Capítulo 07: Bonito irresistível

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Mais um dia sobrevivendo no inferno disfarçado de escola, Westbrook High School. Foi difícil olhar para o Liam durante o dia quando fizemos algumas aulas juntos, claro, e como sempre, ele estava acompanhado dos seus inseparáveis cães de guarda, John, Maike e Fred. Eles andavam pelos corredores como se fossem donos da escola, rindo alto, provocando todo mundo. Mas teve uma aula em que eles tiveram que se separar: Química. A única que Liam fazia sozinho. Eu sabia disso, claro. Não que eu estivesse prestando atenção… bom, talvez estivesse. Quando fui até meu armário buscar um trabalho, eles estavam conversando a poucos metros dali. — Cara, esquece essa aula de química — disse John, encostado no armário ao lado do de Liam. — É, fica com a gente. Vamos dar uma volta — completou Maike. — Já falei que não dá. Tenho que ir à aula. — Agora o bonitão quer ser nerd também. — disse John. Eles caíram na risada. Fred estalou a língua e cruzou os braços. — Deixa essa aula de química pra lá, Liam. Para de ser chato. — Não posso — resmungou, passando uma mão pelo cabelo. — Por que não? — Fred cutucou ele com o cotovelo. — Minhas notas em química tão uma d***a. O treinador tá em cima disso. Se eu não melhorar, ele falou que pode até reconsiderar minha posição de capitão. Não posso correr o risco de perder pro Tyler por causa de uma matéria i****a. Fred deu uma risada. — Que drama. Isso nunca vai acontecer. Liam não respondeu. Ele parecia irritado, mas também inseguro. Eu mexi no meu armário, pegando o trabalho que precisava, tentando passar despercebida. Mas, é claro, nada passava despercebido quando Fred estava por perto. — Olha só quem tá aqui — ele cantou, virando-se na minha direção. Ignorei, fechando o armário com um tranco mais forte do que o necessário. Foi quando tropecei em algo. Olhei pra trás. Era o pé do i****a do Fred, estrategicamente colocado no meu caminho. — Vê se olha por onde anda, odd girl — provocou Fred, com aquele sorriso cínico. Os outros caíram na risada. Eu apenas olhei pra ele com raiva. — i****a — murmurei, antes de me afastar. Segui em direção à sala de química e me sentei no fundo, longe de qualquer um que pudesse me perturbar. Tirei meu material da mochila, respirando fundo. De repente, ouvi o som de outra cadeira sendo puxada ao meu lado. Olhei de canto. Era o Liam. Meu coração deu um pulo estranho no peito. Ele virou o rosto em minha direção. — Tem algum problema me sentar aqui, odd girl? — perguntou, a voz baixa, e desinteressada. — Claro que não — respondi rápido e comecei a levantar para trocar de lugar. Mas ele me puxou pelo pulso, com firmeza, me fazendo sentar de novo. — Relaxa. Você é boa em química, né? — Sim. Por quê? — Preciso melhorar minha nota — respondeu, sem rodeios. — E o que eu tenho a ver com isso? Ele riu. Um riso curto, meio irônico. — Você tá engracadinha hoje, odd girl. Eu preciso de ajuda com a matéria. — E por que não pede ajuda pros seus amigos? Liam desviou o olhar por um segundo e depois me encarou de novo. — Porque eles são um bando de idiotas. Você vai me ajudar ou não? Antes que eu pudesse responder, a professora Margaret entrou na sala com seu usual coque apertado e blazer de tweed. — Abram o livro na página 30. Hoje vamos revisar reações de oxirredução — anunciou, enquanto escrevia "Redox" no quadro. Liam se inclinou em minha direção. — É sério… me ajuda, por favor? Ele não tirou os olhos de mim, esperando uma resposta. Uma parte minha queria dizer não e mandar ele se f***r. Mas outra... outra queria desesperadamente dizer que sim. E outra coisa: eu tava adorando ver ele me pedindo ajuda. — Tá bom — murmurei. Ele sorriu de canto, fazendo o i****a do meu coração bater rápido. Durante a aula, fomos fazendo os exercícios juntos. Liam era péssimo. Tentei explicar com paciência, mesmo com ele reclamando o tempo inteiro. — Isso aqui parece outro idioma — resmungou, apoiando a cabeça na mão. — Porque você nunca prestou atenção — retruquei, anotando a explicação no caderno dele. — Isso aqui é fácil, olha… Me inclinei para apontar as partes da equação, e por um segundo percebi o quanto estávamos perto. A respiração dele era lenta, e ele me olhava de um jeito diferente… como se estivesse apreciando cada detalhe do meu rosto. Conforme eu falava, ele se aproximava mais, prestando atenção de verdade. — Você sempre foi assim? — perguntou de repente. — Assim como? — Sei lá… inteligente — disse, com um sorrisinho. Minha vontade era dizer: E VOCÊ, SEMPRE FOI ASSIM: BONITO, IRRESISTÍVEL E INSUPORTAVELMENTE GOSTOSO ? — Sim, sempre fui "nerd" — respondi. Ele sorriu, me olhando em silêncio por alguns instantes... — Você é boa nisso, odd girl. Boa de verdade. — Obrigada… eu acho. Ele sorriu de canto e me encarou. Naquele instante, foi como se o tempo tivesse parado, tudo ao redor silenciou, como se o universo segurasse a respiração. De repente, senti uma de suas pernas roçar na minha, de um jeito que definitivamente não era acidental. O contato provocou um choque que percorreu meu corpo, deixando minha pele arrepiada e meu peito apertado. Nossas mãos repousavam próximas sobre o livro aberto, quase se tocando. Lentamente, ele deslizou os dedos até encostar nos meus. Talvez o fato de estarmos sozinhos ali, no fundo, naquele canto isolado da sala, tenha dado a ele essa liberdade. Minha respiração já estava pesada, difícil de controlar. Olhei para ele, confusa, buscando alguma lógica naquele toque. E quando apertei sua mão, Liam levantou a minha, como se fosse mostrar algo, e perguntou: — Me explica isso aqui? EU ENTENDO TUDO ERRADO MESMO... No fim da aula, ele fechou o caderno, se levantou e olhou pra mim como se pensasse em dizer algo, mas hesitou. Aí se virou de volta. — Valeu pela ajuda, odd girl. Amanhã… a gente continua? — Só se prometer que vai pedir pros seus amigos pararem de pegar no meu pé. Ele hesitou, como se não soubesse o que responder. Então assentiu com a cabeça e foi embora, sem dizer mais nada.
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