Lyra Vons.
Eu saí do automóvel, cercada pelos três irmãos.
Kael tem uma mão na parte inferior das minhas costas, me guiando quando entramos na loja de departamentos.
Motores de automóveis grandes e motocicletas ecoam nos hangares e nas ruas, preparando-me para as corridas. Observo Orion se dispersar, deixando-me com Jak e Kael.
As pessoas se viram para olhar para eles, olham para mim confusas e eu posso imaginar: o que uma garota está fazendo com os Draven? Quem é ela?
Eu me apego mais ao corpo de Kael enquanto ele me guia pelas pessoas, embora isso não seja necessário, as pessoas saem do seu caminho ou os guarda-costas ficam encarregados de afastá-las. Jak também desaparece da minha vista.
Chegamos ao centro do hangar, onde Kael sobe algumas escadas até chegar a uma espécie de armazém. Seus guardas abrem a porta para ele e eu entrar, atrás da mesa, um homem gordo e careca pula assim que o vê.
A segurança do indivíduo sacode suas armas ao som da porta e volta seu olhar para Kael, que sorri de maneira tão obscura e diabólica para eles enquanto seus homens se aproximam, fazendo com que os demais recuem suas armas. Eles conhecem Kael, sabem quem ele é, sabem que ele é inviolável.
— Kael, meu amigo. — diz o homem, sua voz treme levemente.
— Deixe-o em paz — Kael exclama aos guardas do homem, que não hesitam em sair, deixando seu chefe à mercê de Karl e seus homens.
Kael faz alguns sinais para seus homens, que levantam o homem um pouco abruptamente de seu assento. São máquinas de matar que prestam lealdade ao homem de cabelos pretos ao meu lado, são uma massa de músculos e dores que não hesitam em seguir cada ordem. Deixe os Draven atirarem, Kael puxa meu corpo, joga fora as coisas que estão na mesa despreocupadamente, ele coloca suas mãos fortes na minha cintura e me senta à mesa.
Ele se aproxima até que seu rosto esteja próximo do meu, seu toque e proximidade me desestabilizam, embora não pelos motivos que eu deveria, minhas bochechas coram e ele consegue me deixar nervosa em segundos, ele sabe disso, porque a zombaria brilha em seu olhar acinzentado.
— Observe e aprenda, lyra — sussurros.
Kael se vira para olhar para o homem, enquanto ele relaxa seu corpo na mesa, seu corpo ao lado do meu.
— Ouvi dizer que você criou novos produtos e não me informou.
O homem empalidece um pouco.
— Eu ia fazer isso em breve, na verdade.
Kael ri sarcasticamente.
— Mas esse não era o acordo, era, Frank? — O nome n**a rapidamente. — Lembre-me, Frank, qual era o acordo?
— Sr. Kael Draven, eu juro que…
— Qual foi o problema? — Desta vez, ele pergunta em um tom mais agudo, puxa uma adaga de suas costas e distraidamente a vira em seus dedos, seu olhar sombrio fixo no homem parado na frente dele.
— O acordo era que eu poderia vender suas melhores mercadorias em meus bares e, se alguma mercadoria nova surgisse em meus laboratórios, eu avisaria você imediatamente.
— Exatamente, mas você não fez isso, pelo contrário, você criou algo novo e não me contou, e você não está vendendo minha mercadoria, mas a sua.
— Isso não vai acontecer de novo, eu prometo.
Kael se senta e se vira para olhar para mim.
— Diga-me, Lyra, você merece que eu o perdoe?
Medito na resposta, sei que a vida do homem depende do que sai da minha boca, porque os Dravin não são conhecidos precisamente pela sua piedade, mas pela falta dela.
Kael parece saber para onde meus pensamentos estão indo porque ele fica na minha frente em um movimento rápido.
— É melhor sua resposta ser honesta, Lyra — comenta cinicamente — Ou vou fazer você chorar sangue por cada mentira que sai dessa sua linda boca.
Decido ser honesta, não tenho escolha, não com ele.
— Se ele mentiu para você uma vez, ele fará isso de novo.
Kael sorri amplamente, satisfeito com minha resposta.
—E o que você vai saber, amigo…?! — Ele não termina de falar, Kael se vira e joga a adaga, que bate e se enterra limpamente na coxa do homem, que se curva ao chão devido à dor. Sangue começa a fluir de sua perna para o chão.
— Não fale com ele, eu disse que você conseguiria?
Kael estala a língua e fala novamente, pegando meu rosto com uma de suas mãos enquanto fala com o homem novamente.
— Ela não é bonita? — Ele questiona, o homem visivelmente hesita em responder, ele não quer olhar para mim. — Olhe para ela, Frank, e me diga se ela é bonita.
— Ela é muito bonita, Sr. Kael Draven — ele choraminga ao desistir da ideia de tirar a faca da perna.
— É, não é? — Kael reavalia meu rosto, seu olhar cinza não é mais nada quente, é o de um psicopata admirando seu novo entretenimento. Ele estala a língua quando termina sua análise — Sei o que faremos, traga-me seus homens.
Os guarda-costas do homem entram novamente, seus olhares repousam sobre seu chefe no chão, sangrando, com uma faca presa em sua coxa, mas eles não interferem.
— Escolha três homens, lyra.
É o que faço, sussurro nos ouvidos dos três, e Kael diz para eles darem um passo à frente, eles visivelmente duvidam, mas não recusam nada do que ele diz.
Escolhi os três meninos mais novos e magros do grupo.
Kael puxa sua arma das costas, uma Glock 9 mm, e a estende para os homens.
— O primeiro a pegar a arma e atirar no chefe dele tomará o lugar dele e trabalhará para mim.
O homem no chão chora e os três meninos hesitam, mas no final dois assumem a liderança e um recua, lutam até chegarem à arma, mas um consegue agarrá-la e atira.
Embora nenhuma bala saia.
A arma não estava carregada.
Kael ri de forma sarcástica enquanto pega a arma do homem rapidamente. Ele pega um carregador que está nas suas costas e coloca na arma. Depois, ele dispara dois tiros certeiros na cabeça do homem que está no chão. Em seguida, ele se vira rapidamente e dá dois tiros certeiros nas cabeças dos dois guardas que tentaram matar seu chefe.
Ele abaixa a mão com a arma e se vira para olhar para o terceiro homem que não decidiu lutar. Que fica petrificado ao ver seu ex-chefe e colegas mortos, sangrando até a morte no chão, massa cerebral espalhada ao lado do sangue, Kael examina o homem com os olhos e fala com ele.
— Lealdade é algo que não pode ser comprado, você é o novo chefe.
O cara engole forte, mas acena com a cabeça. Kael fala novamente em silêncio mortal.
— Entrarei em contato com você em breve, você aprenderá a administrar os armazéns e minhas mercadorias, terei 70% dos lucros e você 30%, não me deixe com raiva ou você acabará pior que ele, porque a morte será a melhor da sua sorte se eu descobrir que mais uma vez alguém à frente deste lugar acha que vê minha cara estúpida.
Não sei de onde vem o sorriso que dança nos meus lábios diante das palavras dele. Mas os homens não olham para mim, olham para o meu colar com o lobo n***o e sabem que, se me olharem nos olhos, Kael vai atirar neles, ainda mais quando ele vê o quão errático é. É estar hoje matando pessoas daqui para lá.
Então, ela se aproxima de onde estou sentado, coloca o braço sob meus joelhos e outro atrás das minhas costas, para que eu não tenha que pisar no sangue no chão. Meu peso não parece ser um problema para ela.
Desça comigo até as adegas subterrâneas, onde há milhares de caixas lacradas.
— Este é o novo produto, Sr. Kael Draven, por favor, siga-me.
Seguimos o cara na entrada, que lhe mostra a nova cocaína que venderão nos bares, que quando seu dono falecer se tornará de Kael. O homem de cabelos pretos insere um dos dedos na droga e a experimenta.
— Quero que você comece a distribuí-lo em todas as lojas, onde quer que haja uma p***a de taverna, eu quero meu produto, e se alguém recusar meus pedidos, você o traz pessoalmente e cospe na minha cara, vamos ver até onde as bolas vão.
No final, ele pega minha mão novamente, me guia entre as pessoas no topo, há uma área VIP com confortáveis poltronas brancas no topo, cercada por guarda-costas, daqui você pode ver as corridas ilegais.
Kael senta-se na grande cadeira individual e puxa meu corpo para seu colo, o contato ainda me parece surreal e meu corpo fica tenso sobre seu corpo, sua proximidade me desequilibra e não sei se as reações em meu corpo são boas ou ruins.
Porque não estou com receio, só esperando o próximo passo dele, e isso não está certo.
Eu me acomodo no corpo dele, meu peso em uma de suas pernas fortes e longas, coloco todo meu peso sobre ela e cruzo minhas pernas. A saia sobe um pouco devido ao movimento, fazendo seus olhos seguirem o movimento do tecido, e eu vejo como ele aperta o maxilar, mas não diz nada.
Daqui de cima, vejo como os pilotos se alinham, a corrida vai começar e veremos da primeira fila, vislumbro cabelos loiros no meio de tudo cercado por homens armados.
Orion.
Fale com um motorista e dê-lhe instruções.
Seu piloto.
Apostar é coisa dele, e quando a corrida termina, ele coleta o dinheiro que ganhou e dá o pagamento aos seus pilotos.
— Gostaria de beber alguma coisa, Sr. Kael Dravin? — Um garçom se aproxima, ignorando completamente minha presença.
— Você deveria parar de ignorar a Lyra, ela decidirá se você vive ou falece na próxima vez que você a ignorar. — exclama o homem de cabelos pretos, então o garçom engole e coloca o olhar em mim pela primeira vez a noite toda.
— Quero um smoothie de morango e uma dose de uísque seco para Kael, por favor.
— Um smoothie de morango? — questiona o garçom, confuso.
— Sim, um smoothie de morango, ou pode ser uva se não tiverem morangos.
— Não temos tremores livres.....
Ele se interrompe, porque Kael fez um movimento com a mão e dois de seus homens apontam suas armas para o garçom, então ele fala desinteressadamente.
— Se ele te solicitou um maldito smoothie de morango, você pode conseguir para ela.
— Sim, senhor.
— E é melhor ser rápido, senão vou ficar puto.
O homem foge aterrorizado para me trazer meu smoothie de morango.
Kael se senta, coloca uma de suas mãos grandes em uma das minhas coxas exposta pela saia, traça com os dedos uma pequena cicatriz que tenho na coxa, o metal frio de seus anéis faz minha pele rastejar, além de sua proximidade.
Minha respiração acelera à medida que se aproxima, mas não me movo, embora todos os alertas no meu corpo pareçam disparar em alerta vermelho.
— Como você sabia que eu pediria uísque?
— Você sempre cheira a uísque.
— E isso te incomoda?
— O cheiro de uísque não me incomoda.
— E o sabor?
Ele hidrata os lábios com a língua, à medida que se aproxima, basta um movimento para unir os lábios, minhas bochechas coram com a proximidade, o que faz um sorriso zombeteiro puxar seus lábios, meu corpo grita estranhamente por seu toque, embora meu cérebro tente lembrar que ele é um assassino e gangster que tem minha vida em suas mãos, a parte com alguma sanidade dentro de mim parece ter saído de férias, sendo substituída pela parte que anseia que ele me beije e encurte a distância.
Embora não o faça, ele só ri quando vê minhas bochechas tingidas de rubor e minha respiração nervosa.
Mas decido que ele não vai me assustar, embora eu deva tremer de horror sob suas leves carícias e não me dar arrepios agradáveis, especialmente quando seus lábios parecem tão apetitosos como agora, ou quando seus olhos cinzentos me avaliam cuidadosamente.
Concentre-se, Lyra.
Eu me aproximo se possível, meus lábios esfregando nos dele toda vez que falo, vejo que ele levanta uma sobrancelha diante do gesto corajoso e seu olhar brilha maliciosamente, eu gostei do gesto, então não me afasto.
— O sabor do uísque não me incomoda nem um pouco, Kael — Eu sussurro, nossos lábios se tocando, e não sei de onde tiro coragem para a próxima coisa. — Mas não sei se o sabor do morango te incomoda, porque o do meu batom é.
A ponta da minha língua toca o lábio inferior dele, o que o deixa tenso, sei disso porque todo o meu peso está apoiado no corpo dele.
Ele sorri cinicamente, enquanto sua mão na minha coxa me aperta com força.
E seus lábios finalmente colidem com os meus em um beijo faminto.
Eu juro que estou pronta para f***r com ele.