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Lorenzo Ferri O dia por aqui foi interessante, visitei as minhas minas e até lá é uma distância. Cuidar da burocracia e me inteirar de coisas que a distância não eram possíveis, me fez levar o dia inteiro fora da cidade. Essas minas foram uma descoberta que eu fiz quando comecei a assumir os negócios da família, porém, há imbecis que estavam interessados nas mesmas. Um deles sendo a família Bianchi, para a produção de armas e baterias nucleares ilegais. Interessante. Mas nada que me agrade e nada que seja público, obviamente. A richa que já existia em nossas famílias aumentou de forma significativa, tão significativa que ocasionou a morte do meu pai. Mais que isso na verdade. E se tem uma coisa que eu detesto... É que toquem e mexam no que é meu. Bem, os diamantes... estão num cofre nesse momento, nessa cidade, enquanto as minas continuam sendo exploradas. — Eles já sabem que você está aqui — o Luca diz, pegando na sua mala. O vim deixar no aeroporto. — Não é um segredo — respondo, e ele me encara. — Eu te informo de tudo por lá, apenas... faça o que sabe fazer de melhor — diz, e eu sorrio. — Eu retornarei em breve — falo. — Faça uma boa viagem, fratello mio — o despeço. — Grazie! — diz, e entra, no exato momento em que o senhor Jean me liga. — Lorenzo! — saúda. Ele é bem-humorado. — Como vai? — pergunto, entrando no carro. — Ótimo — responde. — O horário de trabalho acabou, estarei no escritório se não estiver ocupado — diz. — Estou a caminho — o respondo. — Até logo! — diz e eu desligo, acelerando até lá. Vamos tornar isso divertido. Cheguei em alguns minutos, e bem... Entende-se que a crise de meia-idade existe e que um homem como ele resolveu se dedicar a causas dos menos afortunados — o que é bonito —, e luta contra grandes organizações e pessoas perigosas, como um mantra para a sua vida... Mas, para tudo o que ele fez e faz, esse escritório não faz jus. — Seja bem-vindo! — diz, enquanto entramos no seu belo escritório. — Muito obrigado! — falo, observando. — Belo escritório — comento, e ele sorri. — Eu gosto dele, mas não precisa ser cordial — diz, me fazendo sorrir. — Eu realmente achei ele bonito, não esperado de um advogado como você, mas bonito — afirmo. — Whiskey? — pergunta. — Por favor — respondo, observando o seu quadro de investigações. Nada que eu já não tenha o conhecimento. — Para o que eu quero fazer agora, um escritório maior e mais pessoal é desnecessário — diz. — E quem é o seu homem de confiança? — questiono, observando a outra mesa aqui, enquanto ele pousa o copo de whiskey na minha frente. — O Miguel? Ele é um ótimo, ele não defende, mas é ótimo com processos. Ele cuida da área dos litígios — humn. — E a Bianchi? — questiono. — Ela trabalhava na minha antiga firma, ao sair da faculdade, como já sabe — diz. — Porém, eu já assumia casos que obviamente eram contra a Bianchi, ela não permaneceu por muito tempo — fala. — Ela tem um grande potencial como advogada... se decidisse praticar ativamente — comenta, e é notável a apreciação e o cuidado com que fala da filha da pessoa que mais menospreza. — Acha mesmo que ela liga para justiça e leis? — indago, e ele levanta o seu olhar na minha direção. — Você não liga nem para um e nem para outro, no entanto, é quem eu confio para esse caso — diz. — Não é segredo para ninguém onde a minha cabeça está — pontuo. — A questão é, a filha do Bianchi de alguma forma possui a sua confiança, como pode ter certeza que ela é confiável para continuar, supostamente o ajudando? — indago, e o seu olhar observa o conteúdo no seu copo. — Se tem uma coisa que esse velho colectou nos seus longos anos de carreira, é como ler as pessoas e os seus corações — fala e eu o observo. Eu não estaria aqui se não soubesse o quão bom ele é. Mas todo e qualquer julgamento pode ser provado errado, cedo ou tarde. E, por enquanto, o dele quanto a filha daquele cazzo, me passa pouca confiança. Enfim... Verificarei, eu mesmo. — Corações... — menciono. — Profundo — pontuo e ele sorri. — Conto com você? — pergunta, e eu o observo. — Não teria cá vindo por nada — respondo e ele assente. — Mas o senhor sabe que os nossos métodos de resolução de problemas são completamente distintos — menciono, e ele assente. — Só monstros podem derrotar monstros. Eu queria que um monstro de verdade aparecesse e cuidasse desses babacas, mesmo que fosse ilegal... — seus olhos sobem até aos meus. — Não pode ser esse monstro, Lorenzo Ferri? — indaga, expectante e eu sorrio. Som de saltos batendo no chão, termina a nossa conversa e atrai os nossos olhares para a entrada. Ora, ora, ora... Zahara Bianchi.
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