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Zahara Bianchi Lorenzo Ferri... — ... — eu sorrio, nervosa, pisando fundo no acelerador. — Lourenzzo Ferri — tento imitar o sotaque e a voz dele. Ele tem uma postura de quem se considera o centro do universo. Deve se considerar visto que ele aparentemente gosta de se meter com o que não lhe diz respeito e tem a coragem de um bobo para vir para cá depois de investigar o que não devia... De que forma? Um mistério, mas não me parece que tenha sido difícil para ele conseguir aquelas informações, o que me deixa com uma pulga atrás da orelha. Quem ele acha que é? Minha mente está tão avoada, que só se liga quando as portas do elevador abrem. — Bom dia, senhorita! — os meus funcionários me saúdam enquanto eu entro. — Bom dia! — os saúdo, e já sinto os passos do Romeo atrás de mim. — Chefinha! — diz, e eu continuo caminhando para a minha sala. — Por favor, me traga um café e natas para mim — peço, por que eu estou esfomeada e não comi nada desde ontem. — Disse café? Mas você não gosta de café — ele diz, ainda me seguindo. Oh, hoje eu não estou com cabeça para falar duas vezes. — Alarme vermelho, entendido — diz, e vai saindo. — Oh, bom dia, senhorita! — a senhora Kim me saúda, já me analisando de cima à baixo. — Bom dia! — falo, entrando na minha sala e ela entra logo atrás. Pouso a minha bolsa na mesa, e me sento. — O que eu preciso saber? — questiono. — Tem uma reunião com o seu pai hoje, meio-dia, a reunião de mais cedo foi adiada para amanhã, a distribuição em massa será terminada com sucesso até depois de amanhã em todas as lojas, e a equipe de marketing do novo perfume já possui a campanha final pronta — humn. Se é reunião com o meu pai, obviamente não tem nada a ver com essa empresa, por que ela é completamente minha. Tem a ver com as vendas dos outros produtos. — As gravações de ontem? — questiono. — O chefe da segurança veio deixar há trinta minutos atrás — ela diz pousando a pendrive na minha mesa. Vamos descobrir que i*****l ousou atentar contra mim. — Tudo bem, me mande a minha agenda e os documentos que precisam da minha assinatura e autorização — falo, e ela assente. — Certo — responde, mas permanece aqui. — Aconteceu mais alguma coisa? Está se sentindo bem? — procura saber e eu observo o seu belo rosto, e os seus traços asiáticos. A senhora Kim, é bem mais velha, ela tem uns cinquenta e poucos anos de idade, e nem parece. Ela é coreana, e me trata como se eu fosse filha dela, muito provavelmente por que ela me viu crescer parcialmente — ela era amiga da minha mãe. — Eu estou bem, e não houve nenhum outro incidente. Não se preocupe — falo, e ela me observa. — Eu conheço você desde pequena, e mesmo assim está difícil de compreender o que se passa nessa cabecinha e isso me deixa preocupada — fala. — Eu sei que deve ter medo, mas nem isso transmite. Quem pensa em sapatos depois de ter uma arma apontada e quase ser empurrada para dentro de uma van? Ninguém — ela indaga. — Está zangando comigo por que eu não demonstrei medo? — questiono, e ela me observa. — Tenho muito que me preocupar para ficar sentindo medo do que podia ter acontecido — falo. — Desconfia dos seus irmãos, não é? — meu olhar sobe até o dela. Não foi ela que disse que não estava conseguindo me ler? Mas agora não é hora para isso. — Eu cuido disso sozinha, senhora Kim — falo. — Por favor, traga o que eu pedi — não quero prolongar essa conversa. — Tudo bem, com licença — ela diz, e vai saindo. — Aff... — suspiro, olhando para o pendrive na minha frente. Um dia e dois pendrives para analisar, ando muito badalada. Coloco ele, e busco analisar as câmeras que aparecem aqui no meu monitor. — Entre — autorizo a entrada do Romeo, meu assistente. Cheirinho de natas e café. — O seu pedido — ele diz, pousando na minha mesa e eu já ataco. Eu estou com fome. — Eu tenho uma novidade para contar para você — ele diz, e eu o encaro. — É rápido! — exclama, enquanto eu como. — As novas amostras já estão prontas para a sua aprovação na fábrica — ele diz, e eu assinto. — Iremos amanhã — falo, e ele sorri animado. Afinal, ele está afim de alguém que trabalha lá. — O que está vendo aí? — existem funcionários abusados! A culpa é completamente minha. — OH! Meu Deus, quando isso aconteceu? Você está bem? — ele me pergunta olhando o exacto momento que aqueles vagabundos me interpelaram. — Como pode ver — respondo. — Será que pode ser mais contido? — indago. — Tá... tudo bem — diz, observando comigo a tela. É óbvio que não seriam amadores. Não tem matrícula, e eles não estão com o rosto amostra, nada que seja fácil de rastrear... — Essa tatuagem... — ele pausa o vídeo e amplia bem na mão do i****a que tentou me puxar para dentro da van. Tatuagem esquisita. — O que tem? — questiono, tentando entender o que é esse símbolo. — É a tatuagem de uma gangue muito perigosa... estou esquecendo o nome, mas eles são assassinos. Você teve sorte, acho que eles na o queriam m***r você — fala, e eu tiro uma foto disso. — E como você sabe disso? — questiono, curiosa. — Outro dia eu estava na casa do meu amigo, não vou dizer quem ele é por que ele trabalha para os serviços inteligentes, e ele estava investigando essa gangue — um sorriso toma o meu rosto. — Então encontra eles para mim — falo, e seu rosto empalidece. — Quê? A senhora quer se envolver com esses assassinos? Nem pensar... — fala, abanando a cabeça e batendo na boca. — Apenas me diga onde eu os posso achar e não me questione mais nada — falo, e ele suspira. — Eu e a minha boca, tudo bem... eu farei o meu melhor — responde, como eu gosto. — E aproveitando os seus contactos, investigue toda a ficha de Lorenzo Ferri — ele quer jogar um jogo perigoso. — O ricasso italiano? — mafioso italiano? — Como você o conhece? — questiono, e ele sorri. — Eu sou o seu estagiário, trabalhando no ramo de negócios, seria impossível não conhecer alguém tão gostoso como aquele homem, a beleza que são os seus negócios, e o quão temido ele é — temido. É exatamente essa energia que ele passa, poder, beleza e intimidação. — Temido? — indago, e ele assente. — Bem, a senhora é a filha de Gilbert Bianchi, é normal que não se deixe intimidar tão fácil — fala. — O seu pai e ele tiveram dois atritos, por conta de uma mina de diamantes na posse do Lorenzo Ferri, e existe um prédio que está dando dores de cabeça na campanha eleitoral do seu pai — oh... Agora faz mais sentido. Ora, ora, ora... — E, sei que ele tem poder e presença bastante respeitada na máfia italiana — humn... O a***o dele me serve para alguma coisa. Se é da máfia é por que igualmente, ele não presta. Ele tem cara de quem não presta, mesmo. — Humn... — balbucio, digerindo essa informação. Máfia... Ele ousaria vir para cá se fosse? Não iria custar nada o queimar e mandá-lo de volta para a Itália, e preso, se o meu pai decidir mexer os pauzinhos de vez. — Certo, me traga as informações que eu requisitei e não ouse comentar sobre nada disso com ninguém — pontuo. — Minha boca é um túmulo — diz, e a senhora Kim entra logo em seguida com o que requisitei, e depois saem. — Tudo controlado, Zahara... Se concentre — falo, pegando essa pilha de documentos. Preciso terminar logo, por que não tenho certeza se depois dessa reunião, café e natas colocará a minha cabeça no lugar. Por que eu me recuso a ter ela derrubada.
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