O dia tinha sido longo. Miguel saiu da empresa mais tarde que o habitual, carregando nos ombros não só as pressões do trabalho, mas também as de casa. Helena ainda se recuperava do acidente, Isabela permanecia enigmática com sua gravidez e Duarte, o detetive, prometera notícias em breve. Tudo isso deixava sua mente em constante alerta. Quando entrou no elevador social do prédio, já passava das nove da noite. O silêncio do hall de entrada foi quebrado pelo barulho da mudança. Caixas, móveis sendo carregados, vozes abafadas de funcionários da transportadora. Ele franziu o cenho. Não estava acostumado a ver tantas pessoas circulando naquele andar. Ao sair do elevador, cruzou com uma babá que segurava pela mão um garotinho de cerca de cinco anos. O menino tinha olhos castanhos profundos

