— Quando o senhor iria me contar que mandou uma garota de dezessete anos para ser a minha esposa, vovô? — Ryan perguntou ao seu avô no telefone, visivelmente irritado.
— Que diferença isso faz? Na minha época as moças se casavam bem mais jovens do que isso — Liam Mitchell respondeu sem retrucar.
— As coisas mudaram vovô, essa garota deveria estar indo para a universidade, deveria curtir a vida, deveria ficar bêbada, viajar, não deveria está em um casamento.
— Não vejo ela não podendo fazer nenhuma dessas coisas que você citou. Você pode viajar com ela, vocês podem ficar bêbados e curtir a vida à vontade.
— Ela vai fazer tudo isso com um cego a tira colos? — Ryan bufou.
— Menos a universidade, porque você já é formado — o velho Mitchell falou com sarcasmo. — E olha garoto, para quem não gosta da piedade das pessoas, você até que se lamenta muito.
— A questão não é estar me lamentando, eu só estou constatando os fatos.
— Meu neto, eu sei que não é nada fácil, não pense que eu sou insensível, mas você precisa ser feliz. Você não morreu nesse acidente, você está vivo, e precisar viver.
Ryan respirou fundo, afinal não adiantava mais ficar debatendo com o seu avô esse assunto, a garota já estava na sua casa, e não havia nada que ele poderia fazer para reverter a situação. Mas havia ainda outro assunto que o seu avô precisava lhe esclarecer.
— Quando você ia me contar que a garota ficou internada em um hospital psiquiátrico?
— A sanidade mental da Anabela foi comprovada por um dos melhores psiquiatras de Londres, a pedido da própria Anabela, que não confiava no laudo do antigo diretor do hospital. Eu não duvido nada que o miserável do Arnold Phillips, tio da garota, tenha forjado um laudo com o antigo diretor do hospital para se ver livre dela.
— Por qual motivo?
— Anabela é a única herdeira do pai e do avô, já que Arnold Phillips tinha sido deserdado pelo pai. Ele se tornou o tutor legal dela após a morte dos pais. Você entendeu ou quer que eu desenhe? — o velho Mitchell bufou do outro lado. — Você acha que eu colocaria alguém em sua vida, sem antes investigar cada mínimo detalhe da vida da pessoa?
— Tudo bem vovô, vamos vê no que isso vai dar.
Após se despedir do seu avô, Ryan ficou pensativo, com a cabeça encostada em sua poltrona no escritório.
No jantar, Anabela se recusou a descer, alegando estar indisposta, e Olívia subiu para levar uma bandeja com o jantar dela.
— Pode entrar — Anabela falou após escutar a porta batendo.
— Trouxe seu jantar — Olívia falou a vendo encolhida na cama. — O que está sentindo?
— Cólica, muita cólica.
— Você está pálida — a mulher constatou. — Posso te trazer um remédio?
— Eu agradeceria muito.
— Quer absorvente?
— Eu tenho, obrigada.
— Já volto com o remédio.
Olívia seguiu para buscar o remédio de cólica, e encontrou com Ryan no corredor.
— Como ela está?
— Está com muita cólica, está pálida, e os lábios sem cor.
— Acho melhor chamar o Dr. Brian.
— Tem razão, eu vou ligar para ele.
— Obrigado, Olívia.
Alguns minutos depois o Dr. Brian chegou, examinou Anabela, e prescreveu algumas medicações.
— Anabela, essas medicações que eu te dei vão fazer a dor aliviar, mas nos próximos meses, preciso que você comece a tomar dois dias antes do seu ciclo, para não sentir dor, tudo bem? — o médico explicou, e Olívia que estava no quarto escutou atentamente tudo que o médico prescrevia.
— Tudo bem — disse Anabela ainda deitada e encolhida. — Obrigada doutor.
— Não há de quê — o médico respondeu acompanhado de Olívia, que o levou até a porta.
***
Ryan estava em seu quarto e decidiu ir até o quarto de Anabela vê como ela estava.
Ela havia terminado o banho, quando escutou a porta batendo.
— Só queria saber como você está — Ryan falou assim que ouviu a porta se abrindo.
— Estou bem melhor. Obrigada por chamar o médico.
— Se precisar de alguma coisa é só chamar, o meu quarto é o do final do corredor — Ryan falou inalando o cheiro delicioso que vinha de Anabela, e que estava ainda mais evidente, por ela ter acabado de sair do banho.
Os quartos ficavam próximos. O de Ryan era o último quarto do enorme corredor, e a grande porta ficava de frente. O quarto de Anabela ficava de frente a outro quarto, e os dois quartos eram igualmente próximos ao de Ryan.
— Achei que não gostasse de ser incomodado — a garota falou não perdendo a oportunidade.
— Eu mereci essa — Ryan respondeu sem graça, percebendo que Anabela não era nada fácil. — Espero que você desconsidere o que falei mais cedo, e considere o que falei agora. Volto a repetir, se precisar de alguma coisa é só chamar. Boa noite, Anabela.
— Boa noite, Ryan.
***
Anabela fechou a porta do quarto, e se virou, se encostando nela, dando um sorrisinho de vitória.
— Ele é tão lindo — ela falou mordendo seu lábio inferior. — Pena que é tão m*l-humorado. Se bem que agora até que ele foi fofo, vindo perguntar se eu estava bem.
Ryan entrou em seu quarto bufando.
— Que garota petulante. Quem ela pensa que é?
Ryan se deitou em sua cama, e de repente, depois de alguns minutos ele se pegou sorrindo.
"O cheiro dela é incrível. Onde o vovô estava com a cabeça ao escolher uma garota de dezessete anos para esse contrato de casamento? O velho Mitchell só pode estar caducando"
***
Na manhã seguinte, Anabela estava tomando seu café da manhã, quando Ryan se juntou a ela a mesa.
— Desculpa não ter esperado — a garota falou enquanto a funcionará servia o café da manhã de Ryan. — Eu não sabia se você iria demorar, e como não consegui comer a noite, acordei com bastante fome.
— Sem problemas — Ryan respondeu sério, e os dois permaneceram comendo em silêncio.
Ethan se juntou a eles a mesa.
— Bom dia, Anabela, bom dia, Ryan — Ethan falou se servindo.
— Bom dia — Ryan e Anabela responderam em simultâneo.
— As coisas da reunião já estão arrumadas — Ethan falou enquanto a funcionária lhe servia.
— Temos mais trinta minutos — Ryan falou apertando seu celular, que lhe informou a hora por comando de voz. — Quero repassar algumas coisas com você antes da reunião.
— Claro.
— Com licença — Anabela falou se retirando da mesa, e alguns minutos depois, os dois homens se trancaram no escritório.