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CAPÍTULO 02
CHARLOTTE BECKER
Observo com atenção toda a decoração do quarto em que me encontro, enquanto um medico que Claus chamou, examina meu pé, a todo tempo ele fica atento ao que o homem faz, parece realmente preocupado.
— Claus, ouvi os funcionários comentar sobre uma moça em que trazia em seus braços.— uma moça de mais idade entra, vestida de forma elegante, cabelo com leves fios grisalhos intercalam com os fios loiros, baixa e com os olhos azuis.
— Está tudo bem tia, essa é a Charlotte, a moça que chamei para trabalhar aqui.— a moça me olha com um olhar simpático.
— Deus! Mas o que houve com ela?— questiona aparentemente preocupada.
— Dois guardas reais, a impediram de entrar e a jogaram no chão com violência, ameaçaram arrasta-la e a insultaram, aparentemente, a brutalidade deles a machucou.— ela me olha horrorizada.
— Que horror! Mas isso é inadmissível, devem ser demitidos.
— Eu disse a Sua Majestade que não havia necessidade, eles só estava, fazendo o trabalho deles.
— Machucar pessoas, não é um deles, poderia ter causado estrago pior.
— Mas eu sou uma desconhecida, quando me aproximei, eles só queria afastar uma possível invasora da propriedade real. Claro que a violência se deve usar em último caso, o que não deveria ter sido agora, porém, eles devem estar arrependidos e tem famílias para sustentar, me sentira m*l caso perdessem seus empregos por culpa de uma plebeia.— o olhar que ela me lança e estranho, mas ao mesmo tempo, com...admiração?
— Sabe, você falando desta forma, me faz lembrar muito a minha cunhada.— pisco meus olhos várias vezes.
— A...rainha Aya?!— pergunto espantada.
— Sim, a mãe de Claus sempre colocou o bem estar de todos a cima de tudo e que pessoas podem cometer erros e mudar, já meu irmão não era assim, mas por amar tanto Aya, ele a escutava muito, ela foi uma verdadeira rainha que todos amavam e aclamavam.
— Vossa Majestade, essa mocinha precisa ficar de repouso, mas antes disso, ir ao hospital fazer um raio X, senhorita..?
— Charlotte Becker.
— Srta Becker, pelo que vi, já tem uma deficiência no pé, é de nascença?
— Sim.
— E não faz o uso da bota ortopédica ou algum aparelho para a proteção para ajudar a não prejudicar com o tempo?— olho sem graça para Claus e sua tia.
— Doutor, prefiro não dizer.— contar que tive que vender a minha bota ortopédica para levantar um dinheiro, não seria algo que bom a ser falar na frente de pessoas com dinheiro, podem achar que vou querer algo além de um emprego.
— Tudo bem, mas precisa dela, você deu uma leve torcida no pé que vai melhorar em poucos dias, mas recomendo ir ao hospital e fazer o que pedi, e além disso, o uso da bota. Mais acidentes assim, podem causar danos irreversíveis ou até a amputação do seu pé.— solto um sorriso fraco.
— Obrigada doutor, farei o que pediu.— vejo Claus acompanhar o tal medico enquanto sua tia me encara curiosa.
— Eu sei que deve ser algo pessoal, mas porque não quis responder a pergunta sobre a bota? Nunca teve ela?
— Vossa Alteza, não é? a viúva do Duque de Augustenborg?— pergunto.
— Sim, mas pode me chamar de Ellinor, meu filho assumiu praticamente junto com Claus seus títulos reais, com a morte de seus pais.
— Aconteceu algo em minha família, que me fez não ter mais a minha bota, mas por favor, é tudo que posso dizer no momento.— ela parece ponderar antes de balançar a cabeça em concordância.
— Charlotte, vou leva-la ao hospital.— diz o rei ao entrar no quarto, eu arregalo olhos.
— O que?! Vossa Majestade, não á necessidade de...
— Claro que sim, meus guardas fizeram isso a você, é minha responsabilidade, e sobre o emprego, pode esperar mais uns dias para iniciar suas funções, são cuidar de tudo da casa dirigido a mim, meu escritório, meu quarto e assim por diante, mas até que possa fazer suas funções, eu vou assegurar que não lhe falte nada.— o olho surpresa.
— Não, por favor, não tem que fazer isso, eu preciso do emprego.
— E terá ele, assim que se recuperar.— ameaço levantar da cama, mas antes que eu faça isso, o rei me impede.
— Charlotte, você...— ele para de falar quando vê as lágrimas em meus olhos.
— Eu não quero caridade, e sim um emprego onde eu posso pagar a cirurgia do meu irmão, eu já nasci com esse pé defeituoso, não vou deixar que ele fique sem andar por culpa de um irresponsável que nunca foi penalizado por dirigir de forma incorreta!— ambos me olham surpresos por minhas palavras.— Vossa Majestade, eu...me desculpe...eu só...
— Tia, pode nos deixar sozinhos?— sem questionar, a Duquesa sai do quarto, Claus se senta bem do meu lado.
— Vossa Majestade...eu...
— Eu entendo você, ter pessoas te olhando com pena o tempo todo, achando que devem te tratar da melhor forma possível se não pode se quebrar a qualquer momento.— seus olhos castanhos claros com salpicadas esverdeadas me encaram com uma intensidade que nunca pensei que algum homem me olharia.— Eu me senti assim quando meu pai morreu, todos me olhavam como se eu fosse frágil, com pena e medo de enlouquecer por ter pedido o meu herói, mas na verdade, tudo que eu queria era só que me tratassem normalmente, assim me sentira melhor e teria sido mais fácil superar a morte do meu pai, que até hoje, depois de três anos, não superei.
— Se me entende, então sabe como me sinto.
— Sim, eu sei, mas o que estou fazendo, é algo que a tal pessoa que atropelou seu irmão, deveria ter feito, e como meus funcionários lhe fizeram isso, é minha responsabilidade arcar com tudo, ainda mais que iria trabalhar para mim.— a transparencia dele é algo que me fascina.
— Posso aceitar qualquer coisa que seja para cuidado médico, mas não dinheiro, Vossa Majestade, por favor, vou me sentir insultada, eu só quero receber algo seu quando eu já estiver trabalhando.— ele parece ponderar muito.
— Charlotte...
— Claus...
Nossos nomes saem de nossas bocas, em uma suplica tão intensa, nossos olhares se cruzam de uma tal maneira que fica difícil desviar o olhar. Claus levanta a sua mão e leva ao meu rosto, coloca uma mecha do meu cabelo para trás, esse ato o deixou ainda mais próximo de mim, o toque da sua pele com a minha, causou uma sensação estranha, parecendo uma corrente elétrica muito forte passando por meu corpo, e pela expressão dele, acho que sentiu o mesmo.
— Eu...vou leva-la ao hospital.— murmura.
— Não precisa...
— Por favor, não me prive disso.— em seus olhos posso ver claramente o quão importante é para ele que eu aceite.
— Tudo bem, só preciso ir para casa depois.
— Sabe que aqui seria muito bem tratada, assim não forçaria o pé.
— Vossa Majestade, agradeço o convite, mas prefiro ficar com a minha família em minha casa, minha mãe e meu irmão precisam de mim, mesmo sendo inútil neste momento com o pé machucado.— me assusto quando ele se levanta e me pega novamente em seus braços.— Isso tem necessidade?
— Claro que sim, visto que não pode por os pés no chão, ainda mais que isso pode piorar a sua situação e acredito que não queira isso.
— Não, mas o que as pessoas vão dizer? De Sua Majestade carregando uma plebeia em seus braços?— o sorriso que ele abre, é a coisa mais linda que meus olhos já tiveram o prazer de admirar.
— Sinceramente, não ligo para a opinião de ninguém sobre o que faço da minha vida, pessoas famosas ou nobres se reprimem e se limitam a muitas coisas com medo do julgamento alheio, porém, o ser humano e falho, ninguém e perfeito, até mesmo um rei.— ele começa a caminha.
— Se diz isso, quem sou eu para questionar.— ele ri.
— E não me sinto carregando uma simples plebeia, e sim uma linda mulher com aparência do anjo mais belo que já vi.— é impossível não ruborizar de ante dessas palavras, ainda mais vindo de Vossa Majestade.
Porque sinto que haverá mais momentos como estes entre nós dois?