Dantas entrou no escritório de Helena com um sorriso contido. Vestia o mesmo terno amarrotado de sempre, mas seus olhos brilhavam com algo que só poderia ser interesse.
— Boas notícias — começou, sentando-se sem ser convidado. — O Miguel desistiu da procura. Oficialmente, o caso está encerrado.
Helena serviu-se de café, sem demonstrar emoção.
— Ótimo. Então não há mais motivos para estarmos em contato.
— Ah… — Dantas inclinou-se para frente. — É aí que entra a minha proposta. Manter o silêncio sobre tudo isso… tem um preço. E, como a senhora sabe, silêncio é caro.
Helena ergueu uma sobrancelha.
— Está tentando me chantagear, Dantas?
— Vamos chamar de “garantia”. — Ele cruzou os braços. — Cem mil agora, e eu desapareço com essa história. Para sempre.
Helena riu baixo, sem humor, e abriu uma gaveta do lado da mesa. Retirou um envelope já preparado, como se tivesse previsto o movimento dele.
— Está tudo aqui. Mas, antes… — Ela puxou um documento de três páginas. — Vai assinar isso.
Dantas pegou o papel e leu rapidamente. Era um contrato de confidencialidade, com cláusulas que o impediam de comentar, revelar ou usar qualquer informação obtida durante o trabalho.
Havia também uma linha clara: “Qualquer tentativa de chantagem resultará em ação judicial imediata e indenização milionária.”
— Forte demais, não acha? — ele disse, tentando manter o tom casual.
— Não — respondeu Helena, com frieza. — É exatamente o suficiente para garantir que homens como você saibam o lugar que ocupam.
Por um instante, Dantas hesitou. Mas a quantia no envelope falava mais alto. Pegou a caneta e assinou.
Helena recolheu o contrato, guardou-o cuidadosamente e deslizou o dinheiro para ele.
— Negócio concluído. Agora, desapareça da minha vida.
Dantas levantou-se, ajeitou o paletó e sorriu.
— A senhora é realmente mais perigosa do que dizem.
— E você mais t**o do que pensa — respondeu Helena, voltando a folhear um documento como se ele já não existisse.
Ao sair, o investigador sabia que havia ganho um bom dinheiro… mas também tinha a estranha sensação de que, com Helena Castro, cada vitória tinha prazo de validade.
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Na sala silenciosa, Helena recostou-se na cadeira.
Agora, com Miguel sem pistas e Dantas calado por contrato, o segredo estava blindado.
Ou assim ela acreditava.