História por Shirley Fraga
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Shirley Fraga

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O amigo do meu irmão
Atualizado em Dec 10, 2025, 10:20
O paraíso de Júlia tem um intruso de silêncio elegante. Aos dezessete anos, seu refúgio é o quiosque da família à beira-mar, um extensão da sua própria alma, com seus livros, seu caderno de anotações e a vastidão do oceano. Até que ele chega. Levi, o melhor amigo de Caio, seu irmão mais velho, não invade o espaço com barulho. Ele o ocupa com uma presença quieta, imperturbável e absurdamente polida. Para Júlia, Levi é um enigma envolto em camisas de linho e sorrisos contidos. Ele é a antítese do caos adolescente que ela conhece: fala pouco, observa muito, e cada gesto parece calculado, elegante, distante. Seu "ódio" por ele não é barulhento; é uma fria e obstinada resistência. Ele a faz se sentir desarrumada, exposta, uma menina gritando dentro de um mundo que ele habita com serena discrição. Mas o verão no quiosque é uma estufa para segredos. E Júlia, contra sua própria vontade, começa a colecionar os fragmentos que Levi deixa cair: o modo como ele ajeita a cadeira para Caio, a sombra que atravessa seu olhar quando pensa que ninguém vê, a raríssima e devastadora vez que sua risada verdadeira ecoou sobre as ondas. Odiar alguém que você não entende é perigoso. Porque, um dia, o desejo de decifrá-lo pode se confundir, traiçoeiramente, com o desejo de se aproximar. Esta é a história de uma paixão que nasce da curiosidade mais profunda, um movimento lento e tortuoso do desprezo para a fascinação. Narrada por Júlia, é um mergulho íntimo na agonia de observar em segredo o homem proibido, enquanto luta para esconder de seu irmão – e de si mesma – que o objeto de sua maior aversão tornou-se o centro de todos os seus pensamentos.
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