Pré-visualização gratuita Cap 1
Na Romênia, há um reino onde 70% da população é composta por vampiros. A estrutura social e as relações entre humanos e vampiros são bem definidas: os vampiros dominam quase todo o mundo, e os humanos são considerados essenciais, tanto como alimento quanto como servos e empregados.
É nesse reino que reside Vlad, o rei dos filhos da noite, a quem as lendas apontam como o primeiro vampiro do mundo. Os vampiros são divididos em classes. Existem os Sangue-Puro, os vampiros mais poderosos e respeitados. Logo abaixo, os Nobres, famílias ricas e influentes. Depois vêm os Transformados, humanos que se tornaram vampiros mantendo a consciência. Por último, os Zumbis: humanos transformados que perderam a mente e são controlados por Sangue-Puro muito poderosos.
Entre os Sangue-Puro, três famílias principais governam com poder quase igual ao de Vlad. Ninguém sabe ao certo quantos séculos Vlad já viveu, mas ele já passou dos dois mil anos e, até para ele, o tempo se tornou irrelevante. Ele é casado com Evelyn, uma Sangue-Puro de uma das mais poderosas famílias.
O conselho de vampiros pressionou Vlad a se casar, e ele acabou cedendo, mas com uma única condição: que sua futura esposa fosse gentil, amasse todas as espécies e não aceitasse o casamento facilmente. Vlad acreditava que nenhuma Sangue-Puro atenderia a esses requisitos, especialmente a recusa ao casamento com o rei. No entanto, foi surpreendido quando trouxeram Evelyn à força até ele, alegando que ela cumpria exatamente todas as suas exigências. Curioso, ele decidiu mantê-la no castelo para testar sua sinceridade.
Evelyn recusou-se a beber sangue humano, o que intrigou Vlad. Ela não apenas se mantinha distante dele, como também tratava os humanos com uma gentileza incomum para a espécie. Frequentemente, ele a encontrava na floresta, bebendo o sangue de pequenos animais. Para Vlad, aquilo parecia impossível – uma Sangue-Puro rejeitando o que era natural para os vampiros.
Certo dia, uma das servas humanas derrubou vinho sobre Vlad por acidente. Tomado pela fúria, ele estava prestes a matá-la, mas Evelyn interveio, colocando-se entre o rei e a serva, e implorou que ele perdoasse o erro. "Se está com raiva, então me puna, mas não a mate por um engano. Todos erram e merecem uma segunda chance." Vlad ficou atônito; não conseguia acreditar na bondade que emanava dela.
Desejando verificar sua aversão ao casamento, Vlad ofereceu-lhe riquezas, castelos, tudo o que qualquer mulher poderia sonhar, mas Evelyn permaneceu irredutível em sua recusa a aceitá-lo. Intrigado, e já começando a desenvolver sentimentos por ela, decidiu fazer-lhe uma proposta um dia antes do casamento.
"Sei que me odeia pelo que faço a outras espécies e que nunca desejou esse casamento," disse Vlad. "Vou lhe dar uma chance para romper o noivado."
Evelyn o encarou com desconfiança. "O que quer dizer?"
"Mate uma humana, e eu poderei provar que não é tão gentil quanto todos dizem."
A resposta foi imediata. "Eu jamais faria isso." Vlad percebeu então que ela realmente cumpria os requisitos que ele havia estabelecido.
Mais tarde, ele a confrontou novamente. "Eu não posso desfazer o casamento, prometi ao conselho. Mas posso prometer respeitar sua vontade. Diga o que quer, e eu juro cumprir."
Evelyn, depois de refletir, respondeu: "Promete que jamais me tocará contra minha vontade?"
"Prometo."
"Promete que não permitirá maus-tratos aos humanos neste reino?"
Vlad hesitou, mas assentiu. Sabia que, para manter Evelyn viva, teria que honrar essas promessas. Evelyn aproveitou para estabelecer um limite final: "E que apenas eu serei a mãe de seus filhos legítimos, sem bastardos."
Vlad pensou muito antes de concordar. "Se uma de minhas concubinas engravidar por acidente, posso deixá-la partir e criar a criança longe daqui. Mas se ela voltar, você deverá matar essa criança com suas próprias mãos."
Evelyn concordou em silêncio, aceitando as condições impostas. Vlad a observou com seriedade, entregando-lhe uma taça com sangue. "Beba o suficiente para se curar, apenas isso. O casamento é amanhã."
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Uma década se passou desde o casamento. Evelyn estava prestes a dar à luz o primeiro filho de Vlad. As horas de parto foram exaustivas, mas finalmente, o bebê nasceu. A parteira o segurou, examinando-o antes de entregá-lo a Evelyn, que o acolheu em seus braços.
"É um menino?" perguntou Vlad, ansioso por um herdeiro.
"Meu senhor... é uma menina," respondeu a parteira.
Vlad ficou imóvel. A expressão de Evelyn se enrijeceu ao perceber a reação do marido e, temendo pelo futuro da filha, segurou-a ainda mais firme. "Por favor, não..." sussurrou, prevendo o pior.
Vlad aproximou-se, observando Evelyn com intensidade. "Acha que eu mataria nossa filha?" perguntou com voz fria.
"Sim," ela respondeu, seu corpo protegendo o bebê.
"Deixe-me segurá-la," ordenou Vlad. Quando Evelyn hesitou, ele usou seu poder para controlá-la por um momento, pegando a bebê em seus braços. A bebê, de pele clara e cabelos negros como os dele, abriu os olhos e sorriu. Vlad sentiu um estranho calor crescer dentro de si e percebeu que não poderia machucar a filha.
"Ela será chamada Eva. Princesa Eva."
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Um ano depois, uma das concubinas de Vlad engravidou e deu à luz gêmeos. Um dos meninos tinha cabelos negros como Vlad, enquanto o outro era loiro como a mãe. Evelyn, que deveria cumprir o acordo de eliminar possíveis ameaças à sua família, não teve coragem de fazer o que prometera. Quando Vlad voltou de uma viagem e soube do nascimento dos gêmeos, foi ao encontro deles com um misto de alegria e apreensão. Ele os nomeou: Sebastian, o de cabelos negros, e Nathaniel, o loiro.