Cap 3

1119 Palavras
Eva Eu deveria falar com Sebastian e tentar convencê-lo a não me descartar. Sei que é improvável que isso funcione, mas preciso tentar. Além disso, tenho que encontrar uma maneira de me livrar daquela mulher, Tamar. Ela ganhou muita influência depois de parir meus meio-irmãos, e a situação está cada vez mais difícil para mim. Vou até o quarto de Sebastian e bato na porta. Espero um pouco até ele abrir, revelando-se com o corpo molhado, provavelmente acabou de sair do banho. Ele me olha com a expressão fechada, parecendo mais velho do que realmente é – tem apenas 14 anos, mas já parece um pequeno príncipe, um verdadeiro nobre. Tenho certeza de que será ainda mais impressionante quando crescer. Sebastian —Antes que você fale qualquer coisa, a resposta é não. Eu estou cansado de você infernizando a vida da minha família. Coloque na sua cabeça que você é uma mulher e que já está na hora de se casar. Ele bate a porta na minha cara antes mesmo que eu possa responder, e a raiva ferve dentro de mim. Sem hesitar, vou para o jardim e começo a socar o saco de pancadas repetidamente. Não vou aceitar que, no próximo ano, eles escolham um marido para mim contra minha vontade! Esse destino já estava planejado, mas eu recuso. --- Hoje é meu aniversário de 16 anos. O tempo passou depressa, mas minha ansiedade só aumentou. Está quase na hora do jantar em família, e sei que eles já decidiram tudo, pois ouvi uma conversa entre eles. Amanhã, tudo pode mudar, mas não do jeito que eles querem. Vou até a sala de jantar e vejo todos reunidos, bebendo sangue. Minha mãe parece abatida, enquanto Tamar exibe um sorriso m*l disfarçado de vitória. Sento-me à mesa, contendo o ímpeto de destruir cada objeto sobre ela. Vlad —Eva, chegou a hora de você arrumar um marido. Respiro fundo, olho para a mesa e luto contra a vontade de quebrar tudo. Tamar —Você vai se casar com o rei do reino vizinho. Ele demonstrou muito interesse em você. "Interesse em mim?" penso, descrente. Como ele poderia estar interessado sem sequer me conhecer? O fato de que Tamar tem mais voz do que minha própria mãe me dilacera. —Eu não quero!— solto, incapaz de suportar essa conversa. Sei que o rei de Lenest matou esposas antes; por que comigo seria diferente? Vlad —Isso é uma ordem, Eva. Amanhã você viajará para conhecer seu noivo. Quando todos se retiram da mesa, levanto-me e vou para meu refúgio secreto: a casa na árvore no jardim. Olhando as estrelas, as lágrimas escapam. Minha opinião nunca teve valor aqui. Deito-me ali, e o plano começa a se formar em minha mente. Se é assim que eles querem, vou embora antes que amanheça. Será difícil deixar minha mãe, mas sei que meu pai nunca permitirá que algo aconteça a ela. Quando volto ao meu quarto, vejo Sebastian na porta, pronto para bater. Ao ouvir meus passos, ele me olha, mas não digo nada e entro, tentando fechar a porta. Ele a impede, entrando sem permissão. —Já não está feliz o suficiente? Ainda quer debochar de mim?! — grito, furiosa. Sebastian —Eva, será melhor assim. Tenho certeza de que você ficará bem. —Ficar bem? Não é você que será violentada todas as noites e usada como um objeto! Empurro-o para fora, batendo a porta com força. Com as horas contadas até o amanhecer, preparo minha mochila, pegando tudo que é essencial. Sem poder levar sangue, já que estragaria, amarro uma corda firme na coluna da janela e começo a descer. Quase caio, mas consigo chegar ao chão sem problemas. No portão de saída, vejo uma sombra: meu pai está lá, me observando com um olhar intenso. Vlad —Onde pensa que vai, Eva? Congelo. Como ele soube? — Como descobriu? Vlad —Você acha mesmo que eu não conheço minha própria filha? Sem saída, tento o plano B. Arremesso minhas adagas na direção dele, aproveitando o momento em que ele se teletransporta para correr. Pego meu arco e flecha, disparando uma flecha de madeira, mas ele a segura com facilidade. A ingenuidade em pensar que poderia superá-lo me atinge. Vlad — Você realmente está tentando me matar? — Eu só quero ir embora. Antes que consiga correr, ele surge à minha frente, arrancando minha arma com desdém. Vlad —Como você é ingênua. —Prefiro morrer a me casar contra minha vontade. O desafio em minhas palavras é uma provocação, e sei disso. Ele segura uma adaga, apontando-a para meu pescoço. Fecho os olhos, aguardando o golpe final. Vlad —Tão teimosa… Eu não ia te casar, Eva. Ia te enviar para o reino do meu sobrinho. Surpresa, abro os olhos e ele me entrega a adaga de volta. —Como assim? Vlad —Aquela conversa sobre casamento era para enganar Tamar e o conselho. Ela havia mencionado sua existência, então eu paguei para que o rei do reino vizinho fingisse interesse. Apenas um jogo. Ele retira o colar de prata com o símbolo de um morcego e me entrega. —Você vai mesmo me deixar partir? Vlad —Nunca fui seu dono, Eva. Só não esperava que o primeiro filho a me desafiar fosse você. —Obrigada— murmuro, colocando o colar. Vlad —Quero que volte aos 18. Entendido? Faço um aceno de cabeça, agradecida. —Vai cuidar da minha mãe, né? Vlad —Você duvida? Se ela fosse como as outras, já teria silenciado todos que falam m*l dela, mas sua mãe é pacifista. Só posso protegê-la do meu jeito. —Ela estava doente há pouco tempo. Achei que estava grávida. Ele não parece surpreso. Vlad —Está, sim. Outra menina. Levo você até o barco. Enquanto caminhamos, uma curiosidade surge. —Como sabe disso? Vlad —Dessa vez consultei uma bruxa. Queria evitar surpresas. —E minha irmã? Vlad —Ela ficará bem, afinal, não será primogênita. A expressão de humor inesperado em seu rosto quase me faz sorrir. —Alguma sugestão de para onde devo ir? Vlad —Vá ao reino do seu primo. Ignoro o conselho, decidida. —Prefiro andar pelo mundo Ele suspira, impaciente. Vlad —Apenas evite o território dos lobisomens. Aceno em concordância. Ele me leva até o barco, longe da vista de todos. Vlad —Agora é com você. Se precisar, sabe onde me encontrar. Entro no barco e corto a corda que nos prende. Afasto-me da margem, deitando no fundo e me cobrindo para me proteger do sol. Fecho os olhos, deixando que o rio me leve para o norte, ao destino que agora pertence apenas a mim.
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