Quando caiu de volta no chão, virou-se para mim, ofegante, um sorriso nos lábios.
— Tá impressionada?
EU DEVIA ESTAR. MAS NÃO PELO LANCE.
— Talvez. — respondi, tentando soar indiferente e falhando de novo.
Liam riu baixo, passando por mim de propósito. Seu ombro roçou no meu, foi um toque rápido, mas quente o suficiente para me fazer sentir borboletas no estômago.
— Sua vez. — disse, andando de volta e parando bem perto. Perto demais.
Peguei a bola, e meu coração batia tão rápido que temia que ele pudesse ouvir. A palma das minhas mãos suava. Apertei a bola com força, tentando manter o controle, mas era impossível com Liam ali, tão perto.
Ele era lindo. Tentador. Um gostoso do c*****o.
— Vai jogar ou vai continuar me olhando como se quisesse me beijar?
Um calor subiu pelo meu pescoço. m***a.
— Você tá se achando muito — falei, tentando parecer firme.
Ele deu um passo a mais. Agora, nossos corpos quase se tocavam. Se eu me inclinasse só um pouco para frente, nossas bocas se encontrariam.
O sorriso dele se alargou. Sexy. Confiante.
— Tô? — murmurou, o olhar percorrendo meu rosto.
Antes que eu pudesse responder, se é que conseguiria formar palavras, ele se afastou de repente, pegando a bola da minha mão com uma facilidade irritante.
— Assim fica fácil. — zombou, driblando para longe, indo em direção à cesta.
Eu fiquei parada, hipnotizada.
Então ele saltou. O corpo estendido no ar, a camiseta subindo o suficiente para revelar aquele "V" tentador na virilha, e enterrou a bola com força. O aro tremeu com o impacto.
Ele comemorou saltando no ar, os braços erguidos, um grito abafado de vitória.
Eu me aproximei, tentando parecer indiferente.
— Exibido. Por isso o Tyler não gosta de você.
— Exibido, eu?
— Sim.
Ele riu, secando o suor da testa com a barra da camiseta, revelando ainda mais do seu abdômen.
— Não era nem pra ele estar nos "Falcões". Ele joga pelo ego, não pelo time.
Eu encolhi os ombros.
— E você joga como se tivesse nascido com a bola na mão. É por isso que ele te odeia.
— Ele não me odeia. — disse, baixinho. — Ele queria ser eu.
Antes que eu pudesse responder, Liam se afastou, dando as costas e caminhando em direção à saída.
— Até amanhã, odd girl.
Eu fiquei parada, segurando a bola com as mãos suadas, assistindo ele ir embora.
Eu já estava pronta pra sair dali quando ouvi risadas altas. De repente, Liam entrou no ginásio novamente, pedindo silêncio, passou reto por mim, indo direto pros vestiários, como se estivesse fugindo de alguma coisa.
Fiquei parada por um instante, tentando entender o que ele estava fazendo de volta ali. Não deu tempo. Milla surgiu com o andar decidido de sempre, seguida pelas suas inseparáveis sombras, Emma e Madson.
— Milla. Aqui pra ver o namorado? — perguntei.
Ela ergueu uma sobrancelha, como se eu tivesse acabado de perguntar se o céu era azul.
— Claro. Ele tá aí ainda? — ela olhou por cima do meu ombro, como se esperasse que Liam aparecesse magicamente atrás de mim.
— Não. Ele já foi embora. — menti.
Milla franziu a testa, claramente frustrada.
— Sério? Ele sempre espera por mim. — ela murmurou.
Emma e Madson trocaram olhares.
— Ele deve ter ficado ocupado, Milla — Emma disse, tentando acalmá-la.
OU ENTÃO ELE SE CANSOU DE VOCÊ.
A frase bateu na minha língua, mas engoli no último segundo.
Ela respirou fundo, desviando o olhar por um segundo, e então bufou.
— Bom, se você o vir, fala que eu tô procurando ele. — ela ordenou, como se eu fosse a mensageira oficial do relacionamento dela.
Eu resisti ao impulso de revirar os olhos.
— Claro. Vou dar o recado. — respondi, em um tom que deixava claro que não faria nada do tipo.
Ela pareceu perceber o sarcasmo, porque seu nariz se contraiu levemente.
— Ridícula. — resmungou, antes de virar as costas e sair acompanhada das suas duas irreparáveis sombras.
Assim que elas passaram pela porta, deixei o corpo relaxar.
Decidi ir até o vestiário.
Empurrei a porta, que rangeu levemente ao abrir.
— Liam? — chamei, a voz baixa.
Ele reapareceu, com o celular na mão. Encostou-se em um dos armários, os braços cruzados.
— Obrigado.
— Por quê? Por mentir pra sua namorada? — perguntei, incapaz de esconder o tom cortante. — Se você não tá contente com ela, termina. Não me envolve nisso.
Ele deu um passo à frente, mais perto do que devia.
— Eu não te pedi conselho.
— Mas pediu pra eu mentir. E isso é bem pior.
Ele respirou fundo, olhando pra mim.
— Qual é o seu problema, hein?
— Liam se você não tá mais afim da Milla, só termina com ela.
Ele deu uma risada seca, avançando alguns passos.
— E por que você se importa tanto, hein? O que você ganha com isso, Roxie? — ele perguntou, sem tirar os olhos de mim. — Fala aí... o que você ganha se eu terminar com ela?
— Quem sairia ganhando seria a própria Milla. Você tá brincando com os sentimentos dela.
Ele se aproximou ainda mais, e antes que eu pudesse escapar, fechou a distância entre nós. Eu recuei, e minhas costas bateram no armário.
— Ah, é? — ele sussurrou, o braço passando por cima do meu ombro para se apoiar no armário. — Ou será que você quer estar com ela... ou no lugar dela?
Meu coração disparou.
— Cala a boca, Liam... — murmurei, desviando o rosto, mas ele não recuou.
— Você tá doida pra sentir o que ela sente quando tá comigo, não tá, odd girl? — ele insistiu, e o olhar dele sobre mim era desafiador e provocante.
Tentei negar. Tentei rir. Mas o som morreu na garganta.
— Você sente alguma coisa por mim? — perguntou, a voz agora mais baixa, num sussurro rouco.
MERDA, m***a, MERDA
— Não sei do que você tá falando.— menti, virando o rosto.
Liam riu baixinho, o sopro quente no meu pescoço.
— Você mente muito m*l, odd girl.
Sem pensar, ergui a mão para empurrá-lo, mas minha palma acabou se apoiando contra seu peito. O coração dele estava batendo rápido. Liam olhou para onde eu o tocava, e quando ergueu os olhos novamente, havia algo diferente neles.