Jak Draven.
Brinco com um copo de uísque nas mãos, Kael faz o mesmo ao meu lado enquanto mantemos o olhar fixo na escada, esperando o momento em que Lyra se levanta dali ao lado de Orion.
Espero que ela apareça chorando, ou que Orion tenha que arrastá-la para cima, mas o que realmente aparece me deixa abismado.
Lyra sobe as escadas, rindo de algo com Orion, com as mãos cheias de sangue.
Orion está rindo.
Rindo?
Kael e eu nos petrificamos com a imagem à nossa frente, e prefiro omitir o quão incrível a Lyra está com o corpo coberto de sangue.
Vendo o momento desconfortável na sala de estar, ela se desculpa dizendo que vai tomar banho e se esgueira até Jak, que a guia de volta para o quarto do andar de baixo, onde ela dorme. Deveríamos pensar em colocá-la em outra parte da mansão, ela não é cem por cento prisioneira, afinal.
— O que diabos aconteceu lá embaixo? — Perguntas de Kael.
— Achei que viria… diferente — acrescento.
Sim, tremendo ou chorando, sem rir como se estivesse andando no parque e não coberto pelo sangue de um filho da p**a.
— Não sei, ainda não entendi, mas ela ficou lá, até parecia fascinada com tudo — Orion dá de ombros.
Kael e eu ficamos surpresos com as palavras de Orion novamente, mas ele continua.
— Não sei, é confuso, mas acho que ela está familiarizada com a dor, não estou dizendo que ela entende completamente, mas ela aceita e isso não a assusta. Ela olhou para mim em tudo que eu fiz sem se assustar — Orion franze a testa enquanto continua explicando — Eu não estava com receio, somente… confuso, qualquer outra pessoa teria vomitado ou desmaiado ao ver tanto sangue, ela somente olhou para ele com curiosidade, como se fosse alguma coisa.
— E então?
— Droga, então… quando olhei para ela, quando suas mãos tocaram o sangue, algo brilhou em seu olhar, Kael, foi como se ela estivesse fascinada por isso — algo também brilha no olhar de Orion — Eu queria que tivessem visto.
— Eu disse a eles que ela era especial.
Kael me julga com seu visual e depois faz o mesmo com Orion.
— Não importa o que seja, não é confiável, fazemos o trabalho com ela e pronto.
— Por que não é confiável na sua opinião, Kael? — Eu questiono, levantando-me.
— Não é como nós — refuta.
— Ah não? — Eu ironizo — Acho que ela é mais parecida conosco do que com qualquer um, o pai dela fez a vida dela uma merda, você mesmo a ouviu falar sobre seu pesadelo.
— E o pai dele é o mesmo filho da p**a que estragou nossas vidas. — acrescenta Orion.
— Isso? Matar um cara juntos fez você criar um vínculo, Orion?
— O que diabos há de errado com você? Por que você está na defensiva? — Jak explode.
— Não estou, é que o que vocês dois estão insinuando é absurdo!
— Não é! — Eu explodo. — O problema é que te assusta que a Lyra seja tão igual a nós que você não saiba o que diabos fazer!
Kael e Orion olham para mim com espanto, normalmente sou eu quem regula as brigas entre eles, mas a atitude deles me deixa ferrado, então acalmo minha respiração e continuo.
— Escute, Kael, eu sei que você acha que tem que tomar todas as decisões para nos manter seguros, mas não somos mais crianças, somos um time, esse era o acordo. — Eu vejo como ele se acalma e se recosta no sofá. Orion continua parado na frente dele, ainda coberto de sangue pingando no chão — Lyra é uma vítima de seu pai, que acaba sendo o mesmo filho da p**a que nos ferrou, mas ele ainda é a vítima.
Aparentemente, ela tem algo errado dentro dela, como você, como Orion e eu, ou então ela não teria subido aquelas escadas com Orion novamente, ou ela não teria solicitado ontem no armazém para você levar aquele homem.
Jak olha para mim, analisando minhas palavras.
— Não podemos libertá-la — ele finalmente diz.
— Não libertá-la, mas dar-lhe uma chance? —Tentar.
— Deixe-a se encaixar, deixe-a saber como é viver com lobos, continuaremos com o trabalho de caçar o filho da p**a de Higor, se ela conseguir se encaixar, veremos o que faremos com ela — Orion segundos.
Vejo-o duvidar, os seus olhos cinzentos captam todas as suas dúvidas.
— Sei que é uma ideia maluca, mas tenho um bom pressentimento sobre ela e conheço Orion também, ela é diferente. Kael também vê isso, embora não confie nisso. Kael não confia em ninguém além de si mesmo, Jak.
— Exceto nós, é claro.
É por isso que me surpreende que ele tenha concordado tão facilmente.
— Uma chance, se ela não se encaixar, você será quem a matará, Orion, você sabe disso. Você assumirá a responsabilidade por isso.
Ele estende a mão para mim, que eu aperto, é um acordo.
Ou serve, ou eu aceito.
— Leve-a para os túmulos amanhã, veja como ela se sai — Orion aceita
Veremos, Lyra.
Orion Draven.
Pela manhã, estou esperando a Lyra do lado de fora da mansão, encostado no caminhão blindado preto enquanto fumo um cigarro, quando a vejo sair.
Ela veste o mesmo jeans da última vez, noto pequenas marcas de sangue, porém, agora a blusa é diferente. Uma pequena blusa branca enfeita seu corpo, não sei de onde ela a retirou, mas possui um decote que me permite apreciar um pouco mais o início de seus s***s, onde meu olhar se desvia um pouco mais do que eu gostaria.
Ela não usa uma gota de maquiagem e estou deslumbrado com o quão bonita ela é. Meu olhar corre faminto sobre seu corpo, passando por suas coxas bem torneadas que preenchem perfeitamente o jeans que ela está usando.
Nestas duas semanas que está conosco, ganhou algum peso, as clavículas não estão tão marcadas como da última vez que a vi, as maçãs do rosto estão mais cheias. Ele treinou com Flávio na semana passada, apesar de suas reclamações. Além da enorme quantidade de comida que os cozinheiros preparam para isso.
— Para onde estamos indo? — Ela pergunta, chegando ao meu lado.
Meus olhos se voltam para seu rosto, seus enigmáticos olhos azuis brilhando ainda mais com o pôr do sol atrás de mim.
— Para os túmulos.
Sua testa franze em confusão, ela entra no caminhão assim que eu mando, toma o lugar do motorista, os guarda-costas entram nos outros caminhões, dois na frente, dois atrás.
— Tentar escapar ou fazer algo e******o custa a vida da sua amiga — ameaça. — Entendido, Lyra?
Ela acena com a cabeça enquanto olha para mim.
Loira gostosa.
Eu dirijo até os túmulos.
É assim que chamam esse setor da cidade, cheio de prédios altos, sombrios e cinzentos, tão altos que o sol não brilha através deles, deixando vielas frias e desoladas.
Vários automóveis estão estacionados nos arredores, todos igualmente luxuosos, os altos edifícios pintados de cinza erguem-se diante de nós, imponentes. Há muitas pessoas nas ruas, meus homens são responsáveis por nos cobrir e abrir caminho para nós.
Quando saio do veículo, viro-me e abro a porta para ela, a quem ofereço a mão e ela a pega imediatamente.