A sobremesa chegou como um encerramento solene, quase cerimonial, daquele jantar que já tinha se tornado algo muito maior do que comida boa e conversa agradável. Era delicada, visualmente impecável — algo com frutas, creme, textura suave e um perfume leve de baunilha que se espalhou pela mesa antes mesmo da primeira colher tocar o prato. A chef explicou rapidamente, com a mesma elegância silenciosa de antes, e se retirou, deixando novamente aquele espaço só nosso. Manuela observou o prato por alguns segundos antes de comer, como se estivesse apreciando não apenas a sobremesa, mas o momento inteiro. — É bonito demais para estragar — comentou, sorrindo. — Mas se não estragar, perde o sentido — respondi, pegando a colher. — As melhores coisas são feitas para serem aproveitadas. Ela me olh

