A cela provisória cheirava a ferro e desespero. O colchão fino não trazia conforto, e a solidão era um castigo maior que qualquer sentença. Helena Castro, a mulher que já comandara conselhos e festas de gala, agora passava as noites em claro, com os olhos fixos no teto mofado. Ela sabia que estava perdida. A delação de Isabela era devastadora. As provas acumuladas pelo Ministério Público não deixavam margem para manobras jurídicas. Mas Helena ainda tinha algo: memórias e registros antigos que poderiam arranhar a imagem de Miguel. "Se eu cair, ele também sangrará." — pensou, apertando os punhos. No dia seguinte, seu advogado entrou na sala de visitas do presídio. Helena o recebeu com olhar gélido. — Quero que marque uma reunião com Miguel. — ordenou. — Mas não aqui. Quero encontrá-lo em

