Zahara Bianchi
No elevador da empresa sede do meu pai.
Eu vim apenas com o Romeo, a senhora Kim tinha coisas por cuidar na empresa.
— Não converse com ninguém daqui e tão pouco dê informações sobre a empresa para qualquer pessoa daqui — falo, e as portas se abrem.
— Claro que sim, acha que eu sou boca de lata, chefinha? — pergunta e eu sorrio.
— Eu acho que você faz amizades muito rápido, isso sim — respondo.
— Bem que eu podia ensinar para a senhorita — mas é abusado!
— Fique você sabendo que eu tenho amigos — respondo.
— Humn... eu nunca vi e a senhora Kim e eu não contamos — reviro os meus olhos, ignorando os olhares dos funcionários aqui, indo até a sala de reuniões.
—Shhh... — falo, abrindo a porta.
— Tá — ele balbucia, vindo atrás de mim.
Eu entro, e bem... encontro os cfo's aqui, directores de vendas, algumas pessoas da equipe de marketing, e claro, os meus dois irmãos, meio-irmãos, como preferirem... o Jordan e o Kaleb.
Nos damos bem?
Não.
Mas fingimos, todos aqui nessa família tem um dom especial para 'poker face', há que se jogar o jogo, independentemente de que lado você está, caso contrário, você perde.
E perder, nessa família não é uma opção, e as razões são as mais insanas que você deve imaginar.
Perder aqui é sinônimo de ser comida viva.
Nem me preocupo em saudar ninguém, simplesmente vou para o meu lugar, que fica de frente para eles, próximo a cadeira do presidente, meu pai.
No mundo dos negócios, nesse território hostil, ser pintada como rude, é uma maravilha.
— Você me parece bem — Jordan comenta, sorrindo, com o olhar em mim e eu sorrio de volta.
Essa frase foi sugestiva?
Era suposto eu não estar bem?
— Eu sempre estou bem — respondo, e eles sorriem, enquanto o meu pai entra e todos se levantam.
— Sentem-se — meu pai diz.
Do que se trata essa reunião?
Não estava na minha agenda até hoje.
Meu pai olha para o Jordan, e o mesmo se levanta, indo até o painel projetado.
Oh...
Então isso foi ideia do Jordan... interessante.
— Possuímos um novo projecto — começou, apresentando o seu bendito projecto.
Prédio residencial bilionário.
— E o seu plano é? — indago, e ele me encara.
— Você não será mais a responsável da área da distribuição — claro que esse era o plano do meu querido irmão.
— E por quê? A minha saída dará para vocês mais lucros para investir num projecto desse? — indago.
— Tirando o facto de que comanda outra empresa não associada a Bianchi, foi reportado o quão pouco ativa está nas suas funções, e existem também comentários que podem prejudicar a empresa, como o facto de você estar abusando do seu cargo para distribuir as coisas da sua empresa — me tirar da jogada, esse é o objectivo dele.
O meu pai quer escolher quem irá assumir as empresas, e, bem... o jogo que antes era pouco visto, chegou mostrando o quão agressivo pode se tornar.
— Interessante — comento.
— Com a sua saída e se for de acordo, eu posso assumir a área de distribuição, tenho certeza que a margem de lucros irá aumentar com o plano já apresentado — sorrio.
Humn...
— Alguma coisa para dizer, Zahara, ou concorda com o plano? — meu pai questiona, e eu m em viro para olhar para o Romeo, que entende de imediato, e distribui exactamente o que eu saberia que precisaria numa reunião aqui.
— O que é isso? — Kaleb, pergunta observando o documento na sua frente.
— Dados estatísticos do sector que mais faz dinheiro para à Bianchi — respondo, e os cochichos silenciosos já começam.
Mas eu faço questão de olhar cada um deles nos olhos, enquanto esfrego um pouco de factos nas caras desses imbecis querendo diminuir o que eu faço num golpe baixo e sem fundamento.
— Não é o sector de ninguém aqui presente, nem do primeiro candidato para assumir um cargo ainda não vago — cuspo, e seu maxilar trava.
— Foi apenas uma sugestão — ele rebate, na defensiva. — Mas o plano apresentado traria mais lucros, o que servirá para o nosso próximo investimento — insiste.
Eu estava sendo simpática.
— Primeiro, Jordan — falo, atraindo o seu olhar e o dos demais, rodando a caneta em meus dedos para controlar o meu estresse. — Esse investimento é uma prioridade ou um simples capricho? — questiono.
— Segundo, até onde sei a Bianchi tem orçamento mais que suficiente para cobri-lo completamente, sem necessidade de cortes — pontuo.
— Terceiro ponto, cuidar do meu sector não é se limitar a distribuir os nossos produtos em hotéis, e lojas de luxo em lugares de referência — falo. — Para ter lucros como esses, que nenhum dos vossos sectores possuem, é necessário escalar em diversas áreas técnicas, como suponho que seja do vosso conhecimento — digo.
— A distribuição agora é global, e com a minha equipe atingimos metas nacionais e internacionais em todos os sectores, portanto, não vejo motivo de reclamação e rumores infundados — falo.
— Terminou? — oh, parece que o meu irmão ficou zangado.
— Não — falo, e o Kaleb encosta na poltrona, me observando.
— Eu possuo contactos suficientes para distribuir os produtos da Zahara onde eu quiser, mas eu sou a filha do presidente, distribuir nos mesmos lugares que a minha função exige nessa empresa, concede a vocês boa margem de lucros. Se isso for complicado de entender, eu posso mandar exibir em Powerpoint — soou mais afiado do que eu pretendia.
Mas eles me irritam e eu infelizmente não sou de ferro para manter-me indiferente às suas provocações e insultos por muito tempo.
— Foi tudo compreendido — o senhor Bianchi, meu pai, interfere e sorri, fazendo todos eles sorrirem forçadamente, buscando quebrar a tensão aqui.
— Os meus filhos são bastante apaixonados pelo que fazem, isso me deixa contente — meio que brinca e eles riem como se fosse engraçado.
— Bem, ficou claro que não há necessidade de mudanças na chefia dos sectores — claramente.
E mesmo sem a minha intervenção, eu tenho certeza que já sabia disso.
— Concordo — o chefe executivo das finanças intervém. — Porém, pelo ponto de vista do senhor Jordan, para um projeto bilionário, que trará tamanho lucro, durante a sua concepção será necessário repor o que estará sendo gasto, essa é uma recomendação minha como financeiro — ele diz.
— Se têm a necessidade de repor durante a retirada com essa urgência, me parece que vocês precisam de um plano melhor ou simplesmente adiarem essa construção — falo.
— Essa também não é uma opção, a Bianchi já possui hotéis, aeroportos, shoppings, e deve continuar a expandir e nesse momento esse é o próximo marco — o Kaleb diz.
— Tudo bem, o vosso plano para que isso aconteça era me destituir, mas isso não irá acontecer, qual é o outro? — indago e o meu pai os observa, tanto como o resto dos membros da mesa.
— Prosseguiremos com a construção, e os apartamentos serão leiloados ainda no papel — o Jordan diz, e humn...
Ao menos isso não é sem sentido, mas não era isso que ele queria.
Ele me quer fora da empresa e sinceramente, eu não me importaria se não gostasse realmente do que eu faço e das pessoas com quem trabalho.
Não falo deles e sim dos funcionários do meu sector.
E, outra, ninguém me tira do lugar que eu conquistei e ainda a força, eu jamais permitirei.
Prosseguiu-se com essa reunião que eu achei completamente desnecessária para a minha sanidade, e agora estamos apenas nós na sala, o Romeo está lá fora.
— Não passou de casa ontem para jantar — meu pai diz, me observando.
— Muito trabalho — sou curta.
— É por isso que está de tão mau humor assim? — Kaleb indaga, provocativo.
— É muito difícil ficar de mau-humor por conta do trabalho, é mais fácil alguém do trabalho tentar a minha paciência como aconteceu agora — falo.
— Achei que seria mais contido ao tratar desse assunto, que história foi essa de retirar a sua irmã do negócio e sugerir na frente do conselho — o senhor Bianchi questiona.
É óbvio que ficaria zangado, não por querer me proteger, mas por que no processo da campanha eleitoral ele não quer escândalos.
E, bem... nem eu entendo.
— Meu pai, eu lamento — ele diz. — Mas não é por conta desse projecto, a Zahara não anda de acordo com o que é necessário para a empresa — Jordan diz.
— Eu não vim para cá para ser insultada — falo, me levantando.
— O seu irmão tem razão — meu pai diz, e eu não acredito nisso.
Seu olhar azul vem até o meu, frio.
— Eu estou no meio de uma campanha eleitoral para a presidência — diz. — Eu não quero manchetes e nem filhos que não sejam úteis para essa campanha — oh!
— Útil? — indago, e ele suspira.
— Venha para o jantar esta noite — apenas diz e sai.
Meu olhar vai para os dois na minha frente, só para constar, eles são mais velhos que eu, por mais interessante que seja.
— Tem que chegar ao consenso de que não pode e nem tem que se meter em todas as coisas, foque numa só — o Kaleb diz, e eu suspiro, frustrada, mas me mantendo impassível.
— Se preocupem com as vossas coisas ao invés de se meterem nas minhas coisas — falo, pegando na minha bolsa, e caminho até a porta.
— Devia escutar os seus irmãos mais velhos — diz o Jordan, irônico e eu me limito em sair, antes de perder o meu ré primário completamente.
ARGH!