Alceu chegou à clínica psiquiátrica às oito da manhã, como fazia todas as sextas. Vestia paletó escuro, sapato lustrado, e exalava o mesmo perfume amadeirado que sempre deixava um rastro sufocante pelos corredores. O motorista particular o deixou na porta. Ele entrou sem bater, sem pedir licença, como se o mundo fosse seu. No balcão de atendimento, a recepcionista levantou os olhos do computador, engoliu em seco e tentou manter o tom neutro. — Bom dia, senhor Alceu. — Cadê minha mulher? Ele não esperou resposta. Seguiu pelo corredor, abrindo a porta da ala feminina com força, ignorando os protocolos e os olhares das enfermeiras. Foi direto ao quarto 12. Vazio. A cama estava arrumada, os lençóis esticados, a prateleira sem nenhum pertence pessoal. Ele fechou a mão com força. Voltou,

