Em um dos armários, Liam estava encostado com seus fiéis cães de guarda, rindo de alguma m***a que o i****a do Fred mostrava no celular, provavelmente um meme b***a, um vídeo ou mensagem de alguma garota que ele iludiu, e os outros rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
Liam olhou para o celular e soltou uma risada, os lábios se curvando de um jeito que fazia minha garganta secar. Algumas mechas do cabelo caíram sobre a testa e, m***a, ele fez aquele gesto de novo, aquele maldito gesto que me tirava do sério sem motivo algum. Num movimento automático, os dedos dele subiram rápido, empurrando o cabelo para trás.
Eu devia odiar esse gesto. Devia achar pretensioso, exibido. Mas não odiava. Meu cérebro congelava toda vez que ele fazia isso. Queria entender como alguém podia ser tão absurdamente bonito sem nem tentar.
Ele levantou o olhar e me viu. Por um segundo, nosso contato visual durou mais do que deveria.
Havia algo nos olhos dele, aquele maldito olhar, que parecia enxergar direto dentro de mim, como se soubesse o quanto eu era louca por ele. Talvez ele soubesse mesmo. Cada piscada, cada movimento sutil me fazia perder o controle.
O rosto dele... parecia esculpido, como se não bastasse ser insuportavelmente bonito. Linhas suaves, aquele maldito maxilar marcado que me deixava travada. Eu queria odiar aquilo. Queria parar de imaginar meus dedos seguindo cada curva daquele rosto. Mas não conseguia.
E o nariz, perfeito, como se tudo nele tivesse sido colocado no lugar certo só pra me provocar. E os lábios... malditos lábios. Cheios, definidos, provocantes. Às vezes eu me pegava imaginando o gosto daquela boca, e odiava isso. Odiava o quanto queria sentir aquele beijo, o quanto queria morder aqueles lábios...
Desviei o olhar primeiro, fingindo procurar algo no meu armário.
Foi então que a voz do Jason quebrou o silêncio:
— Eu vi mesmo isso? — murmurou, com um sorrisinho no canto dos lábios.
Franzi a testa, confusa.
— Viu o quê, Jason?
— O Miller olhando pra cá.
Meu corpo travou. m***a.
— Tá maluco? — retruquei rápido. — Ele devia estar olhando pro seu olho roxo.
Assim que as palavras saíram, percebi que tinha sido um comentário infeliz.
— Foi m*l, Jase — acrescentei, abaixando um pouco a cabeça.
Ele deu de ombros e sorriu.
— Tudo bem.
Nesse momento, o primo do Jason chamou por ele do outro lado do corredor.
— Jason! — acenou com a mão.
Ele se despediu com um t**a leve no meu ombro.
— Depois a gente se fala, Roxie.
Jason foi embora, e eu fiquei ali, observando ele e o Noah conversarem do outro lado do corredor. Seu primo falava com entusiasmo, gesticulando com os braços agitados, rindo. Jason ria alto.
No meio de uma frase, o Noah olhou por cima do ombro dele. Seus olhos encontraram os meus, e ele sorriu, mas não foi um sorriso qualquer.
Os olhos dele pareciam perguntar algo.
Automaticamente, olhei rápido pros lados, procurando alguém. Talvez ele estivesse olhando para outra pessoa. Qualquer pessoa. Mas não.
Quando voltei o olhar, os dois já estavam virando o corredor. E, antes de sumirem completamente, Noah fez questão de olhar pra trás. Dessa vez, sorriu novamente para mim com um piscar de olhos lento, antes de desaparecer.
O sinal tocou, anunciando o início das aulas, e eu me joguei no meio da multidão de estudantes. Os corredores fervilhavam com gente indo em todas as direções, passos apressados, vozes se cruzando, livros caindo.
A primeira aula era Cálculo. Sentei no meu lugar de sempre, junto à janela, tentando organizar os pensamentos, mas a cabeça ainda estava meio zonza por causa do que tinha acontecido mais cedo no corredor.
A senhorita Morgan entrou na sala acompanhada do Noah, o primo do Jason.
— Turma, este é o Noah William, novo aluno — anunciou a professora, enquanto ele acenava com a mão. — Sejam bonzinhos com ele, e vamos ajudá-lo a se adaptar.
O olhar dela varreu a sala até parar em mim.
— Roxie, você pode ajudar o Noah com toda a matéria?
Todos na sala viraram para me encarar, inclusive Noah, que abriu um sorriso de orelha a orelha.
— É… sim. — respondi, tentando parecer calma.
— Ótimo. — ela assentiu, satisfeita, e indicou a carteira vazia ao meu lado.
Noah se sentou e, sem perder tempo, estendeu a mão com um sorriso simpático.
— Noah. Mas acho que você já sabia.
— Eu sou a Roxie. — apertei sua mão.
Ele grudou na minha mão e não soltou. Segurou com firmeza, com os olhos fixos nos meus, e pude ver mais de perto os detalhes do seu rosto, de formato levemente oval, com o maxilar marcado. A pele era lisa e clara; havia algumas imperfeições visíveis, mas nada f**o ou estranho para um garoto da sua idade. Os olhos, castanho-escuros e marcantes, tinham um olhar profundo e levemente melancólico. As sobrancelhas, grossas e bem delineadas, com um arco sutil, acentuavam a expressão dos olhos. Eram naturais, mas bem cuidadas, dando um ar expressivo e confiante ao rosto. O nariz era reto e proporcional ao restante do rosto. Os lábios, levemente cheios e bem definidos. O lábio superior tinha um contorno delicado, enquanto o inferior era mais cheio.
Quando ele sorriu de lado, encarei seu rosto e percebi que ele também olhava para os meus lábios. Raspei a garganta, sem jeito, e finalmente ele me soltou.
Abri o livro e ele fez o mesmo, mas m*l consegui prestar atenção na aula. Eu estava nervosa com a presença dele, sem contar que Noah parecia mais interessado em mim do que no conteúdo. Cada vez que eu virava o rosto, ele já estava me encarando. Às vezes sorria, outras apenas observava.
Quando o sinal finalmente tocou, me levantei rápido, mas antes que eu pudesse fugir da sala, Noah me chamou:
— Ei, Roxie! — se aproximou com passos tranquilos. — Posso ir na sua casa depois da aula?
— Hã? — franzi a testa.
— Pra colocar a matéria em dia, lembra? Você que vai ser minha tutora, ou algo assim.
— Ah… hoje não dar. Vai ter treino depois da aula. Preciso ajudar o treinador…
— Você faz parte do time?
— Claro que não. — ri, sem graça.
— Então o que você faz no treino?
— Ajudo a organizar tudo. Carrego as bolas, uniformes, materiais… essas coisas.
Noah riu baixinho, balançando a cabeça.
— Então… que tal irmos pro refeitório? Já tô morrendo de fome, e não vou aceitar um “não” como resposta.
Sem muita escolha, acabei aceitando, e fomos juntos até refeitório.