Casei Com A Minha melhor AmigaAtualizado em Mar 30, 2026, 16:48
Beleza forte e elegância natural. Alto, olhar atento,
corpo treinado sem exageros. Movimenta-se como
quem está sempre medindo o mundo, calculando
riscos, prevendo cenários - exceto quando ela entra em
cena; ai tudo nele se desarma.
É conhecido por ser brilhante no trabalho: precisão nos
negócios, sensibilidade no design, faro para talento. Mas na vida amorosa é diferente, ele sabe que é um especialista em silenciar o que sente.
Carrega um amor antigo e profundo pela melhor amiga,
um amor tão presente que se tornou parte da rotina: no
café, no sorriso dela, no perfume que fica depois que
ela vai embora. Seu defeito é ser leal demais com o
próprio coração - a ponto de nunca ter se confessado.
Escolheu o "quase"e as margens do que desejava.
Estilo: terno bem cortado, camisas abertas no peito fora
do expediente, perfume amadeirado, voz baixa que
nunca precisa gritar para ser ouvida, o seu silêncio serve pra manter o controle e não deixar revelar à sua
vulnerabilidade.
Ele chegou antes, como sempre.
Tinha essa mania de ocupar o espaço antes dela, de
observar o movimento da cidade, o vai-e-vem das
pessoas, o barulho dos carros, o cheiro de café
recém-moído. Era quase um ritual, o único ritual que
ele se mantinha fora do trabalho.
Quando ela entrou, o café pareceu menor. Não era
beleza exagerada ou presença estudada, era
naturalidade. O cabelo preso às pressas, a bolsa
apoiada no ombro, os olhos procurando o que já sabiam
exatamente onde encontrar.
- Cheguei - ela disse, sentando-se à frente dele, como
se chegar fosse o suficiente.
Ele sorriu.
Com ela, nunca foi preciso dizer tanto.
Conversaram sobre o desfile da próxima semana, sobre
tecidos e prazos, sobre o caos organizado da moda. Ela
falava com brilho, usando as mãos para desenhar o que imaginava no papel; ele ouvia, analisava, e
guardava cada gesto dela como quem coleciona
pequenas coisas valiosas que ninguém mais percebe. Cada detalhe era guardado em sua memória, por muitas capas que ninguém enxergava.
- Marcos me ligou ontem - ela comentou, quase
casual.
O nome caiu entre eles com o peso de algo familiar e
incômodo.
Ele levantou os olhos do cardápio, apenas o suficiente
para ela perceber que tinha captado.
- E?- perguntou, sem curiosidade, apenas educação.
- Quer que eu vá passar o fim de semana com ele. Mas
ainda não sei...
A frase ficou no ar, pendurada, carregada de subtexto.
Ele sabia. Ela sempre "ainda não sabia". Marcos sempre
pedia, ela sempre esperava, e o tempo fazia o resto.
- Você decide depois? - ele disse, oferecendo o tipo de
liberdade que só quem ama de verdade consegue
oferecer.
Ela mudou de assunto; ele não forçou.
No fundo, ambos sabiam que não era sobre o fim de
semana - era sobre tudo. Depois do café, caminharam pela rua como faziam desde a faculdade. O mundo parecia se ajustar ao passo dos dois. Às vezes ela encostava o braço no dele, sem intenção - ou talvez com intenção demais. Ele
fingia não notar, e o silêncio entre eles era confortável, o
bastante para dispensar explicações.
Quando chegaram ao ateliê, o cheiro de tecido
recém-cortado, cola, tinta e perfume tomou o
ambiente. Modelos passavam apressadas, costureiras
prendiam alfinetes, e a música preenchia o vazio entre
uma ideia e outra.
Ele observou enquanto ela analisava um vestido na
arara, aproximando o tecido do rosto, fechando os olhos
como quem escuta o que o tecido tem a dizer.
-É leve - ela sussurrou.- Leve como... como se a
pessoa estava pronta pra voar.
Ele quis dizer "como você", mas não disse.
Ele nunca dizia.
- Serve para o desfile de Paris -concluiu ela,
entregando o vestido para uma assistente.
Paris.
Eles iriam juntos novamente.
Ele já sabia o que Paris fazia com eles e o que Paris
não fazia.
Antes que pudesse continuar, o celular dela vibrou. Ela
olhou. O nome era inevitável. Marcos. Uma mensagem
curta. Um convite. Uma promessa.
-Eu vou responder depois - ela disse, guardando o
celular na bolsa.
Mas o olhar já estava distante.
Ele desviou o olhar para o manequim, fingindo ajustar (
tecido.
Amar em silêncio é um exercício de paciência, e ele se
tornara especialista.
Paris viria.
O desfile também.
E entre um toque e outro, um olhar e outro, a história
dos dois continuaria sendo escrita do jeito mais
perigoso possível: no quase.
Linda de forma espontânea, não estudada. Riso fácil,
presença luminosa, o tipo de pessoa que transforma um
espaço apenas por existir nele.
Carrega uma paixão antiga por Marcos, paixão que foi
florescendo como ideal e nunca como realidade
Acredita em amores grandes, épicos, que atravessam o
tempo - mas ainda não entendeu que o amor que
busca sempre esteve ao lado, e não à frente.
Profissionalmente talentosa, criativa, sensível, com um
olhar diferente para as coisas pequenas. Com ele,
sempre foi natural: conversas longas, viagens,
memórias, toques que duram meio segundo a mais do
que deveriam.
Estilo: vestidos fluidos, jeans com charme, cabelo preso
às pressas, perfume leve e floral.
Arco emocional: da ilusão à consciência