D. Alencar | Escritora & Tradutora Literária
Apaixonada pelo poder transformador das palavras, dedico minha trajetória a criar narrativas autorais e a traduzir obras literárias, conectando leitores a diferentes culturas, idiomas e perspectivas. Quando não estou construindo meus próprios universos, estou criando pontes entre histórias pelo mundo.
Nova York 1990
Enquanto eu brinco com meu carrinho o observo
perto da piscina. Nathan anda de um lado a outro
chutando as coisas pelo caminho e amaldiçoando alguém
que provavelmente o deixou contrariado. Finjo que estou
concentrado em meu mundo imaginário na esperança de
que ele me ignore. Eu não quero ser vitimas de seus
ataques.
— Me dê seu carro Neil! — Nathan grita insolente.
— Não! — eu respondo sem me importar em
encará-lo.
Nathan bate os pés no chão de forma impaciente.
— Eu já disse para me dar!
— Você tem os seus — encara-o com firmeza
demais para vir de alguém tão pequeno. — Alias tem
vários. Por que sempre quer ter as minhas coisas
Nathan?
— Você sempre fica com as melhores coisas.
— Isso não é verdade os carrinhos são iguais e
você sempre os escolhe primeiro.
— Mas enjoei dos meus e, além disso, alguns estão
quebrados — Nathan se queixa. — Por que você não sabe cuidar de suas coisas. Se
parasse de jogá-los contra parede sempre que fica com
raiva não estariam assim.
— Se você não me der eu vou afogar seu gato na
piscina.
Encaro-o com raiva. Algumas vezes eu tenho muita
raiva dele como hoje por exemplo.
— Pega! — estico o carrinho para ele já sem me
importar é só um carrinho idiota. — Fique com ele. Alias
fique com todos eles, mas deixa o Barney em paz, ele é
só um filhotinho.
— Ah é? — ele ri com deboche. — Acho que será
mais divertido saber se os gatos sabem nadar.
— Você não faria isso! — encara-o com
determinação.
O gatinho branco e preto enrosca nas pernas dele
sem a mínima ideia de que é alvo de suas maldades.
— Então olhe!
Nathan pega o gato no chão pelo pescoço e me
empurra contra a árvore em que estive encostado. Bato
a cabeça contra o tronco e me sinto desorientado por
alguns instantes e a cena que segue diante de mim me
deixa estático.