A invasão de Gabriele

1219 Palavras
DIEGO NARRANDO O casamento estava se aproximando. Faltava pouco mais de um mês, e em vez de sentir aquela alegria que sempre imaginei que teria, o que crescia em mim era um peso. Um aperto no peito. Como se cada vez que eu respirasse, fosse sugado para dentro de um compromisso do qual eu não tinha mais certeza. Gabriela é uma boa mulher. Tem caráter, tem fé. Nunca me deu motivos para desconfiar de nada. Mas eu não conseguia enxergar ela ao meu lado pelo resto da vida. Diante do altar, na presença de Deus, o casamento é eterno. Não existe essa de tentar e, se não der certo, voltar atrás. Não pra mim. Não com os valores que carrego. Quando digo “sim”, é pra sempre. E era isso que me atormentava. Hoje era o jantar na casa dela. Um encontro entre as famílias. Tudo estava sendo montado pra fortalecer os laços. “Aproximar mais a família”, como meu pai sempre diz. Terminei de ajeitar a gravata em frente ao espelho. O terno azul-marinho realçava a rigidez dos meus ombros. Borrifei um pouco de perfume no pescoço, ajeitei o punho da camisa e desci as escadas. Meus pais já me esperavam na sala. Meu pai ajeitou o relógio no pulso, me olhou de cima a baixo e soltou um sorriso breve. — Bonitão, hein? Temos que marcar mais jantares com os sogros pra ver se essa elegância vira rotina. Apenas assenti, devolvendo o sorriso de leve. Não consegui disfarçar o incômodo no estômago. Seguimos em dois carros. Eles no do meu pai, eu no meu. Durante o trajeto, coloquei um louvor no volume baixo, tentando acalmar os pensamentos. Não adiantou. O nó na garganta só crescia. Cheguei primeiro. A casa da Gabriele era uma daquelas antigas, com varanda larga e paredes cor bege. O jardim estava bem cuidado, e uma pequena fonte murmurava entre as pedras. A irmã Angela me recebeu com um sorriso gentil. Angela — Diego, querido, entra. A janta já está quase saindo. Os seus pais estão a caminho? — Estão vindo logo atrás de mim. Poucos minutos depois, eles chegaram, e logo estávamos todos reunidos na mesa de jantar. O pai da Gabriele , senhor Humberto era um homem sério, de fala pausada e olhar atento. Humberto — Já viu o terno que vai usar no casamento? — perguntou, cortando o filé com calma. — Ainda não. Essa semana vou dar uma olhada — respondi, mantendo a postura. Gabriele sorriu, ajeitando a franja atrás da orelha. Gabriele — Eu já estou com tudo pronto. Vestido, sapato, cabelo, maquiagem… Só falta você, amor. — Fico pra última hora — tentei brincar, mas minha voz saiu mais seca do que eu esperava. O jantar continuou entre conversas sobre cerimônia, lista de convidados e decoração. Mas eu estava longe dali. Meu corpo estava na mesa, mas minha mente… em outro lugar. Gabriele — E sobre aquela vez que você foi pregar na favela? — tocou no assunto de repente, mudando o tom. — Eu fiquei incomodada. Achei perigoso e… desnecessário. Angela pareceu concordar com a filha, soltando um “hum” de reprovação contida. — Gabriele.. — comecei, com a voz calma. — Onde há escuridão, mais precisamos levar luz. Não posso escolher onde Deus vai me usar. Se Ele me chama, eu vou. Gabriele — Mas você é um pastor renomado, Diego. As pessoas te respeitam. Tem uma imagem. Tem que zelar por isso. E aquela gente… eles não te respeitam como deveriam. Engoli seco. Respirei fundo. Olhei para o prato e depois para o rosto dela. — Aquela gente, como você disse, são almas que precisam ouvir o evangelho tanto quanto qualquer um aqui. O silêncio tomou a mesa. Meu pai assentiu, com um olhar orgulhoso. Angela desviou o olhar. E Gabriele baixou a cabeça por um momento. Depois do jantar, fomos todos para a sala. Foi servido um chá, e os pais começaram a conversar entre si. Gabriele se aproximou de mim, tocou meu braço com delicadeza e sussurrou Gabriele — Podemos conversar… só nós dois? Assenti com a cabeça. Subimos até o escritório do pai dela. Um cômodo bem decorado, com estantes de livros antigos e um sofá de couro escuro encostado à parede. Ela fechou a porta, me abraçou e perguntou com carinho Gabriele — O que tá acontecendo, amor? Você tá estranho. Tá distante. — Não é nada, Gabriele Só… muita coisa ao mesmo tempo. Não tô conseguindo processar direito. Ela me olhou fundo nos olhos, e antes que eu percebesse, começou a abrir os botões da minha camisa. Um, dois, três… até que a mão dela deslizou pelo meu peito, afastando a gravata e empurrando de leve o paletó. — O que você tá fazendo? — perguntei, segurando o pulso dela, surpreso. Gabriele — Só… aprofundando um pouco nosso relacionamento. A gente vai casar, Diego. Qual o problema? Ela me empurrou suavemente até o sofá e sentou no meu colo, passando as pernas de um lado só. — Gabriele, não. Isso… não pode. É pecado. A gente ainda não casou. Gabriele — Já estamos com tudo marcado. Não vai mudar nada. Ela pegou a barra do vestido e, sem hesitar, levantou-o até a cabeça, tirando-o com facilidade. Ficou apenas de lingerie, sentada em cima de mim. Fiquei paralisado. O corpo dela era escultural, s***s fartos, cintura fina. Era impossível negar que ela era uma mulher bela. Atraente. Meus olhos a fitaram com admiração, mas também com culpa. Tentei afastá-la, colocando as mãos em sua cintura. Mas ela segurou meus pulsos, os levou até os próprios s***s e pressionou. Um arrepio percorreu meu corpo. Senti o sangue esquentar, a carne tremer. Por um segundo, me vi cedendo. Minhas mãos deslizaram por instinto. O desejo veio como uma onda — forte, desgovernada. Mas a consciência foi mais alta. Empurrei-a com delicadeza, saí debaixo dela e levantei, ajeitando a camisa com pressa. — Isso não tá certo. Você tem que parar com isso. Não é assim que se porta uma serva de Deus, Gabriele . Esses anos todos… você nunca agiu dessa forma. O que tá acontecendo com você? Ela ficou em pé, segurando o vestido, ofegante. Gabriele — Eu tô com vontade, Diego. Não aguento mais esperar. Por isso que eu quero casar logo. Porque eu te desejo. — Você acha que eu não sinto? Eu sou homem, Gabriele. Mas a gente precisa se manter firme. Agir certo. É isso que diferencia a gente do mundo. Ela tentou se aproximar de novo, mas eu recuei. Ajustei a gravata, ajeitei o paletó e saí, abrindo a porta com firmeza. Desci as escadas sem dizer uma palavra. Todos ainda estavam na sala. Meus pais, os pais dela. Mas eu passei direto. Abri a porta da frente, entrei no carro e bati a porta com força. Sentei ao volante, respirei fundo. Meus dedos tremiam. Aquela noite não saiu da minha mente. E eu sabia, naquele instante, que o que me sufocava não era só o casamento. Era a certeza de que, mesmo amando a Deus, eu estava prestes a unir minha vida a alguém que talvez nunca tivesse entendido o verdadeiro significado de ser dEle OBS: PARA MAIS CAPÍTULOS COMENTEM E DEIXEM BILHETES LUNARES .. AMORES COLOQUEM O LIVRO NA BIBLIOTECA
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