O carro avançava pelas ruas discretas da cidade, longe das avenidas iluminadas e do fluxo da mídia que parecia acompanhar cada passo de Miguel Castro. No banco do passageiro, Isabela ajeitava a bolsa no colo, as unhas tamborilando nervosamente no couro. — Onde estamos indo? — perguntou pela terceira vez, a voz tensa. Miguel não desviou o olhar da estrada. — Já disse. A um laboratório de confiança. — A frieza em seu tom não deixava espaço para discussão. Ela bufou, tentando disfarçar o medo com sarcasmo. — Você fala como se eu tivesse algo a esconder. Ele soltou uma risada seca. — Talvez tenha. E é exatamente por isso que não vamos a nenhuma clínica que você escolheu. O silêncio se instalou. Isabela virou o rosto para a janela, mordendo o lábio. Cada quilômetro que passava era como

