Capítulo 11 — Guerra Declarada

407 Words
Miguel estava no meio de uma reunião quando recebeu a ligação de um número desconhecido. Atendeu por impulso. — Sr. Miguel Castro? — era a voz do gerente da cafeteria. — Desculpe incomodar, mas achei que o senhor deveria saber… a Ana não trabalha mais conosco. Miguel endireitou-se na cadeira, o tom da voz se tornando frio. — Como assim? — Foi… complicado. Recebi uma ligação de uma pessoa influente. Ficou claro que, se eu não dispensasse a Ana, meu negócio sofreria consequências. Ele não precisou perguntar quem era. Sabia. Miguel desligou sem dizer mais nada. O sangue martelava nas têmporas. Ele se levantou bruscamente, derrubando a cadeira no chão. — A reunião acabou — disse, e ninguém ousou perguntar o motivo. Helena estava no salão de eventos do hotel da família, supervisionando a montagem para uma recepção de gala, quando Miguel entrou. Não havia sorrisos, cumprimentos ou formalidades. Apenas passos decididos e olhos que anunciavam tempestade. — Você a fez perder o emprego — disse, indo direto ao ponto. Helena nem fingiu não entender. — Ah… então já sabe. — Como você pôde? — ele avançou um passo, a voz carregada de incredulidade e raiva. — Você cruzou todos os limites. — Eu protegi você — ela respondeu, calma, como se a frase fosse lógica e suficiente. — Aquela garota é um problema. Eu apenas removi a distração. — Distração? — Miguel riu, sem humor. — Você está falando da mulher que eu amo. Helena ergueu as sobrancelhas, como se a palavra tivesse sido usada fora de lugar. — Você não ama, Miguel. Você está… fascinado. Isso passa. — Não vai passar — ele disse, firme. — E cada vez que você tenta separá-la de mim, só me afasta mais de você. — Se ficar com ela, vai destruir tudo o que construímos — Helena retrucou, a voz agora mais dura. — Vai perder aliados, acordos, respeito. E ela vai ser a causa. — Prefiro perder tudo do que viver a vida que você quer — Miguel disparou. — Não vou ser um fantoche. Os dois se encararam, o silêncio carregado como pólvora prestes a explodir. Por um momento, Helena pareceu buscar algo no olhar dele, talvez hesitação. Não encontrou. — Então estamos em lados opostos — ela disse, finalmente. — Parece que sim — ele respondeu, virando as costas. E, enquanto saía, Miguel sabia que aquela não era mais apenas uma disputa familiar. Era guerra.
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