Capítulo 7 Maitê

1197 Palabras
Acordo às 21:30hs e vou direto para o banho. Me depilo, passo um creme no corpo e começo a fazer minha maquiagem básica, apenas um delineado marcante e um batom vermelho. Enrolei meus cabelos, visto minha roupa e o sapato, peguei o meu dinheiro escondido no guarda-roupa e coloco dentro de uma bolsinha. Recebo uma mensagem do Fumaça dizendo que já chegou. Assim que saio do quarto, King e Vanessa me encaram, mas King permanece em silêncio total. — Aonde pensa que vai? — Vanessa pergunta. — Até onde me lembro, não devo satisfação da minha vida para você — Digo, debochando. — Você vai deixar ela falar assim comigo? — Ela diz a King, que me olha irritado. — p***a, Maitê, você tem que ter noção das coisas, c*****o! — ele diz irritado. Não falo nada, pois sei que se abrir a boca vou estragar minha noite. Viro de costas e vou em direção ao carro, onde Fumaça está. Assim que entro, percebo que o G3 também está lá. O clima tenso no carro é quebrado apenas pelo som da música que ecoa. Fumaça cumprimenta-me com um sorriso, tentando dissipar a tensão do momento. — Pronta para curtir a noite? — Ele pergunta, desviando o olhar do retrovisor para mim. — Mais do que nunca! — Respondo, decidida a não deixar as preocupações interferirem na minha diversão. O caminho até o Morro do Lorde é rápido e ao chegarmos, sinto a energia contagiante do baile preencher o ambiente. Por onde eu passo, as pessoas me encaram, mas nem ligo. O pior foi quando entramos no baile. Assim que entrei, muitas pessoas ficaram me olhando, e do que parecia ser o camarote, pude ver o líder do comando me encarando com fúria nos olhos. Não entendi, mas continuei a dançar, decidida a aproveitar a noite sem me deixar afetar por olhares julgadores. Percebo que o Fumaça começa a tocar, mas nem dei bola, continuei a dançar. O G3 me acompanhou até o bar e pedi uma vodka com redbull, logo o Fumaça veio até onde estávamos. — Nossa entrada foi liberada no camarote, vamos? — Ele pergunta. — Não, estou de boa. Quando eu quiser descansar, nós vamos para lá. — Maitê… — Ele fala pausadamente. — Aqui não é seguro, pequena. Lá em cima, você pode dançar também. — Okay, okay. — Concordo sabendo que não há discussão. — Mas ainda quero ficar mais um pouco aqui. Dou uma olhada no camarote e vejo uma ruiva dançando no colo do Lorde, com Larissa e Talita morrendo de raiva ao lado. Meus olhos se encontram com os dele, e acabo ficando hipnotizada por alguns minutos, perdida na troca de olhares intensos. O ambiente festivo parece desaparecer ao meu redor, deixando apenas a conexão momentânea com aqueles olhos misteriosos. Desvio o olhar quando percebo que estou ficando tempo demais encarando ele. Volto a dançar, tentando ignorar a sensação de que algo está prestes a acontecer. Envolvida pelo funk que ecoa em meus ouvidos, danço sem me importar para quem esteja olhando ou não, tentando esquecer pelo menos por hoje a vida difícil que venho vivendo faz algum tempo. O tempo passa sem que eu perceba, e quando finalmente decido ir para o camarote, noto que não estou acostumada a dançar, então minhas pernas estão me matando. Mesmo assim, decidi encarar o desafio de subir até lá. Ao me aproximar do camarote, sinto o olhar de diversos vapores e donos, sobre mim. Não que eu conheça qualquer um deles. Por sua vez, Larissa e Talita me lançam um olhar desdenhoso, enquanto Lorde parece intrigado com minha presença. Ignoro as fofocas que circulam pelo espaço, e sigo os passos de fumaça. Fumaça me levou para um lado mais calmo do camarote, o que é bom, mas nada que seja bom dura para sempre, pois a parte mais calma também é onde o Lorde está. Percebo um olhar diferente de uma menina para o Fumaça e ele também está olhando para ela. — Deveria ir falar com ela. — Digo, sentando num sofá que tem ali. Ele me encara por alguns minutos. — Eu não posso. — Ele fala ríspido. — Não pode porque está fazendo a minha segurança? Estamos no camarote, Fumaça. Você sempre esteve ao meu lado nos melhores e piores momentos. Abriu mão da sua vida para viver a minha em outro país. Vai lá curtir. Eu prometo que não vou sair do camarote e prometo não beber tanto. Fumaça parece ponderar por um momento e, finalmente, concorda com um aceno de cabeça. — Tudo bem, pequena. Mas, qualquer coisa, você me chama na hora, está bem? — Ele ressalta, preocupado. Assenti com um sorriso e vejo-o se afastar em direção à garota que o olhava de longe. Percebo que a todo momento o Lorde estava olhando para cá, mas continuo na minha, até que uma menina se aproxima de mim. — Oi, vi que você está sozinha e parece ser bem diferente das meninas daqui. — Ela fala. — Oi, sim, voltei para o Brasil há pouco tempo. Prazer, eu sou Maitê, filha mais nova do King. — Digo com um sorriso. — Prazer, meu nome é Bruna, mas todos me chamam de Bubu. Sou a irmã do Lorde. A revelação de que Bubu é a irmã do Lorde me surpreende um pouco, mas ela parece simpática e nosso diálogo flui naturalmente. Conversamos sobre o tempo em que estive fora e sobre as mudanças que ocorreram no morro. Bubu compartilhou algumas histórias engraçadas. Estou bem apertada, então decidi ir ao banheiro. — Bubu, poderia me dizer onde fica o banheiro? — Pergunto. — Fica ao lado do bar, na porta direita. — Ela responde. Vou até lá, mas ouço uns gemidos, então decido ir ao banheiro da pista. Olhando daqui de cima, não parece ter muita fila. Aproveito que ao lado do banheiro tem mais uma escada e desço por ali. Ao descer as escadas, tomei cuidado para não cair. Ao entrar na fila, quando estava para chegar minha vez, sinto meu braço sendo agarrado e sou puxada para uma parte escura. A sensação de desconforto se instala e meus sentidos ficam alertas diante do inesperado. Sinto meu desespero aumentar, pois não consigo ver o rosto da pessoa que me puxou. A pessoa, que não consigo identificar, começa a passar as mãos pelo meu corpo e sinto ele rasgar a parte de cima da minha roupa. — Por favor, pare. Não faça isso, por favor. — Começo a suplicar, buscando desesperadamente uma forma de interromper essa situação angustiante.Tento me debater, mas tudo é em vão. — Cala a boca, p***a! Se não, vou dar um tiro na sua cara. — Ele diz com a voz grossa. — Não, por favor, me solta. Não faça isso, por favor. — Suplico, sentindo um misto de medo e impotência diante da ameaça. A sensação de terror se intensifica enquanto tento desesperadamente encontrar uma saída dessa situação angustiante. Imploro para que ele pare, enquanto minha mente corre em busca de algum recurso para me libertar. Cada momento parece uma eternidade, e a escuridão ao meu redor se transforma em um pesadelo.
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