Bom ou r**m?
Eu venho sendo uma pessoa boa ou r**m?
Que tipo de pessoa eu sou?
Boa.... Ruim...
Eu não sei.
Eu me sinto em meio a um grande mar, o oceano vem me levando como um vórtice, eu as vezes subo para superfície, mas logo estou afundando novamente como uma pedra.
As formas de se auto-avaliar são muitas, a única coisa que eu estou ciente é que todos vão viver, todos vão amar, não importa se eu sou uma pessoa boa ou má, eu não sou as outras pessoas. Os momentos não voltam mais, mas mesmo assim, eu ainda venho tentando me agarrar a sombra do passado que foge de mim não importa quando eu tente correr atrás.
Caso eu fique em silêncio, apenas deixe o mar me levar, ele fica tão calmo e eu não tenho que me preocupar com minha
sobrevivência.
Uma brisa.
Eu venho sentindo uma brisa.
— Kayle! Você está me ouvindo? - Uma voz chama Kayle, enquanto o dono da voz está abanando furiosamente alguns papéis em seu rosto.
— Tragam água! - Outra pessoa grita desesperada.
— Hey, você está aqui? - O dono da primeira voz pergunta novamente, os olhos de Kayle tentam ficar em algo, mas a luz é muito clara para ela se quer se manter com os olhos abertos.
— O que... O que aconteceu? - Kayle pergunta com a voz baixa, parecia que alguém havia estrangulado sua garganta pela dor que sentia, seu corpo parecia mais pesado que o normal, ela não sentia que poderia se mover totalmente, como se não fosse dona do próprio corpo.
— Evita de falar por agora, Nós viemos ensaiar a coreografia da sua música e encontramos você desmaiada. - Uma mulher explica, sua voz embargada em angústia, como se tivesse acabado de chorar.
"Ah, então foi isso." Kayle pensou enquanto sentia sua cabeça latejar. "Eu desmaiei mais uma vez." Era assustador como ela vinha desmaiando com frequência. "Então quem está aqui são meus dançarinos." Chegou a conclusão após pensar um pouco.
— Vamos levantar ela. - Outra mulher falou enquanto digitava de forma frenética em seu celular.
Kayle sentiu seus braços serem segurados, assim como uma mão se apoiando em sua cintura para mantê-la de forma estável. Ela foi carregada até uma parede próxima, dedos finos entraram em sua visão turva, eles falavam algo com ela, mas pareciam estar falando rápido de mais, mais rápido do que ela estava podendo raciocinar no momento.
— Ei... Ei, você consegue seguir o meu dedo? - Uma mulher perguntou enquanto estalava os dedos na frente do rosto de Kayle, a cantora respirou fundo agora conseguindo entender o que falavam e seguiu todos os comandos seguintes que vieram para ver se ela estava sã.
— Aqui, beba. - Outro dançarino falou com a voz baixa entregando uma garrafa d'água aberta para ela.
A cantora pegou a garrafa com as mãos trêmulas enquanto sentia seu corpo voltar a seu controle, a sala parecia cada vez menor, era como se lentamente ela fosse ficando cada vez maior para aquela sala e sinceramente, ela estava se sentindo sufocada.
— Se afastem, deixem ela respirar, alguém tem algo para comer? - Um dançarino com o cabelo verde perguntou olhando para os outros dançarinos.
— Eu tenho um sanduíche, serve? - A dançarina mais nova da sala pergunta incerta, era clara a confusão no rosto da garota.
— Serve sim, você pode dar ele para a senhorita Kayle? - O dançarino de cabelos verdes pergunta novamente olhando para a garota que assente firme e vai até sua bolsa para pegar o alimento. - Senhorita Kayle você sabe por quanto tempo você estava treinando? - O homem pergunta e Kayle tenta se lembrar, mas n**a. - A Bethany já mandou mensagem para sua agente avisando do ocorrido. Beth, Você teve algum retorno? - Pergunta preocupado e a mulher assente.
— Sim. - A mulher fala com uma expressão de empatia, ela olhava para a mensagem fazendo uma expressão de mágoa.
— O que ela falou? - O homem pergunta enquanto ajudava a Kayle a tomar água.
— Acho melhor você vir ler. - Bethany afirmou o que atraiu a curiosidade de alguns dançarinos presentes, eles foram até a mulher e acabaram ficando com a mesma expressão que ela.
— Leia para mim. - Kayle pediu olhando para a mulher com um olhar perdido, seus olhos ainda não conseguiam focar totalmente em algo.
— Ah.. - Bethany ficou sem reação, não achando nada legal ter que ler as respostas em voz alta, mas como sua superior havia pedido, ela começou a ler. - "Ah, isso de novo?", "Essa garota só vem me trazendo problemas, sinceramente.", "Dêem uma água para ela.", "E deixem esse monstrinho respirar.", "Graças a isso teremos que ir para as gravações mais cedo, em quinze minutos estaremos aí, deixe ela avisada." - Bethany terminou de ler olhando para a Kayle esperando por alguma reação de tristeza ou algo do tipo da mesma, mas Kayle ficou olhando para ela sem expressão alguma.
— Obrigada. - Kayle agradeceu a dançarina por ler a mensagem antes de olhar para outra dançarina que segurava um sanduíche em sua mão, a garota estendeu o sanduíche para a cantora que aceitou de bom grado.
Todos pareciam aflitos com o que estava acontecendo, ninguém entendia como Kayle parecia tão cética quanto a situação que acabava de acontecer. Estavam tratando a situação como algo tão volátil que era assustador de se ver, principalmente pela tranquilidade da agente de Kayle que parecia nem se importar com a saúde da cantora.
Kayle continuou se alimentando do sanduíche, o alimento processado parecia uma explosão de sabor em sua boca, fazia tanto tempo que ela não comia algo do tipo. Ficar a mercê de uma alimentação restrita era algo tão r**m, muitas vezes parecia que o alimento qual estava comendo nunca tinha sabor algum, mas a cantora sempre se manteve comendo sem se importar.
Quando ela terminou uma dançarina de cabelo laranja estendeu um guardanapo para ela limpar o seu rosto sujo, e assim a cantora fez agradecendo. Kayle não fazia a mínima ideia de quem eram aqueles dançarinos, a única coisa que ela sabia era que eles sempre estavam acompanhando em todos os shows.
Raramente Kayle podia interagir com outros funcionários da empresa, a sua menager sempre a avisava sobre não interagir com dançarinos, maquiadores, ou qualquer pessoa a mais na empresa, então sempre seus horários de treino acabavam sendo diferentes de todos. Sempre se mantendo distante e nem mesmo conseguindo manter um diálogo descente com qualquer um deles, ela realmente não sabia o nome de nenhum deles, isso era tão vergonhoso para ela.
O tempo passou mais rápido do que ela gostaria, e isso era assustador, algo que Kayle achava assustador na realidade era como ela não tinha controle do tempo, as vezes passava rápido de mais, as vezes lento de mais e ela nunca poderia fazer algo para mudar, afinal, ela não era nada além de um pequeno grão de areia em um universo gigante.
— Senhorita Kayle, a sua vã chegou. - Um homem baixo a alertou enquanto segurava a bolsa da cantora para a mesma. - A senhorita precisa que alguém lhe acompanhe até a porta? - Perguntou preocupado.
— Oh, não obrigada. - Kayle agradeceu se levantando, em seguida pegou a sua bolsa, ela caminhou até a porta, mas antes de sair se virou para os dançarinos que lhe observavam. - Bem, obrigada por terem me socorrido e ajudado. - Ela agradeceu se curvando brevemente, todos ficaram sem reação apenas uma onda de vozes emboladas tentando explicar que não foi nada. - Adeus. - Ela disse com um pequeno sorriso saindo pela porta.
Quando ela passou pela porta de treino no corredor havia dois seguranças, mesmo eles tendo uma feição bruta em seus rostos, era óbvia a preocupação dos mesmos. Em seus crachás havia seus nomes.
Alec, Jhon.
Alec, Jhon.
Ela não iria se esquecer mais, sabia o quanto as pessoas odiavam isso. Ela não queria mais motivos para ser odiada.
— Olá, Senhorita K. - Alec há cumprimentou e ela sorrio acenando para o mesmo.
— Olá, Senhorita K. Foi passado para nós que deveríamos lhe acompanhar até a vã. - Jhon explicou enquanto pegava a bolsa das mãos da Kayle para carregar.
— Oh, obrigada. - Ela agradeceu sem saber muito como reagir.
Eles começaram a andar, os seguranças seguiram a cantora pelos corredores. O olhar da cantora se manteve abaixado em todo o percurso, ela não queria olhar para as pessoas que trabalhavam ali e ver os olhares presunçosos sobre si. Quando ela saiu pela porta da empresa ela sentiu-se por um momento em paz, respirando o ar puro foi reconfortante.
Bom, era.
Assim que ela viu a vã se aproximar ela sentiu seu coração bater mais rápido, tão forte como se quisesse quebrar seus próprios ossos, suas mãos começaram a tremer e soar mais do que ela poderia imaginar.
Assim que o automóvel preto parou em sua frente, Kayle esqueceu como respirava por um bom tempo, ela não sabia o que fazer, o que falar quando a porta abrir, ela não sabia se deveria correr ou apenas entrar e agir como se nada tivesse acontecido.
Ela não sabia.
Assim que a porta da vã foi aberta por um dos maquiadores, Kayle teve visão da Liliam com uma cara nem um pouco agradável, era óbvio o desgosto em sua feição. A agente ficou observando para Kayle como se fosse capaz de mata-la apenas com o olhar, Kayle não duvidava disso.
Liliam apenas ordenou que Kayle entrasse e a mesma fez isso, ela entrou se sentando do lado da mesma, após alguns segundos os seguranças entraram ficando mais para frente. A porta da vã foi fechada com certa força, Kayle manteve seu olhar para frente não querendo olhar para nenhum deles.
O silêncio por mais que fosse um grande inimigo de seu medo, no momento estava sendo um grande aliado. O automóvel começou a se mover indo para o estúdio da gravação, Kayle não gostaria de saber o que se passava na mente de Liliam. O alívio que corria fracamente por seu corpo durou poucos segundos, Liliam colocou a mão no joelho de Kayle cravando suas unhas na pele da cantora.
— Eu não estou nem um pouco contente pelo o que aconteceu hoje. - A mulher disse com sua voz séria olhando para a cantora. - Eu realmente espero que essa tenha sido as última vez, estamos entendidas? - Ela perguntou apertando ainda mais as unhas contra a pele da cantora deixando marcas vermelhas, a cantora não expressou nenhuma expressão de dor ou incômodo, sua feição se mantinha neutra.
— Eu entendi, Senhora, isso não vai acontecer novamente. - Kayle a respondeu com a voz calma e doce, ainda não mantendo contato visual com ela.
— Ótimo. Caso você vá desmaiar, desmaie em um lugar vazio e não onde pessoas vão para fazer algo. - Liliam continuou, mas logo largou o joelho de Kayle para pegar o celular enquanto de sua boca saía palavras brutas e ofensivas para a cantora, essa que ouvia tudo de forma calada.
A paisagem poluída da cidade estava sendo agradável para os olhos de Kayle, os prédios pareciam ainda maiores do que ela se lembrava. Uma música calma tocava na rádio trazendo um conforto para Kayle, a música sempre foi um conforto para si, ela observava algumas pessoas com a camisa de seu novo álbum, alguns outdoor com seu rosto sobre a publicidade com marcas de cuidados com a pele, era muita coisa sobre ela, toda essa fama as vezes lhe incomodava, mas como sempre, ela se mantinha quieta.
E mais uma vez sem controle algum o tempo passou mais rápido do que esperado, ela apenas percebeu que havia chegado quando chegaram em frente a uma empresa grande. Ela saiu da vã assim que todos os funcionários presentes na vã saíram primeiro, ela seguiu o caminho ao lado de sua agente.
Um homem lhes receberam na entrada da locação, ele começou a falar sobre a empresa enquanto levava a todos para o local da gravação. Quando chegaram Kayle se impressionou com quão bom o cenário havia ficado, ela percebeu muitas pessoas correndo pelo local enquanto falavam palavras técnicas difíceis que a mulher não conseguia compreender. Alguns seguravam diversos cabos, enquanto outras seguravam câmeras ou equipamentos para iluminação.
Em meio a tanto caos de finalização de produção, Kayle acabou reconhecendo uma pessoa, ela ficou surpresa quando viu aquela pessoa ali no meio de outras tantas, interagindo abertamente enquanto segurava uma câmera grande, Kayle não entendia porque ela estava naquele local, mas acharia rude chegar até ela e perguntar.
A mulher levantou o olhar para Kayle e abriu um sorriso quando viu a mesma, também a reconhecendo, ela acenou para Kayle e começou a caminhar em sua direção. Kayle não sabia o que fazer no momento, ela apenas sabia que...
Morgana estava caminhando até ela.