Tarde demais, a Luna já seguiu em frenteUpdated at Sep 17, 2026, 20:16
Sete anos.
Sete anos amando um Alpha que racionava seu calor como se demonstrar carinho lhe custasse alguma coisa.
Então, certa noite — ainda em nossa cama, com os lençóis ainda quentes — ele acendeu um cigarro e disse:
"Vamos dissolver nosso vínculo de mates. Ela está morrendo. É o último desejo dela."
Eu disse que tudo bem.
Ele esperava que eu implorasse. Que chorasse. Que corresse atrás dele como sempre fiz.
Ele não esperava que eu lhe entregasse um acordo de divisão de bens com a minha assinatura já nele.
Não esperava que eu me mudasse naquela mesma tarde.
Não esperava que eu queimasse todas as fotografias que provavam o que ele realmente sentia — e por quem realmente sentia.
E certamente não esperava que, seis dias depois, eu subisse ao maior palco de Briarwood, violino em mãos, usando uma máscara que ele não conseguiria enxergar através.
Jake Weiss achava que me conhecia.
Ele conhecia a Luna que cozinhava suas refeições, administrava sua matilha e passava as noites acordada esperando por ele, com um livro escorregando sobre o peito.
Ele não conhecia a mulher por baixo de tudo aquilo.
A compositora cuja dor ele entregara a outra mulher para que ela a usasse como uma fantasia.
A herdeira cuja fortuna e legado familiar ele absorvera sem sequer ler as letras miúdas.
A loba cujo amor ele confundira com obediência — durante sete anos.
É tarde demais, Alpha.
A Luna já seguiu em frente.