A noite era gelada no presídio. Helena estava encolhida no catre, os olhos abertos, sem conseguir dormir. A televisão comunitária havia transmitido mais uma vez os trechos da entrevista patética de Isabela, implorando por atenção. Helena sorriu com desprezo, mas logo uma ideia atravessou sua mente como um raio. "Se ela está desesperada… então ainda pode ser útil." Levantou-se, pegou papel e caneta e começou a escrever. As palavras surgiam afiadas, como facas: "Isabela, sei que está sendo destruída pelo mesmo público que antes a aplaudiu. Sei que sente falta do palco, do poder e do nome que perdeu. Eu também sei quem é seu verdadeiro inimigo: Miguel. Não se engane, Ana só é o rosto bonito que ele usa para te apagar de vez. Mas juntas, podemos mudar isso. Pense bem. Quem mais pode te dar

