CAPÍTULO CINCO.
Laurent Duvall
Ela ainda ousou olhar na minha direção.
— Aquela era... — a Leila, minha noiva, pergunta.
— Ninguém importante — respondo, sentindo o meu sangue ferver.
De todos os locais, ela tinha mesmo de estar aqui.
— Que seja! Eu adorei ver você surfando, não sabia que sabia surfar daquele jeito — ela comenta, me seguindo.
Claro que não sabia.
— Agora você vai chamar mais atenção durante a nossa estadia aqui, eu já estou ficando com ciúmes! — exclama, enquanto entramos no resort.
Onde está o Apollo?
Porque ele não me avisou que a filha do Moreau estaria aqui?
— Eu não vou poder deixar você por nenhum momento — ela continua falando.
— Pode retornar para a praia, eu tenho muito que fazer agora — digo, caminhando até ao elevador.
— Quartos separados, e agora você prefere ficar sozinho, e me deixar sozinha nesse resort, eu achei que nós... — haja paciência.
Eu levo o meu olhar até ela, impaciente.
— Não devia achar muito, Leila — aviso, o seu rosto fica mais corado. — E você é grandinha o suficiente para ficar sozinha por um tempo. Eu tenho uma reunião agora, e não tem nada que você tenha de fazer lá — falo, e ela suspira, colocando as madeixas dos seus cabelos meio loiros, meio acastanhados, detrás da orelha.
— Então, eu espero — ela diz, e que mulher insistente.
— Faça o que quiser — respondo, entrando no elevador e ela entra também.
A visão da Selene ali, pareceu até uma miragem.
Seus cabelos escuros e cacheados, estavam molhados e estão mais longos que da última vez.
Seu rosto continua tão angelical quanto o seu nome, mas ela não necessariamente tem esse atributo.
De angelical, só tem o rosto.
— Quando você começou a surfar? — a Leila pergunta, buscando puxar assunto.
— Na adolescência — simplesmente respondo, e ela assente.
As portas metálicas do elevador deslizam, e eu saio de dentro dele, com ela vindo logo atrás de mim.
Felizmente, o Apollo estava no corredor.
— Eu já estava vindo ter com você, a reunião é daqui a pouco! — ele diz, olhando para o seu relógio.
— O Laurent ganhou a competição, Apollo! — a Leila comenta, sorrindo, e eu vejo o Apollo forçar o sorriso dele.
— Eu não esperava nada diferente, Leila — ele responde num tom de sarcasmo disfarçado, me fazendo sorrir.
A delicadeza dele me surpreende o tempo todo.
— Bem, vamos meu amigo — o Apollo diz, caminhando até ao quarto, e notando que ela continua atrás de nós, ele se vira. — Nos vemos mais tarde, Leila — ele diz, e a mesma oscila o olhar entre nós, sem graça.
— Claro! Boa reunião para os dois — ela diz, e eu forço um sorriso, enquanto o Apollo entra no quarto.
— Eu só vou pegar algo no meu quarto, e irei voltar para a praia — ela fala e eu assinto, entrando no quarto.
— Divirta-se! — respondo, e fecho a porta.
— Sem ofensa, mas ela parece uma cauda sua! — ele diz, e eu jogo a toalha na poltrona, com outra coisa na minha cabeça.
— A Selene está aqui — falo, e o seu olhar asiático, aumenta de tamanho, surpreso.
— Boa, você não sabia! — falo, indignado.
— Hey, vejamos pelo lado positivo! Vocês finalmente poderão conversar — ele fala, e eu suspiro, indignado.
— Não há nada que ser conversado, já se passarão sete meses, ela quebrou o plano, eu vi com os meus olhos, Apollo — afirmo, querendo apagar aquelas imagens da minha mente.
— Além disso, ela está noiva daquele desgraçado depois de tudo — o meu punho fecha, de forma inconsciente.
— Por que ela está aqui? — pergunto, frustrado.
— Eu irei descobrir, mas eu acho que essa seria uma ótima oportunidade para tirar essa história a limpo — ele fala, e eu reviro os olhos, indo para o banheiro.
— Não existe nada para ser tirado a limpo, quando eu não ouvi, eu vi, ela me traindo, Apollo e você sabe disso — escuto ele suspirar lá do quarto.
— Eu sei, mas o meu sensor diz que tem algo muito errado nisso tudo e precisa ser tirado a limpo. Eu não acredito que a Selene faria uma coisa dessas — ele fala, e eu suspiro.
— Ela fez — e existem provas.
— A garota pilotou um avião de um país para o outro, com a mesma roupa que foi levada a força dali, para o hospital que o Duvall estava internado, no meio da madrugada, apenas para ver você — ele fala, e eu achava que isso seria alguma coisa.
— Quem faria isso para depois botar tudo a perder? — ele questiona, e eu sorrio, amargurado.
— Uma Moreau — afirmo, debaixo do chuveiro.
Ela não é tão diferente do pai, no final do dia.
— Vamos terminar isso logo, porque eu não pretendo ver o rosto dela por mais um instante — falo, prosseguindo com o meu banho com o maldito olhar dela tatuado na minha mente, a imagem dela me fazendo perder a razão, e com sentimentos que era suposto eu não sentir a esse ponto.
Termino o meu banho, e me arrumo para a reunião.
Neste momento, estamos entrando na sala de reuniões.
— É muito bom revê-lo, senhor Laurent! — o dono do resort em que estamos e pretendemos comprar diz, e eu assinto. — Eu e o seu pai já fizemos várias negociações, espero que essa termine com sucesso — ele comenta e eu sorrio, apertando a sua mão.
Claro que irá terminar.
— Eu espero o mesmo — falo, me sentando, e observando a mesa com mais lugares do que o esperado.
Olho para a sua secretária que cora, enquanto pousa garrafas de água na mesa, e eu levo o meu olhar para o Apollo que abana a cabeça, confuso também.
— Estamos esperando mais alguém? — pergunto, pois o advogado dele já está aqui.
— Sim... Senhorita Moreau! — ele exclama, sorrindo e já olhando para a porta, e os meus olhos vão na mesma direção também.
O seu olhar azul encontra o meu no mesmo instante, e eu posso sentir o meu espírito lentamente se ir.
Ela é igual a uma pintura vitoriana, irrefutavelmente bonita, e conseguiu ficar mais ainda em tão pouco tempo.
O vestido que ela usa, de cor azul, além de exibir o quão esbelta ela é, complementa o seu olhar, e o seu tom de pele levemente bronzeado, que faz um contraste extremamente com os seus cabelos escuros e cacheados, minimamente húmidos ainda.
Maldição!
Eu chorei por causa dela, e ela está na minha frente como se nada tivesse acontecido.
Agora somos dois estranhos, e eu espero que ela sinta o terço do que me fez sentir.
Eu estou com um misto de sentimentos, mas o predominate é um apenas, raiva.
Seu olhar sai do meu, para o do Apollo, e depois volta para o dono do resort que apertava a sua mão.
— Oh, eu não sabia que essa reunião seria coletiva e tampouco com um Duvall — ela comenta, irônica, ainda parada na porta, me fazendo sorrir de indignação.
Era só o que me faltava.
— Eu gostava de ter sido informado previamente da presença de outrem na reunião, Castellano — falo, frustrado.
— Ambos estão interessados na compra do resort, eu achei que a reunião seria mais produtiva se tivéssemos amba partes interessadas, presentes nela — por essa e várias razões não se deve achar muito, Castellano.
— Não devia ter presumido nada, Castellano. Aparentemente, a senhorita Moreau, não esperava por isso e não se sente confortável. Devia remarcar uma somente para ela — falo.
Assim eu compro essa palhaçada, e me vejo livre dela o quanto antes.
— Eu não tenho porque estar desconfortável — ela fala, caminhando com a Kaiane, sua amiga, que está mais vermelha que outra coisa, e com os olhos petrificados, olhando na minha direção.
Seu sorriso sumiu, seu olhar esfriou, o seu tom se torna sarcástico, enquanto se senta.
— Mas se o senhor estiver incomodado com alguma coisa, pode se retirar — ela diz, olhando na minha direção.
Para uma traidora, ela é bastante ousada.
Eu dei a oportunidade dela sair daqui, e sinceramente, a partir de agora, eu não serei responsável por nenhuma fala ou ação minha.
Ela aguenta, ela é uma Moreau.
— Vamos terminar isso, Castellano — falo, e o mesmo que nos observava, tal como os outros, assente e ocupa o seu lugar.
— Comece a apresentação! — ele diz, para a sua secretária que assim o faz.
A tensão que não devia existir é táctil, e eu estou odiando cada milésimo que passa aqui.