pancada de outras pessoas. A vida já me bate o suficiente.
Eu fui até a cozinha e peguei dois copos. Nós começamos a comer e ficamos em silêncio, mas ele não tirava os olhos do meu corpo. Era como se ele estivesse me comendo de roupa. Deus me livre! Eu tenho que tirar esse homem da minha casa o mais rápido possível.
Dogão: Tu vai mesmo pagar a dívida do teu irmão da forma que tu falou?
Luma: Uma parte dela, sim, até porque eu não tenho dinheiro todo e foi o único jeito que você aceitou, né?
Dogão: Então amanhã à noite você se arruma. Eu vou mandar um dos meus vapores vir te buscar.
Eu engoli em seco as palavras dele, mas estava tentando manter a calma.
Luma: Já.
Dogão: Ué, você achou que ia demorar quanto tempo? Eu tô com pressa de receber essa dívida. Eu acho que vai ser divertido. Vai de vestido e sem calcinha, assim facilita.
Luma: Você é escroto.
Dogão: Vou me adiantar. Amanhã, às 20:00, meu vapor vai vir na tua direção e pode pagar o valor tirando o prejuízo do trabalho que você perdeu.
Ele saiu e eu fiquei com a cabeça a mil. Eu não esperava que ia ser assim de cara.