Uma noite só nossa

1394 Palavras
Já no meu quarto, comecei a me preparar com carinho para aquela noite. Separei uma lingerie vermelha, delicada e ousada na medida certa, para vestir depois do banho. Escolhi também um vestidinho de alcinhas na cor verde-água — leve, soltinho, com um caimento que valorizava meu corpo com suavidade. Combinei com um saltinho baixo preto, elegante e confortável. Dentro da bolsa, organizei tudo com cuidado: uma peça íntima extra, toalha, sabonete, meu perfume favorito, desodorante, escova de cabelo, pentes, um potinho de creme e uma camisola branca com brilho sutil, sem detalhes exagerados — apenas o necessário para me sentir bonita, feminina e segura. Voltei para a sala e preparei um jantar simples, mas feito com carinho, para minha mãe. Enquanto isso, ela assistia à apresentação de um trabalho da escola pela televisão — um projeto meu, inclusive. Era gratificante ver como ela sempre se envolvia com tudo. Mais tarde, servi a janta pra ela com um beijo na testa e fui me arrumar. Lavei meus longos cabelos com capricho, apliquei meu creme preferido e finalizei com cuidado — dá trabalho, sim, mas é minha paixão. Meu cabelo sempre foi minha marca. Fiz uma maquiagem leve, só realçando os olhos e os lábios com um toque de brilho natural. Vesti o vestido verde-água que havia separado, coloquei o saltinho preto e fui até o quarto da minha mãe. — E aí, mãe... como estou? Ela me olhou de cima a baixo com um sorriso cheio de ternura e surpresa. — Uau, filha... você está linda. Uma verdadeira gata, minha rainhazinha! Sorri, meio sem jeito, mas feliz com o elogio. Agradeci com um beijinho e fui até a janela do meu quarto. Vi que o Otávio já me esperava no portão. Me despedi da minha mãe com um abraço apertado e um beijo cheio de carinho. Peguei minha bolsa e saí. Otávio estava encostado no carro, todo alinhado, bonito como sempre. Quando me viu saindo do portão, ficou paralisado por um instante. Seus olhos me seguiram com intensidade, e um sorriso bobo se formou nos lábios dele. — Gostou? — perguntei, com um olhar divertido e um leve girar de corpo. Ele se aproximou sem hesitar, me agarrou pela cintura e murmurou ao pé do meu ouvido: — Você tá um espetáculo, Kelly. Tá maravilhosa, minha deusa... E me beijou com vontade, um beijo doce e cheio de desejo. Logo em seguida, ele abriu a porta do carro como um verdadeiro cavalheiro. Entrei sorrindo, e ele também. Então seguimos juntos... prontos para mais uma noite que prometia ser inesquecível. Assim que chegamos na casa do Otávio, algo me pareceu diferente. Olhei ao redor, curiosa, e notei que o carro do meu sogro não estava na garagem. Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele deu a volta no carro, abriu a porta para mim e, com um sorrisinho no canto dos lábios, tirou uma venda do bolso e disse, baixinho, encostando os lábios no meu ouvido: — A casa é sua hoje, minha vida. Meus pais foram pra casa da minha avó ontem... só voltam no fim de semana. Meu coração acelerou, mas eu sorri, sentindo a pele arrepiar ao som da voz dele. Ele então colocou a venda nos meus olhos com delicadeza e começou a me guiar. Cada passo que eu dava, era como se o chão tivesse sumido. O nervosismo e a expectativa dançavam dentro de mim. Quando ele abriu a porta da casa, senti o perfume no ar. Um cheiro leve de flores misturado com algo doce, acolhedor. Ele me conduziu até o centro da sala, parou por um momento e, então, lentamente, retirou a venda. Abri os olhos... e fiquei sem palavras. A sala estava completamente transformada. Várias pétalas de rosas espalhadas pelo chão, flores frescas nos cantos, e até porta-retratos novos com fotos nossas pendurados nas paredes. Cada detalhe mostrava o quanto ele tinha se dedicado. Ele me levou, de mãos dadas, até a cozinha. A luz estava apagada, mas o ambiente exalava um clima quente e envolvente. Então, ele puxou a cadeira para mim, me sentou com delicadeza e acendeu uma vela que estava sobre a mesa. No centro, havia um pequeno jarro de vidro com uma única rosa vermelha mergulhada na água. Ao lado, duas taças de vinho e uma garrafa de vinho tinto descansavam, prontas para serem abertas. Otávio sorriu e saiu por um instante. Logo voltou com uma travessa fumegante nas mãos. — Escondidinho de camarão... do jeitinho que você ama. Ele serviu um pedaço no meu prato, depois no dele, e encheu nossas taças com o vinho. Sentou-se à minha frente, com os olhos fixos em mim, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido. — Passei o dia inteiro pensando nesse momento. Eu adoro estar com você assim... — disse ele, segurando minha mão sobre a mesa. — Eu te desejo, Kelly. Seu sorriso me deixa completamente louco. Eu te amo tanto... Senti um calor subir pelo corpo, não só pela surpresa, mas pela verdade crua e doce que havia em cada palavra dele. Eu só sabia sorrir, sem conseguir conter a emoção. Sentamos novamente à mesa, ainda envoltos naquela atmosfera mágica. O calor do momento parecia se espalhar por todo o meu corpo, e os olhos dele... ah, os olhos dele estavam mergulhados nos meus. — Meu amor — eu disse com a voz suave, mas carregada de emoção —, você consegue me fazer a mulher mais feliz do mundo todos os dias. Eu sou completamente apaixonada por você. Eu não me imagino vivendo em um mundo onde você não esteja. Ele sorriu daquele jeito que só ele sabia sorrir, com o olhar brilhando e o coração transbordando. — Eu também não me imagino, meu amor... — respondeu, se inclinando levemente na mesa. — Um mundo onde você não fosse a minha mulher... seria cinza. Eu sou louco por você, Kelly. Nossos sorrisos se encontraram no ar como um abraço invisível, cúmplice, quente. Então levei à boca um garfo com o escondidinho de camarão e fechei os olhos. — Hmm... que delícia! Que homem prendado é esse que eu tenho? — falei, saboreando cada detalhe, rindo gostoso. Ele deu uma risadinha marota, com orgulho no peito. — A receita é fácil... mas confesso: eu arrasei. Rimos juntos. Era como se o amor tivesse um som, e fosse aquele riso. Depois que terminamos de jantar, ele levantou, guardou o que sobrou na travessa com cuidado e me estendeu a mão. — Vem comigo, meu amor... Eu levantei, meu coração acelerando de novo, como se fosse a primeira vez que estivesse indo para o quarto dele. Ele me guiou até lá e, quando abriu a porta e acendeu a luz, meus olhos se encheram de lágrimas. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Na cama, pétalas de rosa formavam um coração enorme. Dentro dele, com letras também feitas de pétalas vermelhas, estava escrito: “Você é a mulher da minha vida.” O chão também estava todo coberto com flores, e no teto, um cartaz com uma foto nossa — aquela que ele tinha tirado no dia em que fomos à praia e demos risada até do vento bagunçando o meu cabelo. Nós dois estávamos sorrindo, de verdade, com alma. Fiquei ali, sem conseguir dizer uma palavra. Meus olhos marejados, meu peito pulsando. — Meu Deus... que coisa mais linda... — sussurrei. Ele chegou por trás de mim, me abraçou pela cintura e disse bem baixinho, com a voz embargada: — Você é a mulher da minha vida, Kelly. Eu sou completamente louco por você. Isso aqui ainda é pouco. Não existe nada nesse mundo que seja o bastante pra te mostrar o quanto você merece. Mas eu vou te provar... todos os dias. Virei-me para ele, com o coração em chamas, e nossos lábios se encontraram. Um beijo quente, cheio de urgência e sentimento. Era como se nossos corpos já soubessem o caminho. Como se tudo que havíamos vivido nos trouxesse até aquele exato instante. As mãos dele acariciavam minhas costas enquanto o beijo aprofundava. Meu corpo se encostava no dele, e a pele arrepiava com cada toque. — Eu te amo — sussurrei entre um beijo e outro. — E eu te amo mais — ele respondeu, colando sua testa na minha, os olhos fechados, respirando o mesmo ar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR