CAPÍTULO 04
CHARLOTTE BECKER.
ALGUNS DIAS DEPOIS
Hoje é meu primeiro dia no Palácio, finalmente depois de dias em repousou, vou poder trabalhar. Claus a todo momento, mandava alguém da guarda real ver como eu estava, até que teve um dia que o mesmo veio pessoalmente durante a noite, sei que é coisa demais para digerir, afinal ele é um rei e estava se preocupando demais comigo e minha família. Sobre meu irmão, ele está na lista de espera de uma cirurgia e se caso os exames finais dele sairem e provares que ele precisa urgentemente da cirurgia, ele passa para o primeiro lugar da lista. A esperança dele voltar a anda nos deixou tão animada, porém, la no fundo, me sinto em divida com Claus, não sei como, mas um dia vou paga-lo, nem que seja a última coisa que eu faça.
Um exagero da parte de Sua Majestade, foi o carro que ele mandou para me trazer ao Palácio, resolvi dizer que não tem necessidade disso, quando o ver pessoalmente.
Ao chegar na entrada real, não vejo mais os dois guardas que aqui estavam e sim outros o que me faz questionar o que Claus fez a eles, eu pedi para que não fosse demitidos, mas ele é o rei, quem decide isso é ele, porém, ficaria triste pelos dois, por mais rudes que tenham sido, devem ter famílias para sustentar e isso seria r**m para ambos.
Adentramos dentro da propriedade e novamente fico boquiaberta com toda a beleza e riqueza que tudo aqui exala, o jardim é enorme, a grama é aparada e verdinha, altas árvores aos arredores da propriedade, um enorme chafariz na entrada com a estátua do primeiro rei da Dinamarca. Arbusto com flores coloridas cobrem ao arredor do caminho ladeado de pequenas pedras até o mais próximo possível da entrada do Palácio.
Quando o carro para, o motorista sai do carro e abre a porta pra mim, o agradeço e caminho para a entrada, ao me aproximar, a porta se abre e quem me recebe é a Duquesa.
— Vossa Alteza, é um prazer reve-la.— faço uma simples reverencia.
— Por favor, já disse para me chamar de Ellinor.— ela está mais elegante do que da última vez que a vi, cabelo solto e bem penteado, um vestido vermelho escuro um pouco apertado, vai até os joelhos, bem maquiada.
— Desculpe, mas sinto que estaria a desrespeitando caso não a tratasse como deve ser.— ela sorri amigavelmente dando passagem para que eu entre.
— Se assim insiste, tudo bem, mas saiba que tem liberdade em me chamar pelo primeiro nome.— balanço a cabeça concordando.— Bom, meu sobrinho está em uma reunião com alguns lideres de países, pediu para que eu a recebesse e lhe dissesse o que fará na sua estadia no Palácio.— a olho surpresa.
— O que? Vossa Majestade não me disse nada de estadia.
— Bom, os funcionários tem uma ala separada já que moram distante do Palácio e geralmente moram aqui, você ficara encarregada de cuidar de toda a organização das coisas de Claus, desde o quarto, a academia, o escritório e assim por diante e também, atende-lo quando precisar. Se caso sentir que é muito, pode pedir ajuda a outros funcionários.
— Todos da família real tem alguém assim?
— Porque a pergunta querida?— porque sinto que ela está me escondendo algo.
— Acho que seu sobrinho inventa programas sociais e empregos para me ajudar, não acho isso certo, na verdade me sentiria ofendida.— ela solta uma respiração pesada.
— Claus é um homem muito bom e gentil, e mesmo se fosse algum cargo inventado como diz ser, vai ser bom para ele ter alguém a disposição dele, mesmo com a quantidade de funcionários que temos, não conseguem dar contar de tudo dele ai ele mesmo se prontifica a fazer.— arregalo os olhos.
— Sério?
— Sim, ele arruma o próprio quarto, arruma o escritório quando ninguém tem tempo para isso, de começo isso choca alguns funcionários que se desdobram para fazer tudo para ele, mais ai eles os surpreende mostrando que não á porque se desesperar, Claus diz, " eu tenho braços e pernas saudáveis, posso fazer isso, independente da minha posição como rei.''
— Confesso que estou surpresa com isso.— ele realmente é um rei diferente.
— Bom, você não é a única.
O resto do dia, Ellinor fez questão de me mostra cada canto do Palácio, porém, são tantos cómodos, que não deu para ver tudo. Depois disso, ela teve que sair para resolver algumas coisas e me deixou explorar um pouco o lugar. Resolvi ir para a uma sala que me chamou bastante a atenção quando ela só me mostrou por alto, fica em uma ala no em um dos andares de cima.
Ao entrar, fico fascinada com o belo piano, com certeza deve custar uma fortuna. Pelo que Ellinor disso, aqui era a sala da rainha, e mesmo depois de morrer, o rei manteve essa parte do Palácio para conversar as belas lembranças de sua esposa e Claus, quis continuar com a tradição.
Sei que e errado, mas me sinto tentada e toca-lo. Tive aulas de piano quando era nova e sempre quis ter, faz anos que não toco, talvez tenha até perdido a prática. Me sento no banco bem afofado e de veludo escuro. O piano é belíssimo, da cor branca, bem conversado e enorme, tem detalhes em dourado e prata, dando um ar de luxo a ele.
Começo a dedilha algumas notas, até que uma música me vem a cabeça, sinto uma nostalgia tão grande quando a melodia ecoa por toda a sala, fecho meus olhos e me deixo levar por ela. Lembranças boas, me atingem em cheio e em meio a felicidade, me pego chorando ao lembrar-me de meu pai.
Como o senhor faz falta!
— Charlotte.— dou um pulo, completamente assustada, olho para a porta e vejo Claus me encarar em completo enigma.
— Vossa...Vossa Majestade, me desculpe...é...é que eu vi o...— p***a, eu vou acabar engasgando se não conseguir falar.
— O que está fazendo aqui?— ele se aproxima bem devagar, me levanto do banco e começo a caminhar para longe dele.
— É que...eu vi o piano e quis lembrar meus momentos e, que eu tocava...— ele não diz nada, continua a se aproximar.— Por favor, não me demite...eu nunca mais venho aqui nessa sala, me perdoe, eu imploro, preciso desse trabalho!— sinto as lágrimas molharem meu rosto, mas do que já estava.
Seus passos continuam, até que ele está tão perto, que posso sentir seu perfume com um cheiro animalesco e másculo, seus olhos castanhos me encaram de uma forma tão intensa que deixa todo o meu corpo arrepiado. Claus respira fundo e com esse ato, vejo sua mandíbula travar, ele parece está se segurando para não fazer algo.
— Vossa Majestade?— o chamo, ele parece sair de um transe e pisca seus olhos várias vezes antes de manter seu olhar na direção do meu.
— Charlotte...essa sala é da minha mãe.— agora parece mais calmo.
— Eu sei e peço perdão, mas é como se esse piano estivesse me chamando, e eu fiquei encantada com a beleza e delicadeza dele.— ele desvia o olhar para o piano.
— Meu pai mandou fazer ele, para dar de presente de casamento a minha mãe, ele é único, não existe outro igual.
— Uau, sua mãe deve ter ficado feliz com isso, e seu pai acertou em cheio no presente, é maravilhoso.— seu olhar castanho cai sobre mim novamente e me surpreendo ao vê-lo abrir um sorriso.
— Sim, é maravilhoso.— sua forma de falar me fez questionar se estávamos falando da mesma coisa.
— A Duquesa me avisou que eu teria que me mudar para cá.— tento mudar de assunto.
— Exatamente, as tarefas são muitas, não creio que daria conta de vir todos os dias, fora que posso precisar de você a noite.
— Cheguei a questionar sua tia se Sua Majestade havia inventado um cargo, somente para me ajudar.— seu sorriso travesso o entrega.
— O importante é que agora tem um bom trabalho.
— Vossa Majestade, não precisava fazer isso, eu realmente sinto que estou somente te incomodando.— fico surpresa quando ele pega em minhas mãos e olha fixamente em meus olhos.
A mesma sensação do encontro de nossas peles uma na outra, ou até mais intensa.
— É meu dever como rei, zelar pelo bem do meu povo e ajuda-los como eu puder, por favor, não questione isso.— penso em questionar, mas desisto ao ver o olhar que ele me lança.
— Tudo bem, eu agradeço por isso e pelo meu irmão.— demora alguns segundos para que eu tome a iniciativa e me afaste dele.— Preciso ir até minha casa buscar minhas coisas.
— Vou mandar um dos motoristas te levar e te ajudar com a mudança.
— Está bem, obrigada.
Antes que eu vire as costas e saia da sala, dou uma última olhada para ele, que ainda me olha com bastante intensidade. Ao me virar, solto uma respiração pesada e sacudo a cabeça em negação.
Não fantasie, isso não é um conto de fadas.