O som das portas de vidro se fechando ecoou como um alívio nos ouvidos de Ana.
Ela observou, da fresta discreta da porta de serviço, o carro de luxo se afastar e desaparecer na curva da rua.
Somente então sentiu que podia respirar.
Encostou-se à parede fria, tentando acalmar o coração que ainda pulsava acelerado.
Aquela não era a hora. Não com Helena ali, observando tudo com aquele olhar clínico e calculista.
Se ela percebesse algo… se desconfiasse… Ana sabia que não mediria esforços para destruir qualquer ameaça à imagem e aos interesses da família Castro.
E Gabriel…
Ela baixou o olhar para o filho, que se aproximava correndo, um sorriso inocente no rosto e o biscoito ainda nas mãos.
— Mamãe, falei com um moço muito legal! — disse, empolgado, sem imaginar o peso que suas palavras carregavam.
Ana sorriu, tentando manter a voz firme:
— Que bom, meu amor…
Mas por dentro, o medo a corroía.
Ela sabia a verdade — a verdade que ninguém mais podia saber.
Gabriel não era apenas um garotinho encantador. Ele era filho de Miguel Castro.
E enquanto Helena respirasse, contar isso significaria expor o filho ao perigo.
Segurando a mão dele com força, como se quisesse protegê-lo do mundo inteiro, Ana tomou a única decisão possível: manter o segredo, não importa o quanto isso lhe custasse.