GEOVANA VIDAL
Encaro todos os Coopers que me olham apreensivos e alguns com lágrimas nos olhos. Nunca contei isso a ninguém, falar disso...rememorar coisas tão dolorosas, faz meu peito doer demais.
— Eu consegui ir até em casa e pegar o máximo que podia, e o dinheiro que Yuri havia me dito. Mas logo quando sai na porta, ouvi tiros, percebi que uma operação tinha começado, polícias de um lado e bandidos em outros, pessoas no meio do fogo cruzados, balas pedidas atingindo animais e inocentes. No meio da confusão eu corri, e acabei caindo com a perna em cima de um arame enferrujado e enfarpado, ele enroscou na minha perna toda. Tive que me arrastar para ninguém me pegar, a dor era imensa. Eu acabei esbarrando com alguns polícias, e dois deles me ajudaram me levando ao hospital, mas eu sabia que não podia fica, eles podiam ser algum p*u mandado do Eduardo e eu não podia corre o risco de ser pega, depois que tiraram o arame e fizeram curativos, eu saí de lá, o mais rápido possível pegando qualquer ônibus para qualquer lugar. Passei a noite em um hotel e depois fui para a rodoviária, comprei uma passagem para o Rio Grande do Sul, esse estado tem fronteiro com o a Argentina, fui para la. E só então pude ir a um hospital. Lá eles me disseram que teriam que arrancar a minha perna, o arame que havia enroscado com a minha perna inteira, dislaceirou ela por completo, fora que o mesmo estava enferrujado, eles temiam que podia dar um infecção e se espalhar, então foi necessário.
" Fiquei alguns meses la, e consegui a doação de uma prótese. Quando estava recuperada e bem, pela internet, paguei para tirar meu passaporte, voltei para o Brasil para isso, e depois tirei o visto para os Estados Unidos. Fiquei escondida la até tudo está certo. Na primeira oportunidade, vim para cá, me estabeleci em uma casa com o dinheiro que Yuri deixou e por sorte arrumei um emprego em um consultório médico.
— Eu imagino como deve ter sido essa situação, saiba que aqui, nada de m*l vai te acontecer, eu dou a minha palavra.— Encaro o rosto da Sra. Cooper, ela esta com lágrimas em seus olhos.
Acho que ela, me entende melhor que qualquer um.
— Tenho amigos que podem nos ajudar a monitorar e nos avisar, quando Eduardo chegar.— profere o Sr. Alex Cooper.
— Geovana, por via das dúvidas, o melhor é que fique em nossa casa.— Arregalo meus olhos.
— Não, eu já causei problemas demais para essa família, não quero...
— Seria irresponsável te deixar sair por aquela porta, sabendo que um dos alvos do Eduardo, é você.
— Alex, tem certeza disso? Isso só vai aumentar ainda mais o foco em cima da sua casa.— murmura o tal Liam.
— Pai, posso ficar aqui na casa também, acho que se ficamos juntos, vai ser melhor.— Os olhos de Christian são direcionados a mim e um arrepio estranho toma conta do meu corpo.
Nossa.
— Isso seria ótimo. Theo?— Alex indaga e olha para o outro filho que é irmos gêmeo de Christian.
— Posso deixar os cassinos nas mãos de homens de confiança por um tempo, mas se caso acontecer algo, vou precisar ir a Las Vegas.
— Isso vai ser ótimo, ter meus filhos comigo, só faltou a Aline pra completar.— Dona Angel diz eufórica.
— Aline vai está segura em Genovia.— murmura o Caleb, avô de Christian e pai de Alex, olhando para a tela do notebook.
— Bom, então estamos todos entendidos. Geovana, se permitir, vou pedir aos seguranças para irem a sua casa buscar suas coisas.— Abro a boca para protesta, mas Angel se adianta.— Isso é algo mais pessoal para mim do que imagina, apenas por favor, aceite.— sussurra em meu ouvido. Sacudo a cabeça em concordância.
— Então é isso, seja bem vida a mansão Cooper.— murmura Theo fazendo todos rirem, menos Christian.
****
Eu já estava a acomodada ao meu quarto, com a ajuda de duas empregadas, arrumei tudo em seu devido lugar. O quarto é espaçoso, todo branco, piso de madeira e teto de gesso com belos desenhos, lustre grande bem no meio. e a Angel disse que posso decorar da forma que quiser. Não faria isso, isso tudo é provisório, e quando tudo acabar, vou voltar a minha vida de antes.
Escuto três batidas na porta, murmuro um "entre" e logo Christian aparece, sem gravata, mangas da blusa social branca, levantada na altura do cotovelos, calça escura e bem moldada em seus quadris e pernas, assim como a blusa molda seu corpo, parece que foi feira especialmente para o deixar fisicamente sexy.
— Estou aprovado?— Sinto minha bochechas corarem, e rapidamente desvio o olhar para qualquer coisa que não seja ele.
Porra, da próxima vez, seja discreta!...espera, próxima vez?
— Desculpe.— murmuro.
— Já estou acostumado com esses olhares.— Encaro seus olhos intrigada
— A jura? Que tipo de olhares?
— Desejo.— Se aproxima.
— Eu não estava te olhando assim, seu convencido. — Ele sorri.
O maldito sorriso.
— Ok, vou fingir que acredito.
— Eu não...
— Minha mãe pediu para vir, me cetificar de que esteja bem acomodada. Pelo que vejo, já até arrumou suas coisas, então, com licença. — Ele se vira para sair e eu não pude evitar meu olhar cair em sua b***a.
Maldito Cooper!
CHRISTIAN COOPER
Levo o copo a minha boca e bebo o líquido quente que desce rasgando a minha garganta, meu pai e Theo entram na sala e antes que perguntem algo, já adianto.
— Não gosto dela.
— Não é isso que iríamos pergunta, mas é interessante essa frase.— profere Theo.
— Porque?
— Você se sente atraído por ela, não o culpo, ela é uma bela mulher, e independe da sua deficiência, isso não anula nada a beleza dela.— confessa meu pai.
— Ela me atrai como qualquer mulher.— Meu irmão ri.
— É mesmo? Então não se importaria se eu tentasse t*****r com ela, certo?— Aperto o copo em minha mão e reprimo um xingamento.
— Não acha que ela já passou por merda o suficiente, para você brincar com ela?
— Como meu pai mesmo disso, ela é uma mulher bela, independentemente se tem uma perna ou não, e pelo que percebi ela é uma mulher bem quente e que não é do estilo delicada ou que liga se só vou t*****r com ela ou não, então porque não Se divertir um pouco, aliviar...tensões. — Um barulho de algo se quebrando é ouvido, logo os cacos de vidro caem no chão, olho para minha mão e vejo alguns corte do copo quebrado.
Caralho!
— Interessante, você não gosta dela, mas tem ciúmes, que lindo.— Encaro Theo sem esbanjar nenhum sorriso.
— Já chega, Theo. Vou buscar algo para fazer curativos.— Meu pai sai da sala e meu irmão me encara com um sorriso vitorioso no rosto.
— Incrível como o tão frio Christian Cooper, foi pego pelo tal do "Amor"— faz aspas com os dedos.
— Não fale asneiras, acho que a droga que deve ter usado em Las Vegas te fez ficar assim.— Ele ri.
— As drogas que uso se chamam bocetas. E você, nem provou e já está louco por uma específica.
— Não vou ficar com ela.
— Ue, e porque não?
— Eu sou um bastardo comedor de bocetas, ela não merece ser só mais uma.— Balanço minha mão para o restinho de vidro cair no chão.
Droga, isso arde!
— Você tem pena dela?
— Claro que não...eu só acho que ela não é para ser trata assim.
— Assim como? Uma mulher? Chris, você a vê como uma pessoa frágil por ela ser deficiente, isso é r**m, ainda mais agora, depois de saber o que ela já passou.
— E porque isso seria r**m?
— Trata-la assim, não acha que só vai piorar o sentimento que ela tem, da dor que ela já sentiu? Olha a mamãe, ela passou por coisas parecidas, e nem por isso meu pai a olhou com pena ou como frágil, muito pelo contrário. Sempre a viu como uma mulher forte, capaz de enfrentar qualquer. — Fecho os olhos para não demostrar o quanto as palavras dele me afetaram.
— Eu não consigo.— Confesso.
— Então te aconselho a ficar longe dela.
— Como assim?
— Vai magoa-la muito se continuar a trata-la com pena, se quer f***r com ela, f**a e a trate como uma mulher de verdade, não como um objeto que pode ser quebrado a qualquer momento, ela é mais forte do que nos dois juntos.
E assim, meu irmão sai da sala deixando minha cabeça com mil pensamentos.
Merda! É tão difícil!