Gilbert Bianchi
— Como vai o assunto das minas e a demolição dos prédios? — questiono aos advogados, assim que entro na minha sala.
Seus olhares e sua postura cabisbaixa já me responde para a minha irritação.
— Senhor... — o advogado busca responder.
— O que eu vos pago não é suficiente? — indago.
— Claro que é... — a advogada diz, mas eu a corto, olhando para a face dos dois melhores advogados da maior firma de advocacia aqui.
— Eu me livrei do pai daquele desgraçado, como dizem... nada melhor para desestabilizar um filho da mãe, teimoso — digo, os observando.
— Eh... quanto à isso, senhor... — mas que porcaria.
— O quê? — meu punho encontra a mesa, farto.
— O Lorenzo Ferri chegou hoje — ah.
Sorrio.
— Ele chegou hoje, é? — questiono.
— E por que MERDAS EU SÓ ESTOU SABENDO DISSO AGORA?
— Nós recebemos essa notícia agora, senhor... — claro.
Eu sento e suspiro.
— Carros, apartamentos, honorários acima da média... — falo. — Vocês acham que eu dei isso para vocês por caridade? — questiono, batendo essa caneta na mesa, para não rasgar a face deles.
— Ou para me darem informações encima da hora e não resolverem os problemas no momento em que ordeno, quando ordeno e de qualquer forma possível — falo.
— O senhor está certo, isso não irá se repetir — dizem.
— Claro que não vai — afirmo.
— O que irão fazer? — questiono.
— Nós temos contactos suficientes para entrar na justiça e vencer, podemos abrir um processo contra ele, ele não é de cá, é estrangeiro, tirar essas propriedades de sua posse será fácil.
— E do que estão à espera? — questiono e aparentemente eles começaram a colocar os dedinhos para funcionar.
— E quais eram os outros adendos? — questiono.
— A sua filha, a senhorita Zahara — a advogada diz. — Ela continua frequentando a advocacia Bonheur — argh, Zahara, Zahara...
O que você anda aprontando quando o seu os o está no meio de uma disputa eleitoral, minha filha?
— Se ela ainda queria continuar advogando, ela podia vir para a nossa firma, trabalhar na firma do advogado que é nosso competidor e vai contra todos os nossos aliados, não passa uma boa imagem — ela diz, e eu suspiro, frustrado.
Jean... a maior pedra no meu sapato nesse momento, atraiu a minha filha para o seu lado.
Qual é o seu objetivo?
Está na hora de atar as ligas dessa, nas similaridades dela comigo, eu estou começando ver as da mãe e eu não estou gostando disso.
— Eu quero que iniciem esse processo imediatamente, antes da tour eleitoral — pontuo.
— E assim será, senhor Bianchi — é isso que eu gosto de ouvir.