Revelações importantes

1138 Words
— Quando o senhor iria me contar que mandou uma garota de dezessete anos para ser a minha esposa, vovô? — Ryan perguntou ao seu avô no telefone, visivelmente irritado. — Que diferença isso faz? Na minha época as moças se casavam bem mais jovens do que isso — Liam Mitchell respondeu sem retrucar. — As coisas mudaram vovô, essa garota deveria estar indo para a universidade, deveria curtir a vida, deveria ficar bêbada, viajar, não deveria está em um casamento. — Não vejo ela não podendo fazer nenhuma dessas coisas que você citou. Você pode viajar com ela, vocês podem ficar bêbados e curtir a vida à vontade. — Ela vai fazer tudo isso com um cego a tira colos? — Ryan bufou. — Menos a universidade, porque você já é formado — o velho Mitchell falou com sarcasmo. — E olha garoto, para quem não gosta da piedade das pessoas, você até que se lamenta muito. — A questão não é estar me lamentando, eu só estou constatando os fatos. — Meu neto, eu sei que não é nada fácil, não pense que eu sou insensível, mas você precisa ser feliz. Você não morreu nesse acidente, você está vivo, e precisar viver. Ryan respirou fundo, afinal não adiantava mais ficar debatendo com o seu avô esse assunto, a garota já estava na sua casa, e não havia nada que ele poderia fazer para reverter a situação. Mas havia ainda outro assunto que o seu avô precisava lhe esclarecer. — Quando você ia me contar que a garota ficou internada em um hospital psiquiátrico? — A sanidade mental da Anabela foi comprovada por um dos melhores psiquiatras de Londres, a pedido da própria Anabela, que não confiava no laudo do antigo diretor do hospital. Eu não duvido nada que o miserável do Arnold Phillips, tio da garota, tenha forjado um laudo com o antigo diretor do hospital para se ver livre dela. — Por qual motivo? — Anabela é a única herdeira do pai e do avô, já que Arnold Phillips tinha sido deserdado pelo pai. Ele se tornou o tutor legal dela após a morte dos pais. Você entendeu ou quer que eu desenhe? — o velho Mitchell bufou do outro lado. — Você acha que eu colocaria alguém em sua vida, sem antes investigar cada mínimo detalhe da vida da pessoa? — Tudo bem vovô, vamos vê no que isso vai dar. Após se despedir do seu avô, Ryan ficou pensativo, com a cabeça encostada em sua poltrona no escritório. No jantar, Anabela se recusou a descer, alegando estar indisposta, e Olívia subiu para levar uma bandeja com o jantar dela. — Pode entrar — Anabela falou após escutar a porta batendo. — Trouxe seu jantar — Olívia falou a vendo encolhida na cama. — O que está sentindo? — Cólica, muita cólica. — Você está pálida — a mulher constatou. — Posso te trazer um remédio? — Eu agradeceria muito. — Quer absorvente? — Eu tenho, obrigada. — Já volto com o remédio. Olívia seguiu para buscar o remédio de cólica, e encontrou com Ryan no corredor. — Como ela está? — Está com muita cólica, está pálida, e os lábios sem cor. — Acho melhor chamar o Dr. Brian. — Tem razão, eu vou ligar para ele. — Obrigado, Olívia. Alguns minutos depois o Dr. Brian chegou, examinou Anabela, e prescreveu algumas medicações. — Anabela, essas medicações que eu te dei vão fazer a dor aliviar, mas nos próximos meses, preciso que você comece a tomar dois dias antes do seu ciclo, para não sentir dor, tudo bem? — o médico explicou, e Olívia que estava no quarto escutou atentamente tudo que o médico prescrevia. — Tudo bem — disse Anabela ainda deitada e encolhida. — Obrigada doutor. — Não há de quê — o médico respondeu acompanhado de Olívia, que o levou até a porta. *** Ryan estava em seu quarto e decidiu ir até o quarto de Anabela vê como ela estava. Ela havia terminado o banho, quando escutou a porta batendo. — Só queria saber como você está — Ryan falou assim que ouviu a porta se abrindo. — Estou bem melhor. Obrigada por chamar o médico. — Se precisar de alguma coisa é só chamar, o meu quarto é o do final do corredor — Ryan falou inalando o cheiro delicioso que vinha de Anabela, e que estava ainda mais evidente, por ela ter acabado de sair do banho. Os quartos ficavam próximos. O de Ryan era o último quarto do enorme corredor, e a grande porta ficava de frente. O quarto de Anabela ficava de frente a outro quarto, e os dois quartos eram igualmente próximos ao de Ryan. — Achei que não gostasse de ser incomodado — a garota falou não perdendo a oportunidade. — Eu mereci essa — Ryan respondeu sem graça, percebendo que Anabela não era nada fácil. — Espero que você desconsidere o que falei mais cedo, e considere o que falei agora. Volto a repetir, se precisar de alguma coisa é só chamar. Boa noite, Anabela. — Boa noite, Ryan. *** Anabela fechou a porta do quarto, e se virou, se encostando nela, dando um sorrisinho de vitória. — Ele é tão lindo — ela falou mordendo seu lábio inferior. — Pena que é tão m*l-humorado. Se bem que agora até que ele foi fofo, vindo perguntar se eu estava bem. Ryan entrou em seu quarto bufando. — Que garota petulante. Quem ela pensa que é? Ryan se deitou em sua cama, e de repente, depois de alguns minutos ele se pegou sorrindo. "O cheiro dela é incrível. Onde o vovô estava com a cabeça ao escolher uma garota de dezessete anos para esse contrato de casamento? O velho Mitchell só pode estar caducando" *** Na manhã seguinte, Anabela estava tomando seu café da manhã, quando Ryan se juntou a ela a mesa. — Desculpa não ter esperado — a garota falou enquanto a funcionará servia o café da manhã de Ryan. — Eu não sabia se você iria demorar, e como não consegui comer a noite, acordei com bastante fome. — Sem problemas — Ryan respondeu sério, e os dois permaneceram comendo em silêncio. Ethan se juntou a eles a mesa. — Bom dia, Anabela, bom dia, Ryan — Ethan falou se servindo. — Bom dia — Ryan e Anabela responderam em simultâneo. — As coisas da reunião já estão arrumadas — Ethan falou enquanto a funcionária lhe servia. — Temos mais trinta minutos — Ryan falou apertando seu celular, que lhe informou a hora por comando de voz. — Quero repassar algumas coisas com você antes da reunião. — Claro. — Com licença — Anabela falou se retirando da mesa, e alguns minutos depois, os dois homens se trancaram no escritório.
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