Are you...?

4628 Words
Já eram quase seis horas da tarde quando Liam finalmente conseguiu se livrar de Niall e o tal funcionário novo. Praticamente estava servindo de guia para o jovem, explicando o trabalho do início ao fim, mostrando a empresa, sempre acompanhado de Horan. Conheceu os chefes e não teve tempo de sentar para trabalhar de fato em algum projeto ou até mesmo saber o que Zayn havia achado do presente — lembrou-se nervoso de Harry pedindo que ele assinasse o cartão mesmo que não fizesse perguntas demais. Liam não queria ver Harry com certa antipatia, porque amava Louis como um irmão e só queria vê-lo feliz. Mas tinha um carinho e uma amizade imensa por Eleanor. Mas aquele homem gigante com um sorriso tão calmo era incapaz de despertar qualquer sentimento negativo em Payne. Ele acabou gostando de Harry meio que sem querer e agora era tarde demais, o moreno já tinha conquistado seu coração. Desejava apenas que ele fizesse seu melhor amigo feliz, pois era o mínimo que ele poderia pedir depois de, mesmo indiretamente, fazer Louis acabar com seu casamento pra ficar com ele. Liam assinou o cartão que Harry pediu porque achou que, no fundo, era um bom conselho. Achou que falaria com Zayn apenas no dia seguinte, talvez mais tarde quando ligasse pra ele — se tivesse coragem — para perguntar o que tinha achado do presente. Estava cansado, pois estava fazendo um esforço sobre-humano para conseguir se concentrar em tudo ao mesmo tempo, já que não tirava Zayn de sua cabeça. Perdeu a conta de quantas vezes olhou no celular para ver se havia alguma mensagem dele e, foi assim, que entrou em sua sala novamente, olhando para o aparelho. — Ei. — Ao ouvir a voz de Zayn naquela sala tão silenciosa, Liam quase pulou de susto. — p***a, Zayn… — Ele disse baixinho, levando a mão ao coração, não estava esperando encontrá-lo ali. Achou que já tinha ido embora há muito tempo. — Desculpe. — O moreno bonito disse segurando o riso, era bom rever Liam sendo espontâneo novamente. — Eu estava te esperando. Liam não disse nada, já sabia o motivo. Olhou em cima da mesa do outro, viu a orquídea ao lado do computador dele e o bilhete embaixo do vaso. Achou bonito a forma que ele havia montado aquele pequeno espaço, mesmo que não fosse necessário deixa a flor tão a vista. Zayn se aproximou dele tão inseguro que até mesmo Payne percebeu. Eles não tiravam os olhos um do outro e, como se Zayn não conseguisse manter-se em pé ao ver aquele rosto tão sóbrio e tão cru, era um Liam Payne sem máscaras. — No momento em que coloquei os olhos em você há duas semanas, eu te achei de longe um dos homens mais bonitos desse lugar. — Zayn disse rindo, sincero, fazendo Liam também ficar ligeiramente sem graça, olhando para os próprios pés. — Mas eram apenas brincadeiras, até mesmo Niall costumava encher meu saco dizendo que eu babava demais em você. — Malik não sabia porque estava fazendo tantos rodeios, mas era como se tentasse retomar uma conexão que tinham perdido no fim de noite daquela boate. — Eu não sabia que você era gay. — Liam disse lembrando-se de sua surpresa ao deparar-se com a mensagem de Zayn quando chegou à boate aquela noite. — Louis sempre diz que tenho uma sensatez muito r**m, sou muito devagar quando se trata de pessoas. — Ele concluiu fazendo Zayn rir. — Tudo bem. — Zayn fez um sinal com a mão, rindo até do jeito do outro, como se desculpasse por ser ingênuo. — O que quero dizer é que eu não esperava que eu fosse realmente criar isso por você, essa… Coisa. — Zayn nem sabia direito o que era. — Eu tenho medo de me envolver, Liam, eu já sofri demais. E me apaixonar por um homem hétero é a última coisa que eu preciso nesse momento da minha vida. — Mas eu… — Liam se aproximou sem saber o que dizer. Apesar de saber o que queria, estava ainda inseguro. — Eu não paro de pensar em você. — Liam, ouça… — Zayn sentia seu cérebro dando voltas. Aquele homem era bonito demais. — Eu não tenho essa condição emocional de esperar por alguém, de ensinar… De esperar pra ver o que você quer. Eu preciso de uma pessoa que saiba o que é e saiba do que gosta. — O que quer dizer? — Liam disse se aproximando do outro ainda mais. Sentia falta de tocá-lo, por mais que não tivesse feito muito aquilo, já sentia-se quase dependente. Queria fazer de novo, queria mais. — Eu quero dizer que eu não quero me magoar. — Zayn foi honesto, mas a proximidade de Liam estava deixando-o confuso. — Agradeço seu presente e eu desculpo, é claro que sim… Peço desculpas por ter dispensado passar o final de semana com você, espero que você me entenda melhor agora e… Liam não estava mais ouvindo coisa alguma, simplesmente o beijou como se fosse sua forma mais eficaz e rápida de simplesmente fazer aquele homem se calar, já que seus olhos diziam coisas completamente diferentes das traduções de sua boca. Liam sentiu Zayn o corresponder como se simplesmente não pudesse evitar. Payne o segurou pela cintura e o abraçou forte, não era tão assustador como ele havia imaginado e, apesar do nervosismos e da confusão mental de Zayn naquele momento, era quase impossível não encaixar aquele beijo ou impedir que a língua de Liam o invadisse como se não tivesse nenhuma dúvida de que queria fazer aquilo. Liam sentia a barba m*l feita do outro roçar em seu rosto e pouco importava se m*l conseguia respirar, a única coisa que ele sentia era o corpo de Zayn relaxando em seus braços, se entregando àquilo, mostrando que era inútil mesmo lutar. Não sabiam exatamente por quanto tempo estavam fazendo aquilo, mas foi muito. Nenhum dos dois aprecia querer largar, como se soubessem que precisariam voltar com seus pés no chão assim que abrissem os olhos e descolassem suas bocas. Malik tentou parar o beijo mais de uma vez, mas Payne novamente buscava sua boca como se fosse uma droga viciante, como se fosse impossível continuar vivendo sem aqueles lábios e aquela língua macia e tão doce. — Liam, pelo amor de Deus… — Zayn dizia ofegante, mas Liam somente aceitou parar de beijá-lo apenas para descer seus lábios pelo pescoço do outro, pressionando seus corpos ainda mais. Ele lambia a pele do outro, sentia o gosto dele e o cheiro de perfume. — Liam… Já chega… — Zayn tentava, em credibilidade nenhuma. — Mas que merda, pare com isso… — Sua voz já era um gemido e Liam sabia que, apesar das palavras escolhidas, aquilo era um pedido de mais. Liam explorava o corpo do outro, percebendo seu m****o começar a endurecer, não hesitou em apertá-lo e massagear por cima da calça dele. Ele ouviu Malik gemer quando mordeu seu queixo, subindo até seus lábios novamente e novamente invadindo a boca dele com sua língua. Estava perdido em seus próprios instintos sexuais, em seu próprio sórdido prazer de continuar mesmo que soubesse que deveria parar. — Me deixa te chupar… — Liam pediu falando perto do ouvido de Zayn. — Estamos no trabalho, Payne, já chega disso… — Zayn dizia sentia sua calça apertada no quadril, a mão de Liam continuava massageando seu m****o duro. — Deixa… — Liam pediu novamente, quase implorando. — Liam… — Malik gemeu. — Por favor… — E ele insistiu. — Não. — Zayn disse tentando ser firme. Abriu os olhos e olhou para Liam, que baixou os olhos para a calça do outro e apenas ficou observando o que ele mesmo tinha feito. Zayn tentou tirar a mão de Liam de onde estava, mas Payne segurou seu pulso e continuou o que fazia. — Eu quero saber como é… — Liam pediu honesto, mas extremamente e******o. — Goza na minha boca… — Liam começou a abrir a calça do outro, que claramente sofria contra aquela vontade absurda de f***r a boca de Liam e ao mesmo tempo sair correndo dali. — Não faz isso, Liam, por favor, não faz isso comigo… — Zayn sentiu o outro puxar seu m****o pra fora e, devagar, ajoelhou-se na frente dele. Ele realmente descobriu que era inútil dizer “não” aquele homem. Era totalmente perda de tempo. E já que sua calças já estavam praticamente em seus tornozelos e Liam já o masturbava olhando seu m****o de perto, lambendo a glande e testando como fazer aquilo. Não era como se ele não soubesse, bastava seguir seus instintos e fazer o que gostava que fizessem nele mesmo. Enfiou de uma vez o p*u de Zayn em sua boca e engoliu com vontade, as pernas de Zayn tremeram e ele mordeu o lábio para abafar um gemido. Olhava preocupado para a porta sabendo que não estava trancada e talvez aquilo o excitasse ainda mais. Ele atreveu-se a olhar Liam de cima, enquanto o outro fazia o mesmo, olhando pra ele com a boca cheia. De todos os homens que já tinham feito aquilo em Zayn durante sua vida, aquela cena era realmente uma das coisas mais quentes e mais excitantes que ele já tinha visto: Liam Payne ajoelhado aos seus pés com seu p*u na boca. — Abre a boca. — Zayn pediu num sussurro e Liam obedeceu. Malik segurou-o pelo queixo e pela nuca, fodendo sua boca com força, vendo Liam engasgar quando sentia seu p*u na garganta e era tudo que Zayn precisava para gozar. Fez tantas vezes e Liam parecia tão certo de que queria agradar, que não reclamava, mesmo com seus olhos lacrimejando. — Quer que eu goze na sua boca? — Zayn perguntou tirando seu m****o da boca de Liam. — Responde! — Quero. — Liam respondeu tão e******o que não soube como não gozou sem nem mesmo se tocar. Ele abriu a boca colocando a língua pra fora alguns segundos antes de Zayn gozar com força. Sentiu o gosto do esperma quente e novamente Zayn colocando seu m****o dentro da boca dele para que ele limpasse tudo. Malik escorregou as costas pela mesa e sentou-se no chão, não conseguia ficar em pé. Liam apenas assistiu a cena de um Zayn Malik completamente entregue àquele orgasmo e sorriu, sentiu-se no controle mesmo que estivesse limpando os cantos da boca e lambendo os dedos. — Você é um filho da p**a, Payne. — Zayn disse de maneira quase inaudível. — Eu disse muitas vezes pra você não fazer isso comigo. — Claro. — Liam disse levantando-se de onde estava e respirando fundo. — Continue dizendo isso a si mesmo, quem sabe você se convença. — Ele brincou vendo Zayn puxar de volta as calças pra cima enquanto tentava levantar-se de onde estava. — Liam, Liam… — Zayn dizia sentindo uma ponta de arrependimento por ter deixado aquilo acontecer. Sim, ele sabia que tinha deixado. — Ouça… — Não, me ouve você. — Liam disse assim que Zayn levantou-se e fechou as calças. — Não me subestime, certo? Você não pode presumir que eu não sei o que eu quero, que eu não sei do que eu gosto… Você nunca perguntou. Eu sei o que eu disse pra você na boate, mas as coisas mudaram, você me mudou… — Ele dizia e Malik nunca pensou que fosse ouvir Liam ter tanta certeza na voz. — E eu acho que já provei que eu sou bem grandinho pra tomar certas atitudes. — Liam, o problema é que… — Eu só estou pedindo uma chance. — Payne o interrompeu. — E se eu tiver que provar que mereço isso também, eu vou dar o meu melhor. — Ele disse pegando sua pasta com o laptop dentro e colocando sobre o ombro. Estava e******o, queria ir pra casa, tomar banho, se masturbar. — Pense nisso… Tem meu número quando decidir. — Ele disse com um meio sorriso vendo Malik apenas concordar com a cabeça e demonstrando que tinha gostado de ouvir aquilo mais do que daquele boquete. x.x.x Louis foi buscar a esposa no aeroporto e estava surpreso com como sentia-se culpado ao vê-la. Durante o trajeto até em casa, ela praticamente não soltou-se dele, disse várias vezes que estava com saudades, que sentiu a falta dele e, por mais que não fosse exatamente verdade, ele respondia sempre que também sentiu e que estava feliz com a volta dela. Conhecia aquela mulher há anos, desde o primeiro ano de faculdade e foram, antes de qualquer outra coisa, muito amigos. Louis estava longe de casa, longe da família e ter a amizade de Liam e Eleanor serviu para que ele não se sentisse tão sozinho e tivesse com quem contar na assustadora Londres na época. Depois de tudo que passaram juntos, não achou que realmente fosse funcionar o fato de que ele estava diferente durante aquele tempo todo. Porém, ela tinha uma certa ansiedade no olhar que ele imaginou o quanto ela estava feliz de simplesmente ter voltado pra casa. Queria conversar com ela o quanto antes, se livrar daquilo logo, mas precisou voltar à tarde para empresa para trabalhar. Não conseguiu se concentrar em nada, ligou para Harry várias vezes, contando o quanto estava nervoso e preocupado com a reação dela, teve medo de ela não reagir bem. Apesar de ele estar decidido, nunca era fácil de fazer aquilo, especialmente porque fazia muito pouco tempo. Ele chegou em casa naquela noite e encontrou a casa silenciosa, à luz de velas e a mesa da sala de jantar posta para dois, como se fosse algo muito especial. Repassou em sua cabeça se tinha esquecido alguma data, algum aniversário, alguma coisa relevante, mas um branco total de lembranças estava em seu cérebro. — Eleanor? — Louis chamou pela esposa devido ao silêncio do lugar. Tirou o sobretudo e o casaco deixando-os nos cabides na entrada de casa. Os sapatos também ficaram por lá e ele deixou sua pasta com o laptop em cima do sofá. — Oi, meu amor. — Ela tinha um sorriso que m*l lhe cabia na boca ao vê-lo. Estava usando um vestido azul simples, mas muito bonito. Louis não teve certeza, mas algo estava diferente naquela mulher. — O que está acontecendo? — Ele perguntou surpreso, mas mais preocupado do que impressionado. — Eu tenho um presente pra você. — Ela disse dando um selinho no marido. Louis sentia um medo absurdo, pois era uma péssima maneira de começar aquela conversa difícil. Ele não queria mais adiar, mas aquilo não se parecia com nada do que ele tinha em mente. — Sabe que não precisa essas coisas. — Ele disse sorrindo nervoso e ela andou até a mesa de centro da sala pegando uma caixa pequena, mais ou menos do tamanho da palma de sua mão e entregando a Louis. — Eleanor, o que é isso? — Ele estava com medo de abrir aquilo e ela apenas continuava olhando pra ele com uma expectativa maior do que ele mesmo viu nela durante o casamento. Ele teve um pressentimento que vinha mesmo de suas entranhas ao segurar aquela caixa branca em suas mãos. Ele não queria abrir, porque tinha uma vaga noção do que havia ali dentro e ele não saberia o que fazer se confirmasse seu medo naquela hora. Ele tentou disfarçar sua apreensão, mas quando abriu a caixa, sentiu o chão sumir debaixo de seus pés. Suas pernas pareciam não ser mais capaz de sustentá-lo e seu sangue correu gelado em suas veias. Teve quase certeza que seu coração parou de bater nem que fosse por um milésimo de segundo quando ele finalmente deixou a caixa de lado e tocou os minúsculos sapatinhos de lã de bebê brancos que tinham dentro. Ele não reparou muito, mas Eleanor já estava chorando, emocionada com as duas mãos em seu ventre e Louis simplesmente queria se jogar pela janela. — Você está…? — Ele não conseguiu concluir a pergunta, mas não era necessário. Ela limpava as lágrimas que corriam em seu rosto de felicidade. — Quatro semanas. — Ela respondeu sussurrando e só então abraçou o marido em choque. Louis simplesmente tinha uma bagunça de pensamentos que nem conseguia ouvir o que a esposa dizia, a história que contava de como descobriu. Ele m*l conseguia respirar, achou que teria uma crise e ficaria catatônico a qualquer momento. Nunca lhe passou pela cabeça ter um filho tão cedo, a ideia era algo que apenas lhe parecia uma pressão social que vinha logo após o casamento, daquele tipo que as pessoas sempre estavam insatisfeitas. Se estava namorando, quando iria ficar noivo. Se estava noivo, quando ia casar. Quando casava, quando ia ter filhos. Quando tinha o primeiro, perguntavam quando seria o segundo. Nunca nada estava bom, era sempre uma cobrança nova. Mas aquilo era real. Sua esposa em seus braços chorando copiosamente, emocionada e esperando simplesmente uma reação de um homem que nunca antes se sentia tão despreparado para algo antes. — Eu não sei como aguentei esperar o dia inteiro pra contar. — Ela dizia em meio a sorrisos e lágrimas ao soltar-se dele. — Mas fui forte e preparei um jantar especial. — Ela continuou e Louis ensaiou um sorriso voltando a olhar com medo para aquele par de sapatinhos que m*l cabiam dentro de seus dedos das mãos, nem imaginava a sensação que seria de ter realmente pézinhos preenchendo aqueles objetos. Eleanor andou de volta para a cozinha e narrava o que tinha feito de comida, mas Louis apenas tentava se recuperar aos poucos do que estava acontecendo. Estava mesmo tudo bom demais, fácil demais para ser verdade. Ele respirou fundo sem prestar atenção em nada, ainda estava parado no meio da sala com aqueles sapatinhos em mãos, olhando pra eles com o maior medo e a maior insegurança que já sentiu em toda a sua vida. — Lou… — Ela voltou a se aproximar do marido após colocar a comida na mesa, percebeu que Louis estava assustado. — Vai ficar tudo bem! — Ela sorriu aberto, na verdade achando um pouco de graça em todo aquele choque do marido. — Eu sei… — Louis finalmente conseguiu voltar a falar. — Eu estou muito feliz. — Não era exatamente verdade, mas também não era mentira. Era uma vida que estava vindo e aquela criança não tinha culpa dos problemas que ele mesmo havia se enfiado sozinho. — Desculpe minha reação, só estou um pouco surpreso… — Ele disse com um sorriso forçado, mas Eleanor apenas riu. — Quando isso foi acontecer? Como descobriu? — Pelo tempo, isso provavelmente foi na noite depois do casamento. — Ela disse animada. — Até porque naquela semana falamos que iríamos fazer uma lua-de-mel pessoal já que não viajaríamos. — Ela disse animada ao lembrar, Louis apenas arqueou as sobrancelhas pensando realmente que, naquela época, nem sonhava que um dia estaria completamente apaixonado por outro homem. — Entendi. — Ele disse finalmente colocando os sapatinhos de volta na caixa e fechando-a. — Eu estava me sentindo um pouco enjoada há uns dias, mas não achei que fosse nada, até porque sempre que ouvi falar de mulheres grávidas, ouvia sempre que elas realmente passavam muito m*l no começo da gravidez, mas pra mim foram apenas um ou outro m*l estar… — Ela dizia aproximando-se da mesa assim como Louis, que sentou-se de frente pra ela, ainda um pouco chocado, mas tentando disfarçar. — Você fez o teste? — Louis perguntou como se buscasse alguma resposta mais concreta. — Quer dizer, você tem absoluta certeza? — É claro, Louis! — Ela disse rindo do jeito do marido, servindo-o um pouco de rosbife com mostarda, prato típico da culinária inglesa e, como ela mesma tinha dito sem Louis nem prestar atenção, o prato favorito dele. — Eu fui ao médico hoje a tarde e está tudo bem com nós dois. — Ela disse radiante, referindo-se à ela mesma e ao bebê. Louis apenas concordou e maquiou um sorriso pouco convincente. No fundo, ele sabia que não ia nem conseguir comer aquela comida. Na primeira garfada seu estômago já embrulhou. Como iria contar aquilo para Harry? Como iria contar para Eleanor o que estava acontecendo desde antes de ela viajar? Louis não tinha certeza de mais nada, não existia saída para toda aquela situação. Olhou para sua taça de champanhe e, em seguida, percebendo que havia água na taça de Eleanor, era algo ainda mais assustador. Um detalhe simples, mas que fez sua cabeça dar voltas. Aquilo era real. Ele não tinha mais pra onde correr ou como se fiar à toda aquela situação. Não podia contar pra sua esposa grávida que estava tendo um caso com outro homem e que planejada deixá-la pra ficar com ele. Ele jamais faria isso, afinal, que tipo de homem faria uma coisa dessas? x.x.x Passava da meia-noite e Harry ainda estava acordado assistindo alguma coisa na TV que não estava exatamente prestando atenção. Seu celular estava ao seu lado e ele apenas olhava a cada cinco segundos para o aparelho, esperando uma ligação, uma mensagem ou o que quer que fosse. Mas nada. Nenhuma palavra de Louis. Ficou com medo de mandar alguma mensagem e correr o risco da própria Eleanor ver, mas desde a última mensagem que ele havia recebido — de Louis dizendo que estava indo pra casa — ele não ouviu ou leu mais nada vindo do outro. Harry não costumava ser um homem paranóico, mas diante daquela situação, ele temeu pelo seu futuro com Tomlinson. Será que ele estava com problemas com Eleanor? Será que tinha contado pra ela e ela tenha tido um surto, um problema sério, teria passado m*l, teria tido algum ataque de pânico? Ou, ainda, teria Louis se arrependido de tudo e decidido que ficaria com ela? Será que vê-la, depois daqueles dias separados, o fez perceber que a amava de verdade e o que aconteceu com Harry foi apenas um erro? Uma aventura? Styles sentia dor de cabeça só de pensar naquela segunda situação. Ele respirou fundo e não tinha sono, não conseguia dormir. Desligou a televisão, mas não adiantou ir para o quarto dormir, ele não pegou no sono. Teve alguns breves cochilos, acordava no meio da noite e olhava para o celular, mas nada. Louis não havia dito uma só palavra durante a noite toda. Harry estava ficando preocupado, muito preocupado. Levantou-se da cama quando passava das seis da manhã e já viu o dia clareando aos poucos. Pensou que talvez naquele dia ele teria alguma notícia de Tomlinson, algum esclarecimento. Estava pensando com tanto afinco, que considerou que ele perdeu o celular, quebrou o aparelho. Talvez não tivesse vindo vê-lo depois da conversa com Eleanor porque seu celular e seu carro estavam com problemas. Mas Styles logo afastou aqueles pensamentos absurdos, estava enlouquecendo e perdendo a razão. Tomou banho e decidiu abrir cedo a floricultura, talvez ocupar sua mente com entregas, clientes, papéis, qualquer coisa que fosse. Cuidaria da estufa, das flores que ainda estavam boas, iria ocupar a cabeça com trabalho a manhã toda. Teve certeza que Louis iria dar notícias a qualquer momento, ele sabia que Tomlinson não iria magoá-lo, ele era um homem de caráter e Harry queria apenas acreditar que Louis teria uma explicação totalmente plausível por aquele silêncio e aquele sumiço. É, era isso. Ele iria explicar tudo assim que pudesse, Harry tinha certeza que provavelmente não era nada de mais. x.x.x Liam ainda estava perplexo em sua sala no trabalho olhando para Louis, quase o deixando tonto andando de um lado para outro. O pânico no seu olhar era assustador. Há muitos anos não via seu melhor amigo tão perdido, tão confuso e sem conseguir dizer nada direito. — Lou. — Liam disse com calma, ele mesmo estava surpreso em saber que seu melhor amigo ia ser pai, jamais pensou que aquilo fosse acontecer, foi algo realmente inesperado e não poderia ter acontecido em pior hora. — O que vai fazer? — E você acha que eu sei? — Louis disse arregalando os olhos, desesperado. — Eu não sei nem por onde começar! — O que o Harry disse? — Liam perguntou cruzando os braços sobre o peito, mas Tomlinson permaneceu em silêncio. Ele parou de andar e apenas encarou o amigo com olhar de culpa. — Lou, eu não acredito que você não contou a ele! — Liam disse passando uma das mãos pelo rosto, incrédulo. — Você sabe muito bem que ele pode aparecer aqui a qualquer momento pra perguntar! — Eu não tive coragem, ok? — Louis disse tentando parecer racional. — Eu não tive como, eu estava com ela, eu não poderia simplesmente ter aquela conversa por telefone… — Louis dizia e nisso Liam concordava. — Ela preparou um jantar… Comprou… Sapatinhos. — Sentia seu coração acelerar e adrenalina do seu corpo aumentar só de lembrar da notícia e da forma como Eleanor contou. — O que eu faço, Liam? — Era uma pergunta genuína, ele realmente precisa de um direcionamento, ele estava em pânico. Não conseguia tomar nenhuma decisão sozinho. — Você sabe muito bem o que tem que fazer. — Liam disse paciente, segurando o amigo pelos ombros. — Eu não preciso te dizer, você sabe muito bem o que vai fazer. — Liam… — Louis tentou buscar argumentos. — Você precisa ficar com a sua mulher, Louis. — Liam disse por fim e Tomlinson já sabia que seriam aquelas palavras escolhidas por Payne. Era amigo de Eleanor e sabia muito bem que a relação deles era estável e, mais do que tudo, eles tinham acabado de se casar. — Ela vai te dar um filho, ela precisa de você… Eu sei que é ficar com ela é o que você vai fazer, não porque eu estou dizendo, mas porque você já sabe disso desde o momento que ela te contou. — Payne tinha um tom de voz calmo e controlado, sensato demais até para um cara que era muito mais movido à diversão que responsabilidade. — Eu amo ele, Liam. — Louis sentiu pela primeira vez uma vontade tão grande de chorar, que segurou as lágrimas apenas por estar no trabalho. — Eu não posso fazer uma coisa dessas com ele… — Isso não se trata mais de você, Louis. — Liam dizia entendendo bem a dor que o outro sentia, pois sabia bem o quanto Louis estava apaixonado por Harry. — Isso não se trata mais de você e ele, isso se trata de você ter responsabilidade no seu casamento e fazer valer a palavra que deu a ela naquele altar há um mês atrás. Louis respirou fundo, não queria ter uma crise daquelas em pleno escritório. Sentiu Payne o abraçar forte e, mesmo que não resolvesse, aquilo ajudava. Sabia que não tinha mais escapatória, era como se o destino o estivesse punindo pela traição, e ele nem poderia reclamar, pois realmente estava tratando seu casamento e suas promessas com uma trivialidade absurda. Soltou-se de seu amigo dizendo que ia tentar voltar ao trabalho. Pegou o celular a manhã inteira para ligar para Harry, mas não tinha coragem de falar com ele. Não sabia nem o que dizer, não sabia como resolver, apenas queria que tudo aquilo fosse um pesadelo e, quando acordasse, estaria nos braços de Harry, dizendo a ele para se acalmar, pois tudo foi um pesadelo. Só que não era.
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