5. Kemylla V

1018 Words
Em meio esse beijo molhado, um lado da minha cabeça me mantinha nesse ato delicioso e excitante, porém o outro lado me fazia lembrar de todo mau que havia sofrido. Era difícil controlar o turbilhão de sentimentos que a ocasião despertou, era a primeira vez que ficava com alguém depois de todo inferno que havia vivido. Infelizmente tinha sido muito machucada, e o lado tenebroso da história era como se ganhasse espaço tornando aquele momento um surto de medo, medo de tudo voltar, medo do Rogério aparecer e tentar me matar. Driblar o psicológico pra mim era algo ainda muito difícil, e pior projetar aquele crápula no "pobi homem". Eu juro que tentei, mas não deu, o lado negr.o venceu, então empurrei o Henrique pedindo que soltasse imediatamente, que não queria que ele me tocasse, iniciei uma crise de choro. Perdi o rumo das coisas, esqueci onde estava, tudo era cinza. - Mylla, calma. te levarei até a escada, disse ele sem saber o que exatamente fazer. - Me solta, tira a mão a de mim, eu gritava desesperada! Viviane ouviu meus gritos e logo se alcançou correndo cortando a piscina, e indo ao meu encontro. Saí da piscina dando de cara com ela, que me abraça forte, me pedindo incansável calma. - Amiga, por favor se acalme, eu estou aqui - inquire. - Eu estou com medo, me tira daqui, digo em lágrimas - Vamos, vamos para o quarto, mas antes preciso que se acalme, nós estamos bem e ele não está aqui, aqui é outra vida - ela diz em tom suave. Então respondo: - A vida é outra, mas a pessoa é a mesma, a mesma fudi.da de sempre. Henrique ficou sem entender absolutamente nada, enquanto Gustavo diz: - Ei mano o que você fez com ela? tá maluco! - Eu não fiz nada, a gente só se beijou e ela parecia estar gostando, e do nada meteu essa. Eu não coloquei a mão nela não cara. Vivi e eu subimos para quarto e eu estava muito nervosa, tremula, com frio, meu corpo doía, principalmente os locais onde o Rogério costumava bater. Era viva demais a dor. Entrei no banho, sentei-me no chão deixando aquela água cair com força em minha cabeça, queria sumir apenas. Então me dei conta que Vivi estava ali, e isso não era justo. Ela já tinha dedicado muito do seu tempo, dos dias a mim, e novamente eu estava atrapalhando a vida dela. - Amiga, volta pra lá, me deixa aqui. Vai curtir, não é justo com você! - inquiro - Você só pode estar maluca né, estamos nessa juntas, e estou aqui até o fim, ela diz acariciando meus cabelos molhados. - Mas amiga... ela me interompe - Primeiramente quero saber por que vc chegou com a cara de choro aqui, ontem mais cedo. Preciso entender melhor. - ela questiona. - O Léo me ligou dizendo que o Rogério teria dito que voltaria um dia - Digo triste - Porr.a, que inferno - ela diz socando a parede - Kemylla, você precisará ser forte e vencer seus medos, pois você irá adoecer e eu não quero te perder. Amiga estamos juntas, vamos conseguir! - ela diz num tom forte Me permito chorar mais um pouco, peço que me deixe só, que me deixei refletir, organizar minha cabeça em meio aquela confusão. Peço que ela desça e pelo menos se despesa de Gustavo. - Digo algo pra Henrique? - ela questiona - Só peça desculpas, mas não conte nada sobre tudo isso, diga que a culpa não é dele! - Digo em tom triste, afinal ele não precisa saber de nada sobre esse inferno Então ela saiu... Ali sentada, eu podia sentir o gosto do beijo do Henrique, o cheiro dele incrivelmente estava impregnado no meu nariz, e isso me fazia bem. Mas como era difícil controlar o lado escuro... Era a sensação de querer e não poder! Na piscina... Viviane retorno para piscina, afim de prestar uma satisfação aos meninos. Na tentativa de ainda manter algum contato, depois de tudo. - Cara tô assustado - Diz Gustavo - Eu peço desculpas meninos, mas teremos que ir embora, espero que entendam. - diz ela em tom triste - Fica tranqula, mas gostaria que me mandasse notícias, fiquei preocupado - diz Henrique - Claro, mando sim, fica tranquilo que a culpa disso tudo não é sua, mas é só o que posso dizer no momento. - Vivi diz em tom firme. Ouço quando a porta bate, vejo que Vivi retornou ao quarto, ela percebe que não quero conversar, então apenas me ajuda se vestir, pois minha fraqueza era evidente. - Quero ir embora! - Digo - Iremos, vou juntar nossas coisas. diz em tom triste - Não queria ter te atrapalhado - digo chateada - Magina amiga, você é a mãe que eu não tive, uma bela empata fod.a - diz, e com isso me arranca um sorriso Ajeitamos nossas coisas, carregamos o meu carro, pois a Vivi havia vindo de carona com Luana, nos despedimos de todo mundo, me desculpei com o pessoal que presenciou meu surto, entramos no carro e seguimos viagem de volta. A viagem parecia não ter fim, a Vivi tentava puxar algum assunto. mas era tudo muito vazio, minha cabeça era um breu e o único rosto que via era do Rogério, eu estava num verdadeiro abismo, o abismo da minha mente. Assim que chegamos, desci pegando minha mala. - Pode ficar com meu carro - inquiro - Não quer que eu entre, que eu fique com você? - ela questiona - Não, pode ir pra sua casa, se cuidar e vamos nos falando, quero ficar sozinha, você me entende? - digo triste - Tudo bem, mas amanhã bem cedo eu estarei aqui com seu café! - ela diz em tom cuidadoso Me despeço dela e entro já com o choro entalado. Quando será que tudo isso acabaria? Era possível ser feliz denovo? Não é possível que eu teria sido tão vagabund.a na vida pra pagar a ferro e fogo assim. Tinha que existir uma saída.
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